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11 de dezembro de 2016

A arte do Descaso

[bom]

Título: A arte do descaso
Autora: Cristina Tardáguila
Editora: Intrínseca

Sinopse:
O livro, baseado em fatos reais, relata o maior roubo de arte no Brasil. O assalto ocorreu em pleno carnaval, no Museu da Chácara do Céu, localizado no Rio de Janeiro, no qual trabalhos de artistas renomados como Salvador Dalí, Picasso, Monet e Matisse foram perdidos. A autora investiga e revela o despreparo da polícia e de outras autoridades, os erros cometidos, a falta de insfraestrutura, e outras situações que deixaram esse crime impune. Além disso, relata casos internacionais traçando um comparativo, revelando a eficiência de outros países diante de situações semelhantes.

Meu cantinho:
Antes de começar a falar do livro preciso fazer duas observações: a primeira sobre a foto, espero que tenham gostado! Os desenhos ao fundo são meus e tentarei fazer algumas fotos diferentes de agora em diante. A segunda observação é: eu voltei! Depois de mais de um ano (literalmente) sem fazer postagem aqui no blog - faculdade, trabalhos, serviço, estudo, preguiça - estou aqui perto do fim do ano para fazer a primeira postagem do ano! Vou tentar escrever por aqui de tempos em tempo e não esperar o fim de 2017 chegar para aparecer aqui novamente. Agora vamos ao livro!
A arte do descaso é um livro reportagem da jornalista Cristina Tardáguila que investiga o que de acordo com o FBI é o maior roubo de arte do Brasil, que está entre os dez maiores do mundo.  O interesse da autora pelo tema ocorreu quando ela percebeu que após cinco anos decorrido o crime, ele foi esquecido pelas mídias e pelas autoridades, sem qualquer solução, apesar de sua gravidade em escala mundial. 
Para as pessoas que amam arte e entendem a importância dela para a cultura e história da humanidade, esse livro é triste, porém essencial. Para aqueles que não conhecem ou apreciam arte, mas reconhecem nomes como Salvador Dalí, Picasso, Monet e Matisse, é preciso ler o livro para reconhecer o descaso do Brasil com o trabalho desses artistas mundialmente conhecidos. Já para as pessoas que não se importam com arte, cultura, história, e nunca sequer escutaram falar de Picasso, entendam que mais de 10 milhões de dólares (valor correspondente ao ano de 2006), foram facilmente arrancados de um museu e pouco se fez para reavê-lo. 
A autora começa o livro narrando o assalto ocorrido em pleno carnaval, no Museu da Chácara do Céu, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. A cena do crime é reconstituída por Cristina com base em informações retiradas do inquérito policial registrado, procurando recriar a cena com a maior imparcialidade possível. O relato conta que na tarde do dia 24 de fevereiro de 2006, quatro homens armados entram no museu, rendem os seguranças e os visitantes, fazendo um total de nove reféns. Eles desligam as câmeras e o sistema de vigilância, e em meia hora fogem com cinco obras de arte de grande valor, importância, e que não eram cobertas por um seguro. 
As peças eram um óleo sobre tela Marine, de Monet, valendo mais de 2 milhões na época do roubo; a tela Le jardin du Luxembourg de Matisse, avaliado em mais de 3 milhões de dólares; o óleo sobre madeira Les deux balcons de Salvador Dalí, avaliado também em mais de 3 milhões; a pintura a óleo La danse de Picasso, que valia 2 milhões de dólares quando roubada; e a última obra foi o livro de gravura Toros que reunia quinze pranchas de ilustrações do Picasso, mas que não foi roubado na íntegra, já que parte do trabalho estava em restauração, por isso seu valor no mercado está próximo a zero. Para aqueles que não conhecem as peças, a autora descreve seu tamanho, peso, cores, quando foram produzidas, citando um breve histórico do autor, seu valor, suas peculiaridades, além de outras considerações como a relevância daquele trabalho para o Brasil e para o mundo, e como elas foram parar no museu. Cristina também ilustra seu livro com foto dos museus e das obras que foram levadas.
Após relatar a cena do crime, a escritora começa a descrever seus desdobramentos com base em relatos e entrevistas de testemunhas, nos quais a demora, falta de conhecimento, capacitação e esforço das autoridades são evidentes, destacando a falta de estrutura do poder público para situações como essa. Os erros da polícia têm início na demora para chegar ao local do ocorrido, assim como a não interdição do espaço que permitiu a livre circulação de pessoas no local, comprometendo a cena do crime. Quando a polícia tenta informar outras instituições que tenham controle sobre as possíveis rotas de fuga aéreas e terrestres, as informações encaminhadas são vagas e não são atualizadas posteriormente. Nem todos os reféns foram ouvidos, muitos eram turistas estrangeiros, e não havia ninguém capaz de se comunicar em inglês, e nenhuma instrução foi passada. Dos quatro assaltantes apenas dois tem retrato falado, e a polícia não sabe explicar porque não foram feitos retratos dos outros dois. Com o passar do tempo os erros continuam, escutas que não são autorizadas e não são gravadas, falta de esforço para localizar possíveis suspeitos, erros que levam a polícia a ficar sem linhas de investigação, burocracias, falta de empenho, e o prazo de prescrição cada vez mais próximo.
Conforme demonstra a autora, os crimes de roubo de arte são os mais lucrativos do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e armas. Apesar disso, pouco se faz aqui no Brasil, assim como em outros lugares, para mudar essa situação, já que há pouca comoção popular sobre o assunto e muitos consideram arte algo supérfluo e dispensável. Além disso, poucos casos são julgados e as penas são relativamente brandas. Com tudo o que é apontado no decorrer da leitura, e se baseando em experiências positivas de outros países, percebemos que é necessário, em primeiro lugar uma ação efetiva e a vontade do governo de mudar esse cenário. É preciso criar órgãos especializados, que trabalhem em rede, que sejam capacitados com conhecimentos mínimos na área, que haja uma catalogação do acervo existente no país, que a segurança seja proporcional ao seu valor histórico e cultural, e que a opinião pública defenda essa causa.
Cristina Tardáguila fez um grande trabalho de coleta de informações, detalhamento, e contextualização. Diferente da polícia ela falou com todas as pessoas presente durante o ocorrido, escutou a polícia federal, peritos, jornalistas, críticos de arte, especialistas em segurança do museu, servidores públicos, entre outras fontes. Ela fez ligações entre possíveis suspeitos que a própria polícia não fez, avaliou as informações disponíveis cuidadosamente, percebeu as falhas cometidas pelas autoridades assim como possíveis linhas de investigação. Sempre que faz referências a pesquisas ou estudos, ela cita diretamente a fonte e onde podemos encontrar aqueles dados mais detalhados. Quando realiza entrevistas ela sempre contextualiza o personagem, falando se sua formações, história, possível envolvimentos, momentos em que os entrevistou, suas expressões faciais e sentimentos que pareciam exprimir. Dessa forma, foi possível perceber o esforço da escritora para relatar com fidelidade o caso. Contudo, como uma jornalista, que deveria procurar analisar os fatos com imparcialidade e evitar um envolvimento pessoal com o tema pesquisado, a autora revela em diversas passagens situações que percebo como uma obsessão pelo tema. 
Por exemplo, Cristina relata que construiu uma maqueta em casa do Museu, para visualizar melhor os acontecimentos e construir hipóteses dos desdobramentos que não foi possível através dos relatos ou perícia. Quando saía com amigos seu assunto preferido era o crime, e quando alguém sugeria algo que ela não havia pensado, ela se sentava diante da maquete para testar as possibilidades. Além disso, ela conta que eram recorrentes os sonhos com o assalto, seja no papel de testemunha ou finalmente descobrindo onde as obras estavam. Em determinados momentos, quando parece estar próxima de alguma evidência, mas não consegue de fato alcançá-las, a jornalista faz conjecturas que parecem imparciais.
É compreensível que ao passar mais de dois anos apurando, fortemente envolvida nesse acontecimento, seja difícil de afastar emocionalmente e manter a imparcialidade. A questão é que seu trabalho como um livro reportagem fica comprometido diante desses fatos. A própria autora, em seus últimos capítulos, diz que chega um momento em que precisa voltar ao seu papel de jornalista, abandonar o “apego emocional”, o “turbilhão de emoções” assim como a “memória das horas dedicadas à investigação” e enfim estruturar sua reportagem.
Outro fato que me incomodou bastante foi o modo como esse livro foi apresentado ao público. Meu primeiro contato com essa obra foi através de resenhas publicadas na internet. Em quase todas, inclusive no título, era ressaltado que Cristina solucionou o maior crime de roubo de obras de artes do país, que enfrentou diversas situações de riscos assim como viajou para o exterior seguindo possíveis pistas da localização das peças roubadas. Todas essas afirmações são falsas, e quem as escreveu obviamente não leu o livro. 
Cristina encerra seu livro com um apelo, falando que era seu desejo solucionar o caso, mas que esse não foi possível, mas que ainda há tempo, pois o crime não prescreveu. Para tanto, seria necessária uma ação por parte do governo, e acredito que com sua fala e outras situações narradas no livro, a pressão popular é de fundamental importância para que as engrenagens se movam. Portanto, ela não solucionou o maior roubo de arte do país, mas gostaria que seu trabalho levasse a isso. Sobre as situações de riscos, elas são quase inexistentes. Seu trabalho de apuração envolve poucas situações perigosas, o que inclusive leva o leitor a certa monotonia na leitura nos primeiros capítulos. Acredito que a situação de risco em questão foi seu encontro com um homem acusando anteriormente de participação em outro crime, que aconteceu no mesmo museu, onde uma mesma tela foi roubada anteriormente (e na ocasião recuperada). Ela vai encontrar esse homem, em companhia de outro jornalista, em uma igreja que ele agora frequenta. Não descarto que a situação poderia ter sido perigosa, mas quando lemos a cena sem qualquer tensão ou perigo aparente, as “diversas situações de riscos” não parecem condizentes. Por fim, ressalto que a autora não viajou em momento algum atrás de qualquer pista do paradeiro das obras roubadas, ele viaja para participar de encontros, conversar com especialistas, conhecedores ou órgãos que trabalhem com roubo de arte. 
Referente ao trabalho estético do livro, a Editora Intrínseca está de parabéns com outro trabalho de grande qualidade. Com sua capa vermelha e detalhes em dourado na capa, o livro segue todo um padrão em dourado nos detalhes internos, como divisões de capítulos, numeração de página e letras capitulares que demonstra certo requinte que condiz com o tema abordado. A fonte, o espaçamento, a coloração da página e o trabalho de revisão foram adequados, possibilitando uma leitura agradável. O único problema detectado nesse aspecto foi que infelizmente o meu exemplar teve sua capa descolada do miolo, algo raro nos livros da Intrínseca, mas que aconteceu.
Resumindo, alguns erros no acabamento, certa lentidão na narrativa, e sem nada muito “emocionante”. Contudo, é um livro interessante para que tenhamos conhecimento da realidade que nos cerca, e do descaso que a arte enfrenta no nosso país e no mundo. A autora em diversos momentos faz referência a casos ocorrido no Brasil assim como em outros países, o que nos faz perceber como a situação geral é precária. Ela relata casos famosos bem sucedidos como O Grito de Edvar Munch, e outros tristes onde peças raras são destruídas para encobrir o crime. A autora demonstra que o poder público precisa agir e a opinião pública precisa de manifestar. Mais de 10 milhões de dólares foram levados de um museu, talvez as obras tenham sido queimadas, um segurança viu um Picasso ser derrubado e rasgado, o mundo perde um pedaço da história, mas ainda há tempo.

Volume único.

8 de fevereiro de 2015

O presente do meu grande amor

[ótimo]

Eu recomendo: O presente do meu grande amor
Autores: Holly Black, Ally Carter, Matt De La Peña, Gayle Forman, Jenny Han, David Levithan, Kelly Link, Myra McEntire, Stephanie Perkins, Rainbow Rowell, Laini Taylor, Kiersten White.
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Nesse livro organizo por Stephanie Perkins, temo uma coletânea de doze contos de história de natal. Temos “Meias-Noites” da Rainbow Rowell, “A Dama e a Raposa” de Kelly Link, “Anjos na neve” de Matt De La Peña, “Encontre-me na estrela do norte” de Jenny Han, “É um milagre de Yule, Charlie Brown”, de Stephanie Perkis, “Papai Noel por um dia” de David Levithan, “Krampuslauf” de Holly Black, “O que diabo você fez, Sophie Roth?” de Gayle Forman, “Baldes de cervejas e menino Jesus” de Myra McEntire, “Bem-vindo a Christmas, Califórnia” de Kiersten White, “Estrela de Belém” de Ally Carter, e por fim “A garota que despertou o sonhador” de Laini Taylor.

Meu cantinho:
Eu comecei a ler esse livro no final do ano passado e gostei muito, mas acabei passando outros livros na frente e só retomei a leitura esse ano. Eu gostei muito desse livro, geralmente quando eu leio coletâneas, tem sempre um que se destaca enquanto a maioria deixa a desejar, o que não aconteceu com esse livro. Eu conheço diversos dos escritores que compõem esse livro, já li trabalho deles, ou já ouvi falar coisas positivas. Quem reuniu esse grupo foi muito feliz, pois são todos escritores de qualidade, com trabalhos maravilhosos. A seguir vou falar um pouco de cada um dos trabalhos deles.
Começando com “Meias-Noites” da Rainbow Rowell. Dela eu já li Elanor&Park e Fangirl. Ela é o tipo de autora da qual eu não sei o que esperar, ela sempre me encanta ao mesmo tempo em que confunde gerando sentimentos ambíguos em relação aos personagens. Essa história não foi diferente, eu confesso que gostei muito do conto, dos personagens, ao mesmo tempo em que odeio algumas atitudes deles – mas acho que isso no fim, só os torna mais reais, pois eles parecem mais humanos. Ela começa na meia-noite de 31 de dezembro 2014, nos apresenta Mags que aparentemente está de coração partido por conta de Noel. Depois disso, ela apresenta a meia-noite do mesmo dia de anos anteriores e podemos conhecê-los um pouco mais. Mags e Noel são amigos com personalidade muito diferentes, mas que se dão muito bem juntos. Acontece que Mags parece nutrir sentimentos além da amizade por Noel, mas toda meia-noite de cada ano novo ele escolher entrar beijando outra menina, enquanto ela fica sozinha. Eu não gosto de Noel por não perceber o sentimento de Mags, ou fingir não perceber durante tanto tempo, e não gosto de Mags por não conseguir de fato lutar por quem ela gosta. Ao mesmo tempo adoro a personalidade despojada de Noel e me agrada muito o jeito doce da Mags. Um conto que me causa sentimentos conflitantes, mas do qual eu definitivamente gostei.
Em seguida temos “A Dama e a Raposa” de Kelly Link. Eu não conhecia a autora, mas gostei muito do conto dela, ela mistura mistério e um pouco da magia de natal. Ela nos apresenta Miranda, uma garota que sempre passa o natal com a família Honeywell, por ser afilhada da Elspeth, que vem de família abastada, totalmente diferente da realidade em que vive. Toda noite de natal, quando neva, ela se depara com um jovem rapaz, Fenny, que fica do lado de fora, olhando para dentro da casa. Conforme os anos passam, ela espera ansiosamente seu encontro com ele, torce para que o natal chegue logo e para que haja neve, caso contrário ele não aparece. Miranda vai amadurecendo e envelhecendo, mas Fenny parece parado no tempo. Ela se apaixona por ele e ele parece corresponder, agora ela precisa descobrir o que o levou para fora desse mundo e como fazê-lo ficar além das noites de natal. Eu confesso que o final do conto não foi tudo o que eu esperava, mas o desenrolar do conto foi sim muito interessante.
“Anjos na neve” de Matt De La Peña foi outro conto do qual eu gostei do desenrolar, mas que me decepcionou um pouco quanto ao final, pois passa uma sensação de inacabado. Shy é um rapaz que conseguiu uma vaga na universidade por sua inteligência, mas que passa por dificuldades financeiras para se manter, e morre de medo de decepcionar os pais. Ele aceita cuidar do apartamento do seu chefe e da gata enquanto eles viajam no natal, acontece que uma nevasca o deixa preso dentro do prédio, sem qualquer dinheiro (pois seu chefe não pagou adiantado) e sem qualquer comida, além de alguns potes de iorgute que estão na geladeira. Ele começa a passar fome e a repensar suas escolhas, quando uma das vizinhas de seu chefe, Haley, aparece com problema no encanamento e precisa de um lugar para tomar banho. Haley é desconfiada quanto a integridade de Shy, enquanto ele é orgulhoso para compartilhar seus problemas e pedir ajuda. Juntos eles compartilham as conversas mais estranhas e quando por fim seus problemas são expostos um está pronto para ajudar ao outro.
O conto “Encontre-me na estrela do norte” de Jenny Han foi o mais natalino no sentido mágico. Ela traz a história de Natty, uma menina de descendência oriental que foi abandonada por sua mãe no trenó do Papai Noel, que a adotou como filha. Hoje ela vive no Polo Norte, onde nenhuma garota humana jamais morou, ela vive cercada por duendes e acaba se apaixonando por um deles: Flynn. Ele parece não perceber Natty, e é sempre visto Elinor, uma duende linda, e juntos eles parecem formar um par perfeito. Natty tem que lidar constantemente com os comentários maldosos de Elinor sobre ela não ter um parceiro humano, mas a verdade é que ela já conheceu um rapaz uma vez quando saiu com Papai Noel e inclusive o beijou, mas seus sentimentos pertencem a Flynn. Esse conto foi particularmente curto, e eu fiquei encantada, apesar do final um tanto quanto triste que abriu um rombo no meu peito.
Eu adoro a Sthephanie Perkis, sou louca por Anna e o Beijo Francês, assim como por Lola e o garoto da casa ao lado. Lógico que o conto dela, “É um milagre de Yule, Charlie Brown”, também não fica para trás em qualidade. Foi definitivamente um dos contos que eu mais gostei! Marigold não está vivendo o melhor momento da sua vida, principalmente nessa época festiva, já que depois que seu pai largou sua mãe – porque ele tinha outra família – eles nunca mais comemoraram o Natal. Marigold faz curtas de comédia, e geralmente dubla todos, mas ela está tentando chamar a atenção de um estúdio em Atlanta, e precisa da voz de North. Ele é um dos rapazes da Família Drummond, que vende pinheiros no Natal em um terreno perto do seu apartamento. Quando ela ouve sua voz pela primeira vez, percebe que precisa dele como dublador. Ela tenta se aproximar dele e acaba saindo com uma árvore de natal gigante, que não tem como carregar, e sequer tem espaço no apartamento desorganizado onde vive, mas North a ajuda com a árvore, com o espaço, e alegra o natal de Marigold como a muito tempo não acontecia. É um conto divertido e terno ao mesmo tempo, definitivamente recomendo a leitura dele.
David Levithan é um dos meus autores preferidos, quando eu vi que ele tinha um conto nesse livro eu sabia que eu precisava tê-lo. Acontece que eu acabei me decepcionando um pouco com “Papai Noel por um dia”. O conto dele foi muito triste, muito trágico e muito sombrio. O rapaz se fantasia de Papai Noel para que a irmã do namorado (que não assumiu ele para a família) não se dê conta que o Papai Noel não existe, agora que o pai que fazia esse papel abandonou a família. No meio da noite ele se depara com a outra irmã rancorosa, com a mãe devastada e fica com medo de buscar aquele que ama. Geralmente você espera que um conto de natal seja contentamento, mas eu achei uma história muito pesada e triste.
O conto “Krampuslauf” de Holly Black foi outro mágico e um tanto quanto esquisito. Ele começa com um trio de amigas que vão bolar uma festa para desmascarar o namorado de uma delas que está traindo a garota. Acontece que elas começam a empolgar na festa e querem fazer um super evento e por acaso uma delas convida um garoto fantasiado de Krampus, o companheiro demoníaco do Papai Noel que transforma totalmente a noite - porque na verdade ele não é um garoto e seu corpo não é um fantasia. O conto foi estranho, tem um desenrolar um tanto quanto desconectado, acho que foi um dos que eu menos gostei.
“O que diabo você fez, Sophie Roth?” de Gayle Forman, foi um conto muito fofo que me surpreendeu. Sophie Roth é uma menina que indaga uma vez atrás da outra sobre o que ela está fazendo, porque parece que ela só comete um erro atrás do outro. Por ganhar uma bolsa integral ela acaba indo para uma universidade em uma cidade no meio do nada, onde todos parecem achar que ela é esquisita. Ela acaba ficando presa lá por conta dos preços da passagem e vai perder o Chanucá com sua família, e não tem ninguém para falar sobre isso, pois ali todos sabem apenas o que é o natal. Evitando ficar sozinha ela saí andando pela cidade quando esbarra com Russell. Um cara bacana, que parece entendê-la, não a acha estranha, e apesar de alguns “O que diabo você fez, Sophie Roth?” ela não coloca tudo a perder e recebe um verdadeiro milagre.
“Baldes de cervejas e menino Jesus” de Myra McEntire, foi um conto fofinho, engraçadinho, mas nada excepcional. Nele somos apresentados para Vaughn, um menino que teve problemas na infância e por conta disso acabou virando o típico “garoto problema”. Ele tem uma mente maligna que se amplia e consegue visualizar planos para as mais diversas traquinagens. Acontece que um desses planos tem conseqüências graves, com um pacote de bombinhas ele coloca fogo na igreja e a “opção” que o juizado de menores oferece é trabalho voluntário para a igreja que ele ajudou a queimar. Ele precisa ajudar a organizar todo o cenário da peça de fim de ano, que também foi queimada. Acontece que durante a peça, tudo parece dar errado, e Vaughn tem a chance de usar seu cérebro engenhoso para bolar um plano que ajude a todos, e quem sabe ainda conquistar Gracie, a filha do pastor da igreja, por quem ele está apaixonado.
O conto “Bem-vindo a Christmas, Califórnia” de Kiersten White, foi um conto bonito por falar a respeito de laços familiares, ter um foco no amor de uma família. A mãe de Maria fugiu do pai dela quando ela ainda era pequena, ela se estabeleceu na pequena Christmas e lá se casou com outro homem. Acontece que ela se vê como uma intrusa nessa família e junta todo o dinheiro que pode para fugir daquela cidade. Quando o novo cozinheiro da lanchonete da mãe chega a cidade, ela se vê encantada por um cara com um dom culinário, que sabe exatamente o que cozinhar pra lhe fazer feliz. Através desse dom e das conversas com ele, ela se abre com a mãe e descobre que nem tudo é como ela imaginava ser. Definitivamente um conto belíssimo, não falo mais sobre ele para não revelar spoilers, mas certamente me conquistou!
O conto “Estrela de Belém” de Ally Carter foi uma história bem diferente. Uma menina está fugindo do mundo, e no aeroporto ela se depara com uma garota desesperada, querendo ir para Nova York encontrar o namorado que ela ama, quando sua passagem a leva para o namorado com quem ela não quer estar. Ela gentilmente troca sua passagem com a garota, sem saber aonde irá parar. Ela então se depara com uma família, que mora totalmente isolada, que acha que ela é irlandesa, e com o namorado lindo de outra menina. Ela precisa desesperadamente fugir, mas o sentimento de aconchego e de amor de todas aquelas pessoas faz com que ela resista a ir embora. Achei interessante o final, porque não suspeitava do motivo pela qual ela estava fugindo, o fechamento foi certamente interessante.
Por fim temos “A garota que despertou o sonhador” de Laini Taylor, que foi um dos contos mais absurdos desse livro, o que é bem a cara da autora. Ela nos traz Neve, uma menina órfã, de cabelos rosa, que tem uma única chance de sobreviver: achar alguém que se interesse em casar com ela, caso contrário, quando se tornar maior de idade, certamente morrerá de fome naquela ilha. Acontece que o terrível pastor passa a cortejá-la, um homem ruim, que já desposou diversas mulheres, e todas morreram de forma terrível. Ela então pede forças a uma antiga entidade esquecida, e desperta um ser que está disposto ajudá-la, e que se encanta com sua pureza. Um conto diferente, com um final bem singular.
No geral todos os contos são muito interessantes, uma coletânea maravilhosa que vale a pena adquirir. Certamente recomendo a leitura.

Volume único.

23 de outubro de 2014

Não se apega, não

[ótimo]

Eu Recomendo: Não se apega, não
Autora: Isabela Freitas
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Esse é um livro diferente, começa pelo final, pela decisão de Isabela de terminar com o Gustavo. Muitas de suas amigas não entendem, assim como sua família, como terminar com esse cara tão lindo e perfeito. Acontece que apenas Isabela sabe o que enfrentou nesse namoro, e como esse cara perfeito está longe de ser tão perfeito assim. Ela percebe que precisa desapegar, que precisa ser mais honesta consigo, que precisa confiar em si, mas precisa principalmente se amar e se sentir completa. Antes que consiga alcançar essas coisas precisa enfrentar todos os convites para baladas, os pedidos de Gustavo para voltarem, o primo gostosão, o antigo paquera que está mais encantador do que nunca. Ficar sozinha, se conhecer, se tornar independente e se amar, se mostra um caminho mais difícil do que Isabela poderia imaginar.

Meu cantinho:
Assim que eu abri esse livro e li as primeiras páginas eu soube que iria amar totalmente a leitura. Dito e feito. Eu tenho tantas coisas positivas para falar sobre esse livro que tenho medo de soar confusa e não me explicar direito, mas farei o meu melhor.
Primeiro meus parabéns a editora. A capa é linda, eles tem as divisões dos capítulos super bem feitas, frases super engraçadas e detalhes fofos. A diagramação e a revisão estão impecáveis. Acho que estamos tão habituados com livros iguais, com um ou outro detalhe diferente, que quando tenho em mãos um livro desses mais trabalhado não tem como não ficar admirada – e também se perguntar porque a editora não faz isso sempre.
Eu não conhecia a Isabela Freitas, apenas depois que li o livro soube que ela é famosa por ter um blog e publicar textos semelhantes por lá. Eu acabei entrando no blog depois de ter acabado de ler o livro e encontrei vários outros textos interessantes, com temas variados, e muita coisa bacana para se refletir! Indico blog dela, que você pode conferir clicando aqui. Só para reforçar não estou ganhando nada com essa divulgação, nem parceria, ou qualquer coisa do tipo, mas sempre fico feliz em indicar um trabalho de qualidade que me agrade.
Voltando ao livro. Assim que o abri e vi elencando 20 frases bem realistas eu soube que eu iria gostar. Comecei a ler o livro e me identifiquei total com a Isabela – que também é o nome da personagem do livro. Eu não sei o quanto do que está escrito nesse livro é baseado na vida da autora, mas certamente boa parte é. Ela é muito parecida comigo, ela adora ler e escrever, não pode ver bichinhos na rua que quer cuidar, tem desejo de cursar jornalismo ou publicidade (eu sou formada em comunicação social – publicidade e propaganda), mas o principal: ela é uma garota com um histórico de relacionamentos amorosos que vária entre o desastroso e o hilário, exatamente como eu. Ela já cometeu diversos erros, continua cometendo outros e parece que está sendo difícil acertar.
Quando eu decidi ler esse livro eu tinha terminado a alguns meses um namoro de mais de um ano, e estava começando a me envolver com outra pessoa, e tive a impressão que estava cometendo novamente os mesmos erros. Esse livro serviu como um pontapé para mudar a minha vida, minhas atitudes e o modo de encarar meus relacionamentos. Talvez você leia e não passe de uma história engraçadinha, talvez ele não seja tão “divisor de águas” para você. Acontece que esse livro caiu como uma luva para o momento que eu estava passando e eu posso sim dizer que ele mudou a minha vida. Eu acabei indicando ele para várias pessoas – todas passando por situações semelhantes a minha – e todas falaram que o livro é ótimo, que faz repensar muitas coisas. Você deve então estar se perguntando se ele não é um livro de auto-ajuda velado, mas eu acredito que não. Eu não gosto de livros de auto-ajuda, nem livros que fingem que não são, mais no fundo são (recentemente falei do Homens, dinheiro e chocolate que foi assim). Eu acho que nesse livro a Isabela é sincera sobre todas as coisas que passou e oferece dicas e conselhos ao mostrar como ela superou seus problemas. Não têm nada de: siga esses passos e seja feliz. Ela conta a história dela, como as coisas deram errado, o que ela sentiu, como ela errou, como ela se envergonhou, e o processo que a levou a perceber onde errava e o que precisava fazer para mudar isso.
Isabela fala dos caras cafajestes como quem se envolveu, dos caras problemáticos, das mentiras, das traições. Eu acho que não tem uma mulher que não se identifique um pouco que seja com esse livro, mas eu particularmente acho que ela andou me espionando para escrever essa história! Sabe aquele relacionamento que você insiste por hábito, por comodidade? Ou aquele cara sem vergonha que jura que te ama, mas que pula a cerca e você toma como um projeto pessoal e jura que vai mudá-lo para melhor? Aquele cara que te trata mal e você para e pensa: imagina se o meu pai visse a menininha dele nessa situação? Ou então aquele cara que te trata um dia como uma princesa e no outro nem lembra que você existe? Isabela narra em seu livro situações como essas e diversas outras, com as quais nos identificamos, que nós fazem rir, refletir, outras pelas quais nunca queremos passar.
Mas não é só de relacionamentos amorosos que ela fala no livro, ela fala de problemas com a família, de amizades verdadeiras, de rasteiras que a vida nos passa, de problemas na faculdade, traumas de infância, problemas de auto-estima. O melhor de tudo é que no decorrer da leitura ela vai falando de como abandonou algumas coisas, como superou outros problemas, e vai mostrando como conseguiu consertar tudo e como você pode fazer o mesmo que ela. Ela fala coisas extremamente óbvias, que todo mundo sabe, mas que nem sempre colocamos em prática. Sobre abandonar relacionamentos que nos fazem mal, que confiança depois de quebrada não volta, aprender a valorizar amigos ao invés de namorados, aprender a desapegar (e você precisa ler para entender o conceito dela sobre essa palavra) e o mais importante, aprender a se amar. Eu acho que ela está absolutamente certa, pois quando você se ama plenamente, acima da outra pessoa, você não comete esses erros colossais em relacionamentos dos quais tanto nos arrependemos depois.
Eu fecho essa postagem dizendo o quanto estou admirada com o trabalho dessa escritora brasileira, achei a parte estética e o conteúdo de seu trabalho sensacional e não tenho nenhuma crítica negativa a fazer. O livro acaba de uma forma que eu espero sinceramente que tenha continuação, mas não li nada confirmando que a autora lançará um segundo livro.

Volume único.

6 de setembro de 2014

Como treinar o seu dragão

[bom]

Eu recomendo: Como treinar o seu dragão
Autora: Cressida Cowell
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Soluço Spantosicus Strondus III é um garoto normal, nem um pouco heroico, na verdade é um tanto quanto medroso e desastrado. Seu pai é o líder da tribo do qual faz parte e ele como futuro líder precisa estar a altura de seu pai. Todos os jovens da tribo para serem considerados adultos passam por um ritual de captura e treinamento do seu próprio dragão. Soluço deveria ter um dragão espetacular, mas tudo o que ele consegue capturar é um dragão pequeno, banguela e preguiçoso. Ele precisa treinar o seu dragão e desenvolver algum controle sobre ele (tarefa na qual ele não tem obtido sucesso) para não correr o risco de fracassar na sua prova e ser expulso da tribo. Como se a situação já não fosse alarmante um antigo dragão gigante acorda e vai parar na ilha onde eles vivem ameaçando a vida de todos, sobrando para Soluço achar uma solução.

Meu cantinho:
Eu comprei Como treinar o seu dragão porque eu amo os filmes baseado na série. Lembro que eu já havia dado uma olhada nesse primeiro livro a um tempo atrás e sabia que o enredo seria diferente do filme, só não esperava que fosse tanto! Se vocês me perguntarem o que eles têm em comum eu iria dizer que temos os nomes, já que nossos personagens são o Soluço e o Banguela e algumas poucas características que tanto Soluço quanto seu pai mantém. Basicamente Soluço é aquele menino desajustado, que não atende as expectativas do pai, que sabe que é diferente (o típico herói não compreendido). Seu pai é realmente o líder da tribo, um homem forte, truculento, que deseja que seu filho siga seus passos e atenda as suas expectativas. Fora esses detalhes que eu falei não há mais nenhuma semelhança, portanto esqueça os filmes que estamos entrando em uma história completamente diferente.
Soluço vive em uma ilha onde todos precisam ter o seu dragão e precisam treiná-lo. Eles passam por uma iniciação onde eles precisam primeiro capturar seu próprio filhote de dragão em uma caverna onde milhares de dragão hibernam (e não podem correr o risco de acordá-los), depois eles precisam treiná-los e participar de uma demonstração na frente de sua tribo e da tribo vizinha, mostrando que são capazes. Caso falhem nesse teste eles serão expulsos da tribo. Todos sabem que ele é um menino comum, magrela, fascinado por dragões, mas também muito medroso. Seu pai espera que ele consiga um grande dragão, forte, incomum. Contudo, o que ele consegue no dia da captura é um dragão pequeno e banguela, que Soluço não consegue treinar de jeito nenhum.
Ele tenta várias táticas até conseguir fazer o seu dragão agir do modo que ele quer, mas ele ainda é muito arrogante, e no Festival do Dia de Thor, quando todos devem apresentar seus dragões, ele faz uma bagunça enorme que resulta na expulsão de todos os jovens. Esse seria um problema enorme se no dia seguinte o maior dragão de todos os tempos não tivesse aparecido na ilha e começasdo a ameaçar todos. Depois de várias tentativas fracassadas dos guerreiros da tribo resta a Soluço, o único Viking que sabe falar dragonês, bolar um plano para salvar a todos e assim começar sua vida como um herói como seu avô previu.
O livro é narrado por Soluço Spantosicus Strondus III, temos o livro todo sobre seu ponto de vista assim como ilustrações que ele mesmo fez, de si, dos dragões, de outros membros da sua tribo. Os desenhos são todos preto e branco e infantis, como se uma criança (com poucas habilidades de desenho) o tivessem feito. Uma coisa que me incomodou na diagramação desse livro é que o texto na é justificado, ele é totalmente alinhado a esquerda, creio que para combinar com o “ar informal e infantil” do livro, mas ainda assim me desagradou. É um livro leve, rápido, engraçado e infantil, não espere nada muito elaborado. Contudo, é uma leitura muito gostosa para quem quer se divertir e relaxar.

Continuação:
O próximo volume da série é Como ser um pirata. Em breve aqui.

16 de julho de 2014

Réquiem

[muito bom]

Eu recomendo: Réquiem 
Autora: Lauren Oliver
Editora: Galera

Série Delírio:
Réquiem é o volume final dessa série, se você não leu Delírio e Pandemônio o texto a seguir pode conter spoilers.

Sinopse:
Lena está na selva com Alex, Julian e alguns outros sobreviventes. Eles estão tentando se reorganizar, reunir forçar, voltar ao movimento e contra atacar, pois não adianta mais se esconder, não agora que ataques de reguladores estão acontecendo a grupos de resistência na selva. Hana está de casamento marcado e seu noivo é o novo prefeito com políticas muito rígidas visando exterminar qualquer resistência. O mundo das duas irá colidir, a luta pela liberdade daqueles na selva, a vida organizada e previsível da cidade sem deliria nervosa.

Meu cantinho:
Eu amei essa série, eu nunca fiquei tão dividia com um casal. No primeiro livro eu me apaixonei totalmente por Alex, no segundo eu me apaixonei novamente por Julian. O segundo livro acaba de um jeito que deixa o leitor louco, desesperado para saber o que segue, assim que soube que ele seria lançado fui logo comprar.
Esse terceiro volume intercala capítulos entre Lena e Hana. Lena está agora com Alex, Julian além de outros sobreviventes, buscando abrigo, fugindo dos ataques de reguladores que começaram a invadir a selva. A relação entre Lena e Julian não é a mesma com a presença de Alex. Alex trata Lena com distanciamento, não fala diretamente e se recusa a olha para ela. Hana vai casar com o novo prefeito, mas ela passa a achar que sua intervenção não foi totalmente bem sucedida, e também começa a perceber que seu noivo não é quem aparenta ser. Ela vai se casar com Fred, que é sempre sorriso, mas que se mostra muito rígido em relação aos inválidos, aos revolucionários. Ela também começa a perceber que ele esconde coisas a respeito de seu passado, seu antigo casamento e esconde de todos seu sadismo e direciona tudo a sua nova noiva.
Acontecem muitas coisas no livro, mas ao mesmo tempo as situações pareciam progredir de forma lenta. Lena não conseguia conciliar seus sentimentos por Julian e Alex, além disso eles estão perdidos, sem saber qual caminho seguir para fazer algo efetivo pela revolução. Hana já passou pela intervenção mas acredita que ela não funcionou efetivamente, além disso ela passa a ter uma responsabilidade enorme agora que casará com o novo prefeito, mas percebe que ele não é uma pessoa boa. Achei que os capítulos de Hana seriam monótonos, mas me enganei, os pensamentos dela são muito interessantes, essa dúvida diante do noivado além de revelações sobre as ações de Hana no passado. Eu estava com muita pena de Hana, pela intervenção, pelo terrível casamento que teria que enfrentar, mas quando ela revela o que fez e suas motivações eu confesso que deixei um pouco a compaixão de lado.
Eu estava totalmente dividida na questão do romance... Alex foi o primeiro, foi o motivo de tudo, mas Julian tem um jeito doce que me agradou muito. Alex volta machucado, tanto fisicamente quanto emocionalmente, afinal ele volta esperando encontrar sua Lena e ela já está com outro. Julian entende que a situação é delicada, oferece todo o espaço e apoio para Lena, mas ainda assim não consegue esconder por completo a sua dor. Contudo conforme o livro vai se desenvolvendo você é capaz de perceber de forma ampla os sentimentos dos personagens e entender quem Lena deveria escolher.
Muitas pessoas não gostaram desse livro, acharam que a autora deixa as coisas muito mal resolvidas. Eu concordo que ela não fecha o livro de forma redonda, ela deixa o final subentendido e que a imaginação do leitor fantasie como será o resto. Eu queria que a autora tivesse dado outras explicações, como as coisas chegaram a esse ponto, como cada coisa e cada pessoa ficariam, mas meu desejo não foi atendido. Apesar de tudo, não foi um livro ruim, o desfecho ao mesmo tempo em que foi esperado me surpreendeu, acho que a escrita foi diferente dos demais livros, mas não totalmente insatisfatória.

Volume final.

19 de junho de 2014

A Caçada

[ótimo]

Eu recomendo: A Caçada
Autor: Adrew Fukuda
Editora: Galera

Sinopse:
Gene tenta sobreviver nesse mundo dominado por vampiros. Ele não pode cometer nenhum deslize e ser percebido. Ele precisa eliminar qualquer odor do seu corpo, não pode tomar sol, não pode ter uma única unha lascada. Ele precisa polir suas presas falsas, não pode sorrir, bocejar ou demonstrar qualquer emoção. Gene é um ser humano, conhecido pelos vampiros como epers, e depois da morte de seu pai ele acredita ser um dos últimos do mundo. Ele faz de tudo para não chamar a atenção, o que ele não esperava era que os olhos de todos os vampiros recairiam sobre ele ao ser sorteada para a caçada. O soberano tem perdido popularidade e decide promover um evento de caça a epers que estavam sendo criados pelo governo. Gene se vê preso em uma mansão sem acesso a banho, gilete ou qualquer ferramenta para manter sua falsa aparência e logo a caçada deve começar e todos vão perceber que ele não tem força, agilidade nem capacidade de matar um epers e comê-lo.

Meu cantinho:
Eu li a sinopse desse livro em um blog a um tempo atrás e ele foi direto para minha lista de desejados. Então tive a chance de comprá-lo como mostrei na minha caixinha de correio aqui, mas não comecei a ler assim que tive a chance (até porque minhas compras só tem se acumulado). Então quando acabei a leitura de Aquele Verão, um livro sem graça, pensei que precisa de algo mais impactante e pensei que A caçada seria a escolha certa, e de fato foi. Em poucas horas devorei esse livro e terminei a leitura surtando para ter a continuação em mãos.
O mundo é dominado por vampiros e os seres humanos, chamados por esses de epers, são considerados extintos, mas escondido entre eles temos Gene. O interessante é o modo como o autor constrói esse mundo, na verdade ele não usa o termo vampiros, porque esses se veem como pessoas, eles são a maioria, o poder dominante. Vampiros são como os chamamos pelas lendas que conhecemos dos vampiros – a fraqueza diante da luz do sol, as presas e a fome de sangue. Eles acreditam que os epers são uma forma de vida atrasada, que mal consegue compreender as coisas, se comunicar, que são apenas animais, apenas comida. Contudo, disfarçado no meio dos vampiros temos Gene, um garoto que aprendeu com o seu pai como sobreviver. Raspar sempre todos os pelos do corpo, tomar banhos constantes buscando evitar emitir qualquer odor, limpar as presas faltas para que estejam sempre brancas, não chamar atenção, não demonstrar emoção, não bocejar, tossir, espirrar, assobiar, dormir, ou relaxar o corpo de qualquer forma. Apesar dos avisos do pai, esse mesmo foi descuidado, apareceu mordido pedindo que o filho tomasse cuidado e foi para longe antes que atraísse mais atenção e fosse tarde demais. Hoje Gene vive sozinho e tenta se disfarçar da melhor forma possível e não cometer erros. Ele é extremamente inteligente, mas tenta não chamar atenção para esse fato, é irônico como Gene não só está sobrevivendo entre eles, enganando-os, mas como é reconhecido por sua inteligência (e eles achando que humanos não tem um intelecto desenvolvido). Algumas vezes ele chega a responder as perguntas erradas na sala, para que possa passar despercebido, mas perde sua chance quando recebe um dos números sorteados para a caçada.
Muitos acreditavam que não existia mais epers no mundo, pois assim que qualquer um desses é descoberto ele é rapidamente morto por vampiros sedentos. Muitos desejam provar sua carne e seu sangue, mas sabem que jamais terão a chance. Apenas o cheiro de um humano pode levar um deles a insanidade. Ultimamente o soberano tem perdido popularidade e decide fazer uma caçada e todos ficam loucos com a possibilidade de participar. Cada vampiro recebe um número e a chance de concorrer no sorteio, e para sua infelicidade Gene é escolhido.
Rapidamente ele é levado para um instituto do governo e para seu desespero ele não tem chance de pegar nenhuma das coisas que é essencial a ele, produtos para se limpar, barbear, lixar as unhas, polir as presas. Ele entra em pânico pensando que logo seu cheiro irá denunciá-lo e ele será morto. A tensão é incrível, ver como ele tem que lidar com cada situação estranha, como as coisas vão fugindo do controle, a dificuldade até mesmo para encontrar comida e bebida. Gene também acaba entrando em contato com os humanos que serão usados na caçada e eu acabei me afeiçoando a vários deles e fiquei torcendo para que Gene os alertasse do perigo. Na verdade Gene já havia esquecido seu nome a muito tempo, até esse momento o leitor não sabia como ele se chamava. Ele só o relembra ao conversar com esses humanos já que sempre era chamado por uma designação, geralmente referente a cadeira na qual senta em sala de aula.
Tem muita coisa sobre a preparação para a caçada que eu gostaria de revelar, mas que não posso para não dar spoilers. Confesso que amei o final e terminei louca querendo ler o próximo. Fiquei me perguntando se existem mais humanos infiltrados, se algumas pessoas que dizem ser amigas na verdade são inimigas e o que irá implicar a descoberta que Gene fez sobre seu pai.

Continuação: 
O próximo livro da trilogia Hunt é The Prey, talvez seja lançado ainda esse ano no Brasil.

6 de junho de 2014

Na ilha

[ótimo]

Eu recomendo: Na Ilha
Autora: Tracey Garvis Graves
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Anna Emerson é uma professora de 30 anos, com um relacionamento frustrado, que a leva a aceitar uma proposta de emprego longe de casa, em uma ilha tropical. Ela irá ensinar T.J. que tem 16 anos, e precisa de aulas para acompanhar os estudos depois de ter ficado afastado por conta de um câncer. Ao embarcar para a casa de veraneio da família, enquanto sobrevoam algumas das milhares de ilhas das Maldivas, o piloto tem um ataque do coração e o avião cai no meio do mar. Anna leva uma pancada e é salva por T.J., após algumas horas no mar ambos são arrastados para um ilha. Os recursos são parcos e a esperança de um resgate diminuiu conforme os dias se transformam em semanas, meses e anos. Além das dificuldades da ilha em se obter água, comida, ter que enfrentar mosquitos, tubarões, sol, entre outros elementos da natureza ainda temos o fator humano: T.J. começa a se transforma em um homem e se interessar por Anna. Sozinhos em uma ilha a aproximação é inevitável, mas sempre há o medo do que acontecerá se eles um dia voltarem.

Meu cantinho:
Quando eu li a sinopse eu sabia que precisava ler esse livro, sabia que ele seria bom, e de fato foi uma leitura única e encantadora. Contudo, demorei muito tempo para escrever a resenha dele aqui, pois não sabia como falar desse livro sem revelar tudo o que tem de encantador nele e acabar contanto o livro todo.
Anna já é uma mulher mais velha, professora, que vê a sua vida estagnada. Ela tem um namorado, mas se sente muito frustrada porque ele não quer progredir no relacionamento. Ela deseja muito se casar, mas principalmente, tem um desejo enorme de ser mãe um dia, assunto que ele sempre procura evitar. Ela quer tomar um tempo de tudo e colocar a cabeça em ordem por isso acaba aceitando a proposta de emprego que a levará para longe de casa, e para sua sorte, para uma ilha tropical. Ela foi contrata por uma família muito rica, que deseja que ela ensine seu filho T.J. de 16 anos. Ele está atrasado nos estudos após ficar afastado em tratamento para um câncer, agora que ele teve uma remissão ele quer passar o tempo com seus amigos, aproveitar a vida, se divertir. Contudo, seus pais que ficaram com medo diante da sua doença querem seu filho por perto, eles pedem que ele vá a essa viagem para ficar com a família e estudar, já que depois, com o começo das aulas, terá tempo para sair com os amigos e se divertir. Ele acaba aceitando, e Anna é um dos motivos, ele acha a professora linda e se vê atraído por ela, mas sabe que é apenas um menino, ela uma mulher, e que a diferença de idade e posição impossibilitaria qualquer relacionamento. Mesmo assim ele tenta se aproximar dela, e inventa uma desculpa para pegar um voo diferente do da família para ir no mesmo voo que Anna.
O inesperado acontece quando o piloto começa a passar mal e tem um ataque do coração, o avião caí, Anna fica inconsciente, sangra durante muito tempo e apenas não afunda por conta de T.J. que vela por ela enquanto está desacordada. No dia seguinte eles se veem em uma das muitas das ilhas da região, completamente deserta. Eles tentam reunir o que chega a praia, tentam montar uma fogueira, buscar água e alimentos enquanto esperam por um resgate. Acontece que o resgate nunca vem, os dias se tornam meses e depois anos. Você pode achar que ficar em uma ilha seria tedioso, que após um tempo se criaria um hábito, mas muito pelo contrário, a autora sempre traz reviravoltas e surpreende o leitor. Ao mesmo tempo achei muito real o período que eles passaram na ilha, as dificuldades, a escassez, os perigos, as adversidades, a força da natureza, as limitações, as doenças, a fome, o medo e também os laços de convivência que vão se estreitando entre os dois. T.J. deixa de ter 16 anos, ele se torna legalmente maior de idade, um homem que deseja uma mulher. Anna tem consciência do homem que ele se tornou, mas sabe que em outra situação jamais se envolveria com ele e tem medo das repercussões que um envolvimento com ele teria caso um dia fossem resgatados. 
Eu sinceramente achava que eles morreriam naquela ilha, mas para minha surpresa eles acabam sendo encontrados pelo motivo mais inusitado que eu poderia imaginar. Quando finalmente voltam para a convivência em sociedade se veem em uma situação constrangedora, acusações sobre o envolvimento dos dois e Anna fica particularmente insegura. Além de saber que seu tempo está passando, que seu desejo por ter um filho continua, ela sabe que não pode exigir isso de T.J., um rapaz tão novo. Também acha que ele está preso a ela por hábito e pela convivência e que ele precisa viver outras experiências, conhecer outras pessoas. 
Tanto o período na ilha quanto o período posterior me prenderam totalmente. A autora escreveu um livro maravilhoso que conquista o leitor a cada capítulo, quando você acha que ela não pode lhe surpreender mais ela surge com uma ideia totalmente nova e encantadora. Um livro leve, cativante e muito bem escrito que recomendo a todos.
Para finalizar gostaria de dizer que classifiquei esse livro como volume único, mas gostaria de avisar que a escritora escreveu um conto, de aproximadamente 100 páginas para falar sobre a história de um esqueleto que eles encontraram na ilha, e TJ e Anna fazem uma breve aparição, por isso não considero exatamente uma continuação. O título do conto é Uncharted e parece que ele já foi traduzido por alguns fãs e está disponível em e-book na internet.

Volume único.

28 de maio de 2014

Claros sinais de loucura

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[ótimo]

Eu recomendo: Claros sinais de Loucura
Autora: Karen Harringthon
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Sarah tem onze anos e sempre muda de cidade quando alguém descobre sobre seu passado. Quando tinha dois anos, sua mãe decidiu matá-la junto com seu irmão gêmeo e afogou os dois. Quando o carteiro tocou a campainha ela pediu que ele chamasse a emergência e apenas Sarah pôde ser salva. Sua mãe hoje vive em um hospital psiquiátrico e seu pai é um alcoólatra, e sempre que algum novo caso surge semelhante ao da sua mãe, a mídia revive o caso, e ela e seu pai se vêem obrigados a fugir dos olhares e críticas. Ela acha que está ficando louca, sua melhor amiga é uma planta e ela conversa sempre em sua mente com o irmão morto, mas não tem certeza que é louca e não pode perguntar a ninguém, sem contar que “louca” é uma palavra-problema para se usar perto do pai. O que ela não sabe é que seu verão não será tão ruim quanto pensa e que pequenas ações começam a fazer seu mundo mudar.


Meu cantinho:
Eu comprei esse livro por dois motivos: o primeiro foi a curiosidade em relação ao nome, o segundo foi a comparação constante que vi em redes sociais, desse livro com Extraordinário. Após a leitura finalizada posso dizer que esses livros têm pouco em comum, mais o fato de ter como narrador uma criança, que enfrenta problemas e não gosta da atenção que chama, mas cada um tem problemas muito distintos um do outro, por isso não achei a comparação tão pertinente. Se fosse fazer uma comparação, acho que ele é muito mais parecido em alguns aspectos com Perdão, Leonard Peacock. Pessoas jovens que enfrentam problemas graves, dificuldade de se relacionar, que encontram a escrita de cartas como uma escapatória, uma forma de alívio diante de seus problemas, e na figura do professor alguém que possa lhe ajudar.
Assim que li o primeiro capítulo sabia que gostaria desse livro e que a leitura, apesar de ter uma criança de onze anos como narradora, que muitas vezes pode abordar situações ou ter pensamentos infantis, e que ao trazer o texto a partir do seu ponto de vista constrói uma leitura leve, ele ainda assim abordaria questões muito pesadas, diante de todas as coisas que Sarah viveu, e que ainda vive.
Sarah vive com o pai, mudando constantemente de cidade toda vez que descobrem quem é a mãe dela. Seu pai muda sempre para cidades pequenas, mas nunca saí do Texas e ela acredita que é porque é onde seu irmão está enterrado. Ela tem que fazer muitas coisas para ajudar em casa apesar de ser apenas uma criança, ela tem que esconder seu passado, aprender a mentir, cuidar do pai que está sempre bebendo, se vê privada de diversas coisas, não tem uma ajuda feminina para problemas que vão aparecendo com a idade, quase não tem amigos, ela conversa com o irmão morto e a única amiga constante em sua vida, com quem pode desabafar tudo é uma planta – o que ela enxerga como um claro sinal de que vai ficar louca como a mãe.
Sarah está começando suas férias de verão. Seu pai finalmente vai deixar que ela passe as férias na cidade, aos cuidados da vizinha adolescente, ao invés de precisar passá-lo com os avós. Ela vai fazer coisas de meninas, vai ler, vai se apaixonar, vai conhecer outra vizinha e vai  fazer coisas inusitadas que a fazem creer que é louca. Parece bobo falando desse modo, mas o livro é muito bom, ver como sua mente funciona, como ela relata os acontecimentos, é uma leitura cativante. Ela acha que esse será um verão maravilhoso até que uma mãe mata seu filho o e caso de sua própria mãe começa a ser relembrado por jornalistas. Ela acaba tendo que fugir para a casa dos avós, o pai bebe cada vez mais e ela decide finalmente enfrentá-lo, ela se abre com a avó sobre as coisas que não pode conversar com o pai e decide encarar de frente sua mãe. O final desse livro é esplêndido, realista, doloroso e tocante.
Creio que eu não fui capaz de escrever na resenha o quanto esse livro é interessante. É apenas um simples verão, mas Sarah não é uma menina comum, com um passado comum, e ela acredita que pode não ter um futuro comum, porque pode herdar a loucura da mãe. Suas reflexões, ações e o modo de ver o mundo são interessantíssimos, um livro singular. Recomendo.

Volume único.

19 de maio de 2014

A estrela que nunca vai se apagar

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[bom]

Eu recomendo: A estrela que nunca vai se apagar
Autores: Esther Earl com Lori e Wayne Earl
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Esther ficou famosa ao servir de inspiração para John Green, que escreveu o Best seller A Culpa é das Estrelas. Nesse livro temos uma introdução de John Green, relatos dos pais de Esther, cartas e páginas do diário que ela mantinha, depoimento de amigos, médicos e familiares, transcrições dos vídeos que Esther postava em seu canal pessoal assim como transcrições de conversas que ela tinha com seus amigos virtuais. O livro é repleto de fotos, desenhos e nos conta a história de Esther, uma menina comum, de uma família pobre, que começa a sofrer com dificuldade de respirar, faz alguns exames e descobre que possui câncer. Mesmo com a doença ela consegue tocar o coração de várias pessoas e fazer a diferença.

Meu cantinho:
Assim que o livro chegou fui surpreendida pela sua grossura, não esperava que o livro fosse tão grande. Eu fiquei desapontada pelo formato, porque esse é um daqueles livros que não é do grande ou do pequeno, ele fica em um meio termo e não tenho onde encaixá-lo na estante (pura questão de estética de gente neurótica, eu sei). Mas gostei muito da formatação de dentro, ele é um livro muito colorido e você passa a diferenciar cada passagem conforme a cor, as partes que Esther escreve geralmente são brancas, os relatos de amigos e familiares vem no verde com estrelas brancas ao fundo, relatos retirados do site que a família ou Esther postavam para aqueles que queriam acompanhar seu tratamento estão em laranja, e assim vai. O livro também tem muitas fotos, mas quase todas em uma resolução ruim (assim como a da capa), mas acredito que foram usadas por serem as únicas disponíveis.
Eu confesso que fiquei um pouco desapontada com o livro, foi diferente do que eu imaginava, mas ainda assim chorei muito, mais do que lendo A culpa é das estrelas. Logo na introdução escrita por John Green já comecei com a choradeira, ele falando como a conheceu, como a amizade deles se desenvolveu, como descobriu sobre a doença dela, sua morte, a dor de lidar com essa situação, sobre A culpa é das estrelas e como a pessoa que ele mais queira que lesse seu livro nunca poderá fazê-lo. Eu perdi meu pai para o câncer, então ver alguém com sentimentos semelhantes, a frustração, a perda, a dor, falar sobre momentos que não serão possíveis de ser vivenciado ao lado dessa pessoa, simplesmente me desarma, me toca, me faz chorar feito um bebê. Depois da introdução do John Green vem um relato sobre os pais de Lori sobre Esther Grace desde seu nascimento até a descoberta da doença. Ela foi uma criança muito fofa, que adorava os irmãos, animais, desenhar e escrever. Achei super fofa uma passagem no qual os pais relatavam que ela estava passando filtro solar em seu irmão mais novo Graham, e acaba caindo nos olhos dele. Ele começa a se desesperar e ela passa filtro nos próprios olhos para provar que não dói tanto assim até que os dois começam a chorar e vão buscar ajuda. Depois desse breve relato temos finalmente contato com a escrita de Esther, em sua maioria ela vem através de cartas ou páginas do diário que ela mantinha. Contudo, o que eu mais esperava, que eram os relatos dela, foram minha maior decepção. Ela escreve de modo vago, superficial, sobre coisas muitas vezes sem importância, ela faz lista de coisas que ela gosta, as vezes fala dos remédios, do sono, de Harry Potter, de Doctor Who, sobre como ama os pais, os irmãos e agradece constantemente a Deus. Ela faz sempre desenhos ao redor da sua escrita e muitos são copiados ao lado da tradução. As vezes há uma página da cópia do texto original em inglês e através da letra foi possível perceber um certo “declínio” na força dela, já que a letra a princípio extremamente legível se tornam rabiscos de difícil compreensão. O livro vai sendo intercalado entre textos escritos por Esther, texto postados no site onde seus pais ou ela escreviam sobre seu estado de saúde para aqueles interessados, transcrição dos vídeos dela no youtube (que eu sinceramente achei totalmente sem conteúdo), relatos de amigos, médicos e familiares, e transcrições de conversas do Catitude do qual Esther fazia parte. Acho que essas transcrições eram a pior parte do livro e foram usadas apenas para fazer volume. Esther tinha esse grupo de amigos no mundo online, que a princípio nem sequer sabiam da sua doença e ela gostava de manter assim. Era um grupo de amigos apaixonado por Harry Potter, todos nerdfighters, fãs de John Green. O livro coloca trechos das conversas dele que muitas vezes nem sequer fazem sentido, citam coisas fora do contexto para o leitor, totalmente desnecessário.
O que eu achei muito interessante sobre a vida de Esther foi a ajuda que ela acabou dando ao Harry Potter Alliance. Eu não conhecia o grupo, que me foi apresentado no livro, mas eles são como uma Armada Dumbledore do mundo real, que buscam fazer o bem. Eles estavam concorrendo a um prêmio em dinheiro para poder ajudar suas causas e estavam em terceiro lugar, Esther acabou falando disso com John Green que postou no seu vlog sobre a instituição e como ele queria apoio para ganhar essa causa com Esther. Achei muito fofo da parte do John Green, principalmente porque é recorrente na escrita de Esther como ela se queixa de querer fazer algo para ajudar os outros, mas está limitada por sua doença. Achei que ela ficaria extremamente feliz – o que ela ficou, mas em textos futuros ela achava que não tinha feito muito e ainda se sentia decepcionada, o que me entristeceu.
Quando é relatada a morte de Esther, já perto do final do livro, eu fiquei mal. Quando começaram os relatos daqueles que a conheciam, quando li o discurso fúnebre do pai dela eu comecei a encharcar meu livro de lágrimas. Talvez vocês pensem que eu sou insensível por me comover mais com os relatos daqueles que estavam ao seu lado do que com os relatos de Esther. Acontece que não só ela é superficial na sua escrita, e não se detalha na sua doença como os outros envolvidos, como eu consigo me identificar muito mais com aqueles que a cercam do que com ela. Como disse, vivi uma experiência parecida e ler o que eles viveram é reviver um pouco do que eu vivi, e eu não vivi o lado dela, mas o deles.
No geral é uma leitura válida, principalmente para aqueles que querem conhecer a pessoa que inspirou John Green a escrever aquele livro espetacular. Contudo, recomendo cautela, não é livro que nos prende tanto, principalmente pelas partes enfadonhas (transcrições de vídeos, conversas em chats), mas que ainda assim é capaz de emocionar o leitor.

Volume único. 

16 de maio de 2014

Silo

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[ótimo]

Eu recomendo: Silo
Autor: Hugh Howey
Editora: Intrínseca

Sinopse:
O mundo como conhecemos não existe mais. Os únicos sobreviventes da raça humana vivem no Silo, uma estrutura de mais de cem andares construídas dentro da terra. Cada andar é responsável por uma função, maternidade, plantio, água, mecânica, entre outros. Há algumas regras muito rígidas para que essa estrutura funcione e quem desobedece tais regras é mandado para o lado de fora, onde o ar é contaminado e as chances de sobrevivências nulas. O xerife Holston é uma das autoridades do Silo, quando ele afirma que quer sair uma grande comoção se espalha, pois há três anos sua mulher também foi mandada para o lado de fora por dizer a mesma coisa. Teria ele descoberto algo? Após sua morte uma pessoa improvável é escolhida pela prefeita para ser a nova xerife, Juliette, da mecânica, que vive nos andares mais profundos do Silo. Quando ela assume terá que lidar com uma série de assassinatos e uma conspiração descobrindo que esse lugar guarda terríveis segredos.

Meu cantinho:
Eu achei a capa desse livro pouco atraente, as cores escuras e manchadas no fundo dificultam ler o que está escrito na capa, e após o termino da leitura não achei ela muito conectada a história. No decorrer da leitura percebi um ou dois errinhos de revisão, isso me surpreendeu porque não é algo que costuma acontecer com os livros da Intrínseca – mas nada que prejudique a leitura.
Quem está acompanhando minhas caixinhas de correio sabe que eu comprei muita coisa boa esses últimos tempos, e dentre todos os livro decidi dar uma prioridade a Silo por conta das resenhas que havia lido, relatando um mundo pós-apocalíptico onde os sobrevivente vivem em estruturas debaixo da terra.
O começo da leitura foi um pouco difícil, os mistérios por de trás do Silo, o que aconteceu, não são explicados. Na verdade, sobre o passado, pouca coisa é revelada nesse livro, apenas breves sugestões são feitas já no final da leitura. Quando o livro acaba, há um trecho do próximo livro da série e pelo o que li, é nele que os mistérios serão finalmente revelados a leitor. O livro começa com Holston, o xerife do Silo divagando, ele passeando pelos andares, vendo as pessoas, relembrando coisas do passado. Eu achei um pouco enfadonha essa divagação do personagem, e isso infelizmente se repete mais a frente com outros personagens que vão ganhando destaque no enredo. Holston entra em uma cela, chama o delegado e amigo e diz que quer sair. Começa toda uma comoção e então o leitor começa a encaixar as peças. É proibido no Silo falar que se deseja sair, o ambiente lá fora é tóxico e impróprio para a vida humana, e sempre que uma pessoa saí ela faz a limpeza, que seria limpar os vidros pelo qual as pessoas de dentro conseguem visualizar o mundo de fora. Apesar de muitos se negarem, jurarem que não fazer eles sempre fazem a limpeza e seguem em direção a um morro onde caem mortos. Holston já queria sair a muito tempo, há três anos, quando sua própria mulher disse essas palavras proibidas e foi mandada para a limpeza. Ele não sabia o que havia lhe motivado, apenas que ela estava pesquisando alguns documentos secretos, sendo que boa parte havia sido danificada. Entre algumas suspeitas, a dor da perda e o desejo de entender sua mulher ele faz a limpeza e morre do lado de fora. Nesse processo o leitor acha que já solucionou todos os mistérios do livro, e que agora cabem aos personagens também descobrirem o que aconteceu. Grande erro, esse começo do que nos é apresentado não representa nem metade dos segredos que o Silo guarda.
A prefeita então decide, com a ajuda do delegado escolher um novo xerife. O delegado sugere uma mulher, Juliette, que trabalha na parte de mecânica, nos andares mais profundos do Silo (minha enorme surpresa quando descobri que é uma estrutura com mais de cem andares) e que é extremamente perceptiva e que ajudou Holston a solucionar um antigo caso envolvendo um dos seus colegas. Acontece que essa indicação acaba irritando o chefe da TI, um dos órgãos principais para o funcionamento do Silo. Depois desse episódio acontece uma série de mortes e assassinatos e Jules se vê nesse novo cargo, sem saber em quem confiar e como proceder.
O funcionamento do Silo em si já e fantástico, a divisão de tarefa por andar, o funcionamento das máquinas, a reciclagem de água, as plantações, o sorteio para quem poderá ter filhos sempre que alguém morre, como cada um aprende uma função ao se tornar uma sombra. Tudo é fantástico. Então começam esses mistérios. Jules quer investigar o caso de Holston, apesar dele ter sido dado como encerrado, ela quer saber o que a mulher descobriu e o que ele deve ter descoberto para seguir o mesmo caminho que ela. O que leva todos a fazer a limpeza mesmo quando muitos ao serem condenados por algum crime, e assim exilados do Silo, juram que não irão fazer mas fazem. Ao lado disso, ela começa a investigar um assassinato, sabendo que há poucas chances de conseguir provas contra o suspeito. Uma conspiração muito maior começa a surgir, outras pessoas começam a morrer e o leitor começa a perceber que os mistérios são muito maiores. E quando você acha que Juliette chegou a um beco sem saída o escritor te surpreende revelando mais mistérios. Esse livro acabou me lembrando um pouco O Reverso da Medalha por conta da passagem dos personagens. Você começa o livro do ponto de vista de um personagem que morre, então a leitura passa a acompanhar outros dois personagens, depois passa para Juliette, e então começa a acompanhar outras pessoas. Por isso as vezes é meio complicado falar desse livro, porque é um evento que vai desencadeando vários outros.
Eu confesso que achei que não iria gostar quando comecei a ler e me deparei com aquela divagação e descrições um pouco extensa, e apesar disso ter se repetido mais algumas vezes, não me incomodou mais. O autor cria uma tensão, são tantos mistérios, tanta ação que chega em um ponto onde o leitor simplesmente não consegue se desgrudar do livro. Eu estou mais do que ansiosa pelo próximo volume da série.

Continuação:
O próximo livro da trilogia Silo é Shift, procurei mais não achei uma previsão de lançamento no Brasil.