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8 de fevereiro de 2015

O presente do meu grande amor

[ótimo]

Eu recomendo: O presente do meu grande amor
Autores: Holly Black, Ally Carter, Matt De La Peña, Gayle Forman, Jenny Han, David Levithan, Kelly Link, Myra McEntire, Stephanie Perkins, Rainbow Rowell, Laini Taylor, Kiersten White.
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Nesse livro organizo por Stephanie Perkins, temo uma coletânea de doze contos de história de natal. Temos “Meias-Noites” da Rainbow Rowell, “A Dama e a Raposa” de Kelly Link, “Anjos na neve” de Matt De La Peña, “Encontre-me na estrela do norte” de Jenny Han, “É um milagre de Yule, Charlie Brown”, de Stephanie Perkis, “Papai Noel por um dia” de David Levithan, “Krampuslauf” de Holly Black, “O que diabo você fez, Sophie Roth?” de Gayle Forman, “Baldes de cervejas e menino Jesus” de Myra McEntire, “Bem-vindo a Christmas, Califórnia” de Kiersten White, “Estrela de Belém” de Ally Carter, e por fim “A garota que despertou o sonhador” de Laini Taylor.

Meu cantinho:
Eu comecei a ler esse livro no final do ano passado e gostei muito, mas acabei passando outros livros na frente e só retomei a leitura esse ano. Eu gostei muito desse livro, geralmente quando eu leio coletâneas, tem sempre um que se destaca enquanto a maioria deixa a desejar, o que não aconteceu com esse livro. Eu conheço diversos dos escritores que compõem esse livro, já li trabalho deles, ou já ouvi falar coisas positivas. Quem reuniu esse grupo foi muito feliz, pois são todos escritores de qualidade, com trabalhos maravilhosos. A seguir vou falar um pouco de cada um dos trabalhos deles.
Começando com “Meias-Noites” da Rainbow Rowell. Dela eu já li Elanor&Park e Fangirl. Ela é o tipo de autora da qual eu não sei o que esperar, ela sempre me encanta ao mesmo tempo em que confunde gerando sentimentos ambíguos em relação aos personagens. Essa história não foi diferente, eu confesso que gostei muito do conto, dos personagens, ao mesmo tempo em que odeio algumas atitudes deles – mas acho que isso no fim, só os torna mais reais, pois eles parecem mais humanos. Ela começa na meia-noite de 31 de dezembro 2014, nos apresenta Mags que aparentemente está de coração partido por conta de Noel. Depois disso, ela apresenta a meia-noite do mesmo dia de anos anteriores e podemos conhecê-los um pouco mais. Mags e Noel são amigos com personalidade muito diferentes, mas que se dão muito bem juntos. Acontece que Mags parece nutrir sentimentos além da amizade por Noel, mas toda meia-noite de cada ano novo ele escolher entrar beijando outra menina, enquanto ela fica sozinha. Eu não gosto de Noel por não perceber o sentimento de Mags, ou fingir não perceber durante tanto tempo, e não gosto de Mags por não conseguir de fato lutar por quem ela gosta. Ao mesmo tempo adoro a personalidade despojada de Noel e me agrada muito o jeito doce da Mags. Um conto que me causa sentimentos conflitantes, mas do qual eu definitivamente gostei.
Em seguida temos “A Dama e a Raposa” de Kelly Link. Eu não conhecia a autora, mas gostei muito do conto dela, ela mistura mistério e um pouco da magia de natal. Ela nos apresenta Miranda, uma garota que sempre passa o natal com a família Honeywell, por ser afilhada da Elspeth, que vem de família abastada, totalmente diferente da realidade em que vive. Toda noite de natal, quando neva, ela se depara com um jovem rapaz, Fenny, que fica do lado de fora, olhando para dentro da casa. Conforme os anos passam, ela espera ansiosamente seu encontro com ele, torce para que o natal chegue logo e para que haja neve, caso contrário ele não aparece. Miranda vai amadurecendo e envelhecendo, mas Fenny parece parado no tempo. Ela se apaixona por ele e ele parece corresponder, agora ela precisa descobrir o que o levou para fora desse mundo e como fazê-lo ficar além das noites de natal. Eu confesso que o final do conto não foi tudo o que eu esperava, mas o desenrolar do conto foi sim muito interessante.
“Anjos na neve” de Matt De La Peña foi outro conto do qual eu gostei do desenrolar, mas que me decepcionou um pouco quanto ao final, pois passa uma sensação de inacabado. Shy é um rapaz que conseguiu uma vaga na universidade por sua inteligência, mas que passa por dificuldades financeiras para se manter, e morre de medo de decepcionar os pais. Ele aceita cuidar do apartamento do seu chefe e da gata enquanto eles viajam no natal, acontece que uma nevasca o deixa preso dentro do prédio, sem qualquer dinheiro (pois seu chefe não pagou adiantado) e sem qualquer comida, além de alguns potes de iorgute que estão na geladeira. Ele começa a passar fome e a repensar suas escolhas, quando uma das vizinhas de seu chefe, Haley, aparece com problema no encanamento e precisa de um lugar para tomar banho. Haley é desconfiada quanto a integridade de Shy, enquanto ele é orgulhoso para compartilhar seus problemas e pedir ajuda. Juntos eles compartilham as conversas mais estranhas e quando por fim seus problemas são expostos um está pronto para ajudar ao outro.
O conto “Encontre-me na estrela do norte” de Jenny Han foi o mais natalino no sentido mágico. Ela traz a história de Natty, uma menina de descendência oriental que foi abandonada por sua mãe no trenó do Papai Noel, que a adotou como filha. Hoje ela vive no Polo Norte, onde nenhuma garota humana jamais morou, ela vive cercada por duendes e acaba se apaixonando por um deles: Flynn. Ele parece não perceber Natty, e é sempre visto Elinor, uma duende linda, e juntos eles parecem formar um par perfeito. Natty tem que lidar constantemente com os comentários maldosos de Elinor sobre ela não ter um parceiro humano, mas a verdade é que ela já conheceu um rapaz uma vez quando saiu com Papai Noel e inclusive o beijou, mas seus sentimentos pertencem a Flynn. Esse conto foi particularmente curto, e eu fiquei encantada, apesar do final um tanto quanto triste que abriu um rombo no meu peito.
Eu adoro a Sthephanie Perkis, sou louca por Anna e o Beijo Francês, assim como por Lola e o garoto da casa ao lado. Lógico que o conto dela, “É um milagre de Yule, Charlie Brown”, também não fica para trás em qualidade. Foi definitivamente um dos contos que eu mais gostei! Marigold não está vivendo o melhor momento da sua vida, principalmente nessa época festiva, já que depois que seu pai largou sua mãe – porque ele tinha outra família – eles nunca mais comemoraram o Natal. Marigold faz curtas de comédia, e geralmente dubla todos, mas ela está tentando chamar a atenção de um estúdio em Atlanta, e precisa da voz de North. Ele é um dos rapazes da Família Drummond, que vende pinheiros no Natal em um terreno perto do seu apartamento. Quando ela ouve sua voz pela primeira vez, percebe que precisa dele como dublador. Ela tenta se aproximar dele e acaba saindo com uma árvore de natal gigante, que não tem como carregar, e sequer tem espaço no apartamento desorganizado onde vive, mas North a ajuda com a árvore, com o espaço, e alegra o natal de Marigold como a muito tempo não acontecia. É um conto divertido e terno ao mesmo tempo, definitivamente recomendo a leitura dele.
David Levithan é um dos meus autores preferidos, quando eu vi que ele tinha um conto nesse livro eu sabia que eu precisava tê-lo. Acontece que eu acabei me decepcionando um pouco com “Papai Noel por um dia”. O conto dele foi muito triste, muito trágico e muito sombrio. O rapaz se fantasia de Papai Noel para que a irmã do namorado (que não assumiu ele para a família) não se dê conta que o Papai Noel não existe, agora que o pai que fazia esse papel abandonou a família. No meio da noite ele se depara com a outra irmã rancorosa, com a mãe devastada e fica com medo de buscar aquele que ama. Geralmente você espera que um conto de natal seja contentamento, mas eu achei uma história muito pesada e triste.
O conto “Krampuslauf” de Holly Black foi outro mágico e um tanto quanto esquisito. Ele começa com um trio de amigas que vão bolar uma festa para desmascarar o namorado de uma delas que está traindo a garota. Acontece que elas começam a empolgar na festa e querem fazer um super evento e por acaso uma delas convida um garoto fantasiado de Krampus, o companheiro demoníaco do Papai Noel que transforma totalmente a noite - porque na verdade ele não é um garoto e seu corpo não é um fantasia. O conto foi estranho, tem um desenrolar um tanto quanto desconectado, acho que foi um dos que eu menos gostei.
“O que diabo você fez, Sophie Roth?” de Gayle Forman, foi um conto muito fofo que me surpreendeu. Sophie Roth é uma menina que indaga uma vez atrás da outra sobre o que ela está fazendo, porque parece que ela só comete um erro atrás do outro. Por ganhar uma bolsa integral ela acaba indo para uma universidade em uma cidade no meio do nada, onde todos parecem achar que ela é esquisita. Ela acaba ficando presa lá por conta dos preços da passagem e vai perder o Chanucá com sua família, e não tem ninguém para falar sobre isso, pois ali todos sabem apenas o que é o natal. Evitando ficar sozinha ela saí andando pela cidade quando esbarra com Russell. Um cara bacana, que parece entendê-la, não a acha estranha, e apesar de alguns “O que diabo você fez, Sophie Roth?” ela não coloca tudo a perder e recebe um verdadeiro milagre.
“Baldes de cervejas e menino Jesus” de Myra McEntire, foi um conto fofinho, engraçadinho, mas nada excepcional. Nele somos apresentados para Vaughn, um menino que teve problemas na infância e por conta disso acabou virando o típico “garoto problema”. Ele tem uma mente maligna que se amplia e consegue visualizar planos para as mais diversas traquinagens. Acontece que um desses planos tem conseqüências graves, com um pacote de bombinhas ele coloca fogo na igreja e a “opção” que o juizado de menores oferece é trabalho voluntário para a igreja que ele ajudou a queimar. Ele precisa ajudar a organizar todo o cenário da peça de fim de ano, que também foi queimada. Acontece que durante a peça, tudo parece dar errado, e Vaughn tem a chance de usar seu cérebro engenhoso para bolar um plano que ajude a todos, e quem sabe ainda conquistar Gracie, a filha do pastor da igreja, por quem ele está apaixonado.
O conto “Bem-vindo a Christmas, Califórnia” de Kiersten White, foi um conto bonito por falar a respeito de laços familiares, ter um foco no amor de uma família. A mãe de Maria fugiu do pai dela quando ela ainda era pequena, ela se estabeleceu na pequena Christmas e lá se casou com outro homem. Acontece que ela se vê como uma intrusa nessa família e junta todo o dinheiro que pode para fugir daquela cidade. Quando o novo cozinheiro da lanchonete da mãe chega a cidade, ela se vê encantada por um cara com um dom culinário, que sabe exatamente o que cozinhar pra lhe fazer feliz. Através desse dom e das conversas com ele, ela se abre com a mãe e descobre que nem tudo é como ela imaginava ser. Definitivamente um conto belíssimo, não falo mais sobre ele para não revelar spoilers, mas certamente me conquistou!
O conto “Estrela de Belém” de Ally Carter foi uma história bem diferente. Uma menina está fugindo do mundo, e no aeroporto ela se depara com uma garota desesperada, querendo ir para Nova York encontrar o namorado que ela ama, quando sua passagem a leva para o namorado com quem ela não quer estar. Ela gentilmente troca sua passagem com a garota, sem saber aonde irá parar. Ela então se depara com uma família, que mora totalmente isolada, que acha que ela é irlandesa, e com o namorado lindo de outra menina. Ela precisa desesperadamente fugir, mas o sentimento de aconchego e de amor de todas aquelas pessoas faz com que ela resista a ir embora. Achei interessante o final, porque não suspeitava do motivo pela qual ela estava fugindo, o fechamento foi certamente interessante.
Por fim temos “A garota que despertou o sonhador” de Laini Taylor, que foi um dos contos mais absurdos desse livro, o que é bem a cara da autora. Ela nos traz Neve, uma menina órfã, de cabelos rosa, que tem uma única chance de sobreviver: achar alguém que se interesse em casar com ela, caso contrário, quando se tornar maior de idade, certamente morrerá de fome naquela ilha. Acontece que o terrível pastor passa a cortejá-la, um homem ruim, que já desposou diversas mulheres, e todas morreram de forma terrível. Ela então pede forças a uma antiga entidade esquecida, e desperta um ser que está disposto ajudá-la, e que se encanta com sua pureza. Um conto diferente, com um final bem singular.
No geral todos os contos são muito interessantes, uma coletânea maravilhosa que vale a pena adquirir. Certamente recomendo a leitura.

Volume único.

3 de janeiro de 2015

Fangirl

[muito bom]

Eu recomendo: Fangirl
Autora: Rainbow Rowell 
Editora: Novo Século

Sinopse:
Cath e Wren são irmãs gêmeas, idênticas fisicamente, mas com personalidades muito distintas. Enquanto Cath mantém o seu amor pelo seu personagem de livro preferido, o Simon Snow, mesmo mais velha, e ainda escreve fanfics, usa roupa, cola pôsteres dele por todos os lados, a Wren que também gostava dele quando mais nova, deixou essa fixação de lado. Enquanto Cath é mais quieta, tímida, introvertida, sua irmã é extrovertida, sempre se torna amiga de todos e todos a adoram. Agora na faculdade Wren decidiu seguir sua vida longe da irmã, fez um corte de cabelo radical, escolheu aulas diferentes e anunciou que não dividirá o dormitório com a irmã. Cath se vê longe da sua melhor amiga de toda a vida, dividindo o quarto com uma estranha, com medo de deixar o quarto, sem fazer qualquer novo amigo. Isso é apenas o começo, ela ainda vai se afastar totalmente da irmã que começará a beber além da conta, terá seu coração partido, verá o pai problemático surtar e a mãe que a abandonou querer se reaproximar.

Meu cantinho:
Foi inevitável ler esse livro e não comparar com o outro trabalho da escritora: Eleanor&Park. Na verdade eles são livros bem distintos em quase todos os aspectos. Enquanto Eleanor&Park era uma leitura aparentemente leve que escondia problemas de uma magnitude absurdamente pesada, que me surpreendeu muito e que eu gostei bastante (apesar da minha birra com Eleanor no final); Fangirl é um livro mais leve que esconde diversos problemas familiares, mas ao meu ver não tão pesados quanto o do outro trabalho da autora. Na verdade, eu acredito que os maiores problemas da personagem principal eram dilemas internos, e o problema mais agravante que foi bebida alcoólica em excesso, foi envolvendo a irmã dela. Se me perguntarem, apesar da minha birra com algumas atitudes de Eleanor, eu ainda prefiro o livro dela do que Fangirl. Acredito que isso seja pelo peso do enredo, mas Fangirl também é muito bom ao seu modo, na realidade, maravilhoso diante do que ele se propõe.
Agora vou contextualizar melhor. O livro começa apresentando essas duas irmãs gêmeas, a Cath e a Wren. A Cath é simplesmente louca pelo Simon Snow. Simon é um personagem de um livro que habita um mundo mágico, a verdade é que ele é muito semelhante a ideia de Harry Potter. O legal é que antes de cada capítulo a Rainbow escreve um trecho de algum capítulo do livro ou de uma fanfic relacionado a esse livro (para quem não sabe fanfic são histórias que os fãs escrevem). No final o leitor acaba curioso para saber o que acontece nesse livro dentro do livro! Voltando. A Cath é louca pelo Simon Snow: roupas, pôsteres, louça, livros, bonecos, tudo o que você puder imaginar. Além disso, ela tem uma fanfic muito famosa, acompanhada por milhares de fãs da saga original. No começo, sua gêmea e melhor amiga Wren escrevia com ela, mas as coisas foram mudando com o passar do tempo e o interesse dela diminuiu. A verdade é que as duas são idênticas fisicamente, mas muito diferentes de personalidade. Cath é mais tímida, introvertida, não conseguiu abandonar a paixão por Simon Snow mesmo agora que está indo para a faculdade. Tem uma namorado há quase três anos e eles tem conversas educadas e um relacionamento que não está nem um pouco perto de ser uma paixão avassaladora. Wren deixou a fixação por Simon Snow e está concentrada na faculdade, é comunicativa, extrovertida, faz amizade rápido. Agora que vai entrar na faculdade ela decidiu se diferenciar de vez de Cath, escolheu disciplinas diferentes, cortou o cabelo e o principal: disse que não quer dividir o alojamento com a irmã. Cath levou um tremendo baque e não sabe como reagir, Wren vai se afastando cada vez mais dela, parece só querer saber festar e beber. Cath fica constantemente preocupada com o pai, ele as criou desde pequenas (quando sua mãe as abandonou), mas a verdade é que ele tem a mente fraca e às vezes se enfia no trabalho e esquece de comer, dormir, de cuidar de si. Agora na faculdade ela está sempre preocupada como está se virando sozinho em casa. Ela frequenta suas aulas e gosta muito de algumas, mas a verdade é que praticamente não socializa e não tem amigos. Ela passa a comer barrinhas de cereais que trouxe de casa no lugar das refeições simplesmente porque não sabe onde é o refeitório e nunca perguntou a ninguém! Eu confesso que Cath me angustia às vezes, mas isso é porque eu já fui muito parecida com ela, o tipo inibida e medrosa. Mas isso também significa que me identifiquei absurdamente com Cath e pude entende-la muito bem, o que foi muito bom durante a leitura.
Cath esta vivendo na faculdade com todos esses problemas se acumulando: a preocupação com o pai, a irmã que se tornou uma estranha, a colega de quatro esquisita (mas de quem até fica amiga), a disciplina que ela ama mas com a qual tem um grande bloqueio perto do fim, a saga de Simon Snow que finalmente está chegando ao seu volume final, o que significa que Cath tem que conciliar todos esses problemas e arrumar tempo para escrever sua fanfic e finalizá-la antes do livro real ser publicado. Lógico que no meio disso tudo ainda existe um garoto absurdamente fofo por quem ela se apaixona, mas além das próprias barreiras que ela tem, ele ainda comete erros que vão magoá-la profundamente. Na verdade, eu acho que acabei ficando ainda muito mais ressentida com ele do que a própria Cath! E para finalizar, a cereja do bolo: a mãe que abandonou ela quando criança deseja se reaproximar dela, mas Cath é incapaz de suportar a presença dessa mulher que não a amou o suficiente para ficar ao lado dela quando ela tanto precisou.
Os personagens secundários são simplesmente maravilhosos. Eu ri em diversas momentos apesar de nem sempre a situação ser uma das mais simples para Cath. O livro é gostoso, não dá vontade de parar de ler! Eu ainda acho que faltou um fechamento para a história do Simon Snow, mas eu gostei muito de ver todo o amadurecimento que Cath teve no decorrer desse livro. Absurdamente incrível.

Volume único.

1 de setembro de 2014

Chapéu Seletor!

Eu achei super interessante quando eu vi essa reportagem no BuzzFeed no qual eles pediram para vários autores famosos que desenhassem personagens de seus livros e “sorteassem” eles para uma determinada casa na escola de Hogwarts. Os desenhos são super engraçados (sorte que essas pessoas vivem de escrever e não de desenhar) e eu achei super divertido as propostas e as escolhas (apesar não concordar com algumas). Vejam as que eu separei para vocês:

A culpa é das estrelas (resenha aqui).


Gus – Corvinal. Ele é de fato inteligente, mas sei que ele também é guerreiro (apesar dos medos e momentos de franqueza – quem não os têm?). Fiquei em dúvida por um tempo, mas acho que sua sagacidade supera qualquer outra característica. Corvinal!


Hazel – Grifinólia. Não tem pessoa mais corajosa, tem? Lutando desde sempre contra a sua doença, vendo o sofrimento dos pais, se apaixonando e perdendo a pessoa que ama. Lidar com tudo isso não foi fácil e ela demonstrou uma coragem estupenda.

Quem é você, Alasca? (resenha aqui).


Alasca – Corvinal. Concordo em parte, ela de fato era muito inteligente, mas acho-a um pouco “destrambelhada” demais para caber nessa casa (tenha essa visão de nerds certinhos).


Pudge (Miles) – Lufa-Lufa. Miles é muito inteligente, de certa forma corajoso, mas essas não são as características que o marcam, acho que no fim ele foi indicado para a casa certa.

Anna e o Beijo Francês (resenha aqui). 


Anna – Corvinal. Nessa eu concordo com a autora. Lembro de como ela era dedicada, inteligente, amante de cinema. Definitivamente a casa certa.


Étienne St. Claire – Grifinólia. Foi de fato preciso muita coragem para enfrentar a doença da mãe e enfrentar o pai para estar com ela. Perceba que no desenho a autora fez ele mais baixinho que Anna, rs! 

Lola e o garoto da casa ao lado (resenha aqui). 


Lola – Grifinólia. E como não seria com aquela personalidade única e forte dela? Sempre decidida, sem medo de ser quem ela é, e sem se importar com o julgamento dos outros.


Cricket – Lufa-Lufa. Eu acho que a Perkins está muito zueira isso sim (repare no sorriso dela já sabendo que essa escolha seria polêmica). Eu acho que ele é meio parado as vezes (deixando a vida da sua irmã guiá-lo), mas quando ele decide ir atrás do que ele quer, ele se impõem. Eu acho que ele é tipo Neville enfrentando os amigos, sabe? Ele está mais pra Grifinólia. 

Isla and the Happily ever after. 


Isla – Corvinal. Eu não conheço esse livro (ainda). Ele seria o próximo depois de Lola (espero que tragam mais um pouco dos nossos casais anteriores). Trouxe mais por curiosidade, mas não saberia o que dizer da personagem. 


Josh – Corvinal. Não sei quem é, mas pelos corações desenhados sinto que vou me apaixonar por ele também!

Sério Feios (resenhas aqui). 


David – Grifinólia. Sem sombra de dúvida! É um daqueles casos em que o chapéu seletor mal toca na cabeça da pessoa para definir a casa.


Tally – Grifinólia. Sem sombra de dúvida [2]! Só não entendi o bracinho do autor, era para indicar algo radical? (achei engraçadinho). 


Shay – Sonserina. Infelizmente uma realidade. Não que tudo seja culpa dela, ela sofre muito, mas que ela tem um personalidade maldosa, isso ela tem.

Eleanor & Park (resenha aqui). 


Eleanor – Grifinólia. Outro caso no qual chapéu seletor nem precisa encostar na cabeça direito para saber. Tudo o que ela enfrenta dentro de casa dela e fora, só mostra o quão guerreira ela é! Ela é uma das personagens que admiro pelos problemas que enfrentou e modo como aguentou tudo de ruim que lhe aconteceu.

Fangirl 


Levi – Lufa-Lufa. Eu não li Fangirl (ainda), mas ele já foi lançado no Brasil (e eu já encomendei meu exemplar). Trouxe, assim como os personagens de Isla, mais por curiosidade já que adoro a autora.

Magisterium 


Callum Hunt – Sonserina. Esse livro ainda não foi lançado aqui no Brasil. Falei dele nessa postagem aqui sobre o novo livro de Cassandra Clare e Holly Black. Prevejo nosso vilão! 

Eu não trouxe todos os autores da reportagem, mais os que eu já li ou que conheço, alguns autores dos quais não ouvi falar ficaram de fora. Para conferir a reportagem inteira clique aqui. E o que vocês acharam? Concordam com a escolha dos autores?

8 de maio de 2014

Eleanor & Park

[muito bom]

Eu recomendo: Eleanor & Park
Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século

Sinopse:
Park é o único menino coreano do colégio e, apesar de não fazer parte dos populares, também não faz parte dos excluídos. Assim que a menina nova entra no ônibus ele sente raiva dela, pois parece que ela quer ser maltratada ao chamar atenção com suas roupas grandes, maior que seu corpo já avantajado, seus inúmeros colares e seus cabelos ruivos e encaracolados. Ele deixa que Eleanor sente ao seu lado no ônibus, mas não conversa com ela ou é gentil. Lentamente eles começam a se aproximar quando ele percebe que ela lê seus quadrinhos por cima de seus ombros e ele começa a emprestá-los a ela. Surge uma amizade e um romance, mas nada é tão simples. Eleanor é uma pessoa reservada já que leva uma vida complicada, um padrasto violento, uma vida de miséria, de controle e ofensas. Se o romance deles chegar ao conhecimento da família ela sabe que terá de deixá-lo além de temer pela própria vida. 

Meu cantinho:
Acabei de ler esse livro agora e estou escrevendo essa resenha. Eu só ouvi falar coisas boas a respeito desse livro e comecei a lê-lo cheia de expectativas. Preciso dizer que ele atendeu quase todas, mas o final não foi de todo do meu agrado e terminei com um sentimento de incompletude. Mas independente do que me desagradou no final esse livro é muito belo, cruel e rico e eu definitivamente recomendo a leitura.
Park tem esses traços orientais devido a mãe que é coreana, tem cabelos pretos, olhos verdes, é alto e bonito. Ele faz luta desde pequeno por conta do pai, tem um estilo um pouco rebelde e usa quase sempre roupas pretas. Seus pais são terrivelmente apaixonados um pelo outro que chega a causar embaraço. Sua mãe é uma coreana, magra, pequena, muito bonita e arrumada. Ela me causou antipatia em certos momentos, mas no geral é uma mulher dedicada e que ama muito os filhos e o marido. O pai de Park lutou na guerra, é um homem forte, apaixonado pela mulher, e também me causou certo desagrado em alguns momentos, mas entendo o lado dele – nem sempre é fácil para os pais acompanhar os filhos e aceitar algumas atitudes e comportamentos que sejam “inovadores” demais; além de entender que é da personalidade dele ser turrão. 
Eleanor é uma pessoa que se sente excluída, que é extremamente insatisfeita com seu corpo e que chama atenção pelas suas roupas grandes e diferentes. O problema real aparece quando você começa a conhecer de fato porque ela é assim. Não é que ela goste de ter o cabelo bagunçado, mas ela as vezes não tem shampoo e lava com o do cachorro. Não é que ela goste das roupas exóticas, mas é que usa roupa velhas, compradas em brechós ou herdadas, e quando essas rasgam ela remenda do jeito que pode. Ela divide um quarto minúsculo com seus cinco irmãos, sendo que um dele é apenas um bebê. Ela não tem espaço para quase nada que seja seu, apenas uma caixa com alguns poucos livros e material de pintura. O único banheiro da casa não tem sequer uma porta e ela toma banho apenas quando o padrasto não está em casa. Ela não pode sair sem justificar, não pode namorar, não pode desobedecer qualquer ordem. Ela já foi ofendida e já sofreu de violência, mas nada comparado as agressões físicas que sua mãe sofre. Seu padrasto Richie esconde uma arma e outras coisas ilegais em casa, ele gasta muito dinheiro com bebida enquanto quase não há comida em casa, além de Eleanor e seus irmãos não terem sequer uma escova de dente. Richie já chegou de expulsa-lá uma vez de casa e ela ficou um ano vivendo na casa de uma colega da mãe, e ela sempre fazia tudo para passar despercebida pois ouvia ela debatendo com o marido se deveria chamar ou não o conselho tutelar.
A família de Eleanor acabou de mudar para essa casa nova e minúscula e ela vai começar a estudar nessa escola nova. Ela preferiu pegar o ônibus a aceitar uma carona de Richie, mas o ônibus também não é muito agradável. A galera de populares no fundo começa a tirar sarro com ela desde o primeiro momento e ninguém quer que ela se sente por perto. Park não gosta dela, do modo como é espalhafatosa, mas ao perceber que ela não tem lugar ele deixa que ela se sente com ele. Ele não é amistoso, ele não conversa, sequer olha para ela. Passado alguns dias ele percebe que ela lê os quadrinhos por cima do ombro dele quando estão no ônibus e ele gentilmente vira as páginas mais lentamente. Depois disso ele começa a emprestar alguns quadrinhos, eles começam a conversar, ele grava algumas músicas para ela. O relacionamento deles avança de um modo tranquilo, belo: é segurar a mão um do outro, conversar em sussurros, dizer que se tem saudade da presença do outro. E conforme o relacionamento avança Park percebe que Eleanor não permite que ele a conheça por inteira, até que ela começa a ceder e ele começa a entrar na realidade dela. Ela não tem telefone, ela tem receio de gastar pilhas, ela não pode sair com meninos, ela precisa voltar cedo para casa, seu padrasto não pode saber, sua mãe não pode saber, ela não pode receber presentes, ela não tem espaço para coisas suas, ela divide um quarto com todos os irmãos, ela odeia o padrasto, ele a odeia, ele é violento.
Eleanor ficava sempre com receio de que o relacionamento deles fosse descoberto e algo terrível acontecesse. Eu fiquei imaginando todos os piores cenários por conta da primeira página do livro que mostra Park perdido, distante, pensando em Eleanor e como sente falta dela. Perto do final algo terrível e tenso acontece, eu fiquei extremamente temerosa. Gostei da participação de Tina e de como a autora mostra que todos têm seu lado bom e ruim. O livro tem a narração intercalada entre os dois personagens e é muito bom conhecer o ponto de vista de cada, mas foi também essa possibilidade de ver como eles pensam que me fez ficar desgostosa com Eleanor no final. Ela enfrentou muitas coisas, cuidava dos irmãos, da mãe, enfrentava um padrasto bêbado e violento por sua família, mas achei que ela teve uma atitude muito egoísta com Park no final do livro, principalmente depois de tudo o que ele fez por ela. Lógico que o livro termina de um modo feliz, com um raio de esperança, mas isso não apaga o que Eleanor faz Park passar. Foram esses sentimentos egoístas que fizeram com que eu me decepcionasse um pouco com o final, mas como disse no começo dessa resenha, mesmo assim é um livro que vale a pena ser lido.

Volume único.