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23 de junho de 2014

Talvez uma história de amor

[ruim]

Eu recomendo: Talvez uma história de amor
Autor: Martin Page
Editora: Rocco

Sinopse:
Virgile chega em casa e percebe que tem uma mensagem na secretária eletrônica. É de Clara, terminando o relacionamento dos dois. Contudo, ele não se lembra de ter se envolvido com qualquer Clara, e leva sua secretária eletrônica para sua psiquiatra querendo conversar sobre a mensagem. Ele está certo de que há algo errado com seu cérebro e ele deve morrer em breve. Durante a sessão ele recebe a ligação de uma amiga, que soube do termino por Clara e deseja consolá-lo. Ele então decide fingir estar de coração partido e tirar proveito do sentimento de condolência de seus conhecidos. Vivendo esses sentimentos ele começa a pensar que está realmente de coração partido, querendo saber quem é essa Clara e se eles não deveriam tentar novamente.

Meu cantinho:
Eu havia lido uma sinopse e esperava uma história completamente diferente. A capa, o título, tudo dá uma ideia de um livro de romance, mas o livro é completamente diferente. Ele é um livro com reflexões únicas, pensamentos aleatórios, complexidade e singularidade, é um daqueles livros tidos como “cult”. Acredito que isso justifica a grande quantidade de resenhas negativas que esse livro tem no skoob, muitos esperam algo completamente diferente. Li opinião de pessoas falando como esse livro é ruim, que não veio a nada, que não contribui em nada, que é bobo ou que esperava mais. Já outras pessoas afirmam ser um dos melhores livros que já leram na vida, que quem não gosta é porque não tem capacidade de entender ou não estão habilitados para compreender a linguagem poética, o humor refinado ou as teorias e conceitos por trás do enredo.
Eu li essas opiniões, negativas e positivas e entendo ambos os lados. Quanto as opiniões positivas eu concordo que o livro tem algumas sacadas muito boas, algumas reflexões interessantes. Também concordo que o livro é muito interessante para se analisar de um ponto de vista acadêmico, muitas teorias que eu estudei na minha graduação, mas principalmente no meu mestrado de cultura contemporânea, casam perfeito com esse texto. Entretanto, de um modo geral preciso dizer que eu não gostei desse livro e não acho que seja por conta de uma “limitação intelectual”, falta de “habilidade” ou qualquer coisa do gênero. Posso conhecer as teorias que caracterizam o texto, mas não acho interessante um livro de ficção tão denso e que precise ser analisado a cada trecho para que possa ser entendido completamente. Deixo esse tipo de leitura para os textos acadêmicos, não para minhas horas vagas. 
Virgile é um homem estranho, solitário, com neuroses, hipocondria, hábitos singulares e opiniões incomuns. As sinopses que sempre leio levam a crer em um romance, mas não é nada desse tipo. Ele recebe essa mensagem na secretária de uma mulher chamada Clara terminando com ele. Após essa mensagem ele logo acha que tem algum problema no cérebro pois não lembra de nenhuma Clara. Ele vai visitar sua psiquiatra, pede exames complexos, cancela sua conta telefônica, a luz e o aluguel, pois tem certeza que ele morrerá. Quando os exames mostram que está tudo bem ele então começa a se aproveitar dos sentimentos dos amigos que acreditam que ele tem um coração partido. Ele acha bom no começo, mas depois começa a pensar sobre Clara, sobre seu coração partido, sobre os pais, o emprego e esses diversos pensamentos, sentimentos e situações que compõem sua vida vão se misturando e se complicando. Eu achei pesado, denso, confuso, com uma ou outra reflexão interessante se destacando no texto. Acho que é um livro que agradará pessoas que gostam desse gênero, mas particularmente não é do meu agrado.

Volume único.