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1 de setembro de 2014

Chapéu Seletor!

Eu achei super interessante quando eu vi essa reportagem no BuzzFeed no qual eles pediram para vários autores famosos que desenhassem personagens de seus livros e “sorteassem” eles para uma determinada casa na escola de Hogwarts. Os desenhos são super engraçados (sorte que essas pessoas vivem de escrever e não de desenhar) e eu achei super divertido as propostas e as escolhas (apesar não concordar com algumas). Vejam as que eu separei para vocês:

A culpa é das estrelas (resenha aqui).


Gus – Corvinal. Ele é de fato inteligente, mas sei que ele também é guerreiro (apesar dos medos e momentos de franqueza – quem não os têm?). Fiquei em dúvida por um tempo, mas acho que sua sagacidade supera qualquer outra característica. Corvinal!


Hazel – Grifinólia. Não tem pessoa mais corajosa, tem? Lutando desde sempre contra a sua doença, vendo o sofrimento dos pais, se apaixonando e perdendo a pessoa que ama. Lidar com tudo isso não foi fácil e ela demonstrou uma coragem estupenda.

Quem é você, Alasca? (resenha aqui).


Alasca – Corvinal. Concordo em parte, ela de fato era muito inteligente, mas acho-a um pouco “destrambelhada” demais para caber nessa casa (tenha essa visão de nerds certinhos).


Pudge (Miles) – Lufa-Lufa. Miles é muito inteligente, de certa forma corajoso, mas essas não são as características que o marcam, acho que no fim ele foi indicado para a casa certa.

Anna e o Beijo Francês (resenha aqui). 


Anna – Corvinal. Nessa eu concordo com a autora. Lembro de como ela era dedicada, inteligente, amante de cinema. Definitivamente a casa certa.


Étienne St. Claire – Grifinólia. Foi de fato preciso muita coragem para enfrentar a doença da mãe e enfrentar o pai para estar com ela. Perceba que no desenho a autora fez ele mais baixinho que Anna, rs! 

Lola e o garoto da casa ao lado (resenha aqui). 


Lola – Grifinólia. E como não seria com aquela personalidade única e forte dela? Sempre decidida, sem medo de ser quem ela é, e sem se importar com o julgamento dos outros.


Cricket – Lufa-Lufa. Eu acho que a Perkins está muito zueira isso sim (repare no sorriso dela já sabendo que essa escolha seria polêmica). Eu acho que ele é meio parado as vezes (deixando a vida da sua irmã guiá-lo), mas quando ele decide ir atrás do que ele quer, ele se impõem. Eu acho que ele é tipo Neville enfrentando os amigos, sabe? Ele está mais pra Grifinólia. 

Isla and the Happily ever after. 


Isla – Corvinal. Eu não conheço esse livro (ainda). Ele seria o próximo depois de Lola (espero que tragam mais um pouco dos nossos casais anteriores). Trouxe mais por curiosidade, mas não saberia o que dizer da personagem. 


Josh – Corvinal. Não sei quem é, mas pelos corações desenhados sinto que vou me apaixonar por ele também!

Sério Feios (resenhas aqui). 


David – Grifinólia. Sem sombra de dúvida! É um daqueles casos em que o chapéu seletor mal toca na cabeça da pessoa para definir a casa.


Tally – Grifinólia. Sem sombra de dúvida [2]! Só não entendi o bracinho do autor, era para indicar algo radical? (achei engraçadinho). 


Shay – Sonserina. Infelizmente uma realidade. Não que tudo seja culpa dela, ela sofre muito, mas que ela tem um personalidade maldosa, isso ela tem.

Eleanor & Park (resenha aqui). 


Eleanor – Grifinólia. Outro caso no qual chapéu seletor nem precisa encostar na cabeça direito para saber. Tudo o que ela enfrenta dentro de casa dela e fora, só mostra o quão guerreira ela é! Ela é uma das personagens que admiro pelos problemas que enfrentou e modo como aguentou tudo de ruim que lhe aconteceu.

Fangirl 


Levi – Lufa-Lufa. Eu não li Fangirl (ainda), mas ele já foi lançado no Brasil (e eu já encomendei meu exemplar). Trouxe, assim como os personagens de Isla, mais por curiosidade já que adoro a autora.

Magisterium 


Callum Hunt – Sonserina. Esse livro ainda não foi lançado aqui no Brasil. Falei dele nessa postagem aqui sobre o novo livro de Cassandra Clare e Holly Black. Prevejo nosso vilão! 

Eu não trouxe todos os autores da reportagem, mais os que eu já li ou que conheço, alguns autores dos quais não ouvi falar ficaram de fora. Para conferir a reportagem inteira clique aqui. E o que vocês acharam? Concordam com a escolha dos autores?

19 de fevereiro de 2014

Cidades de Papel

[muito bom]

Eu recomendo: Cidades de Papel
Autor: John Green
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Quentin e Margo foram amigos quando crianças, eles viveram diversas coisas juntos, inclusive encontraram um cadáver. Entretanto, o tempo foi passando e eles se afastaram e convivem com grupos distintos. Enquanto Margo é uma das populares, que consegue controlar todas as pessoas na escola, Quentin é nerd com amigos bem estranhos, mas ele sempre admirou Margo e tem esse sentimento platônico por ela. Até que um dia, a noite, Margo invade seu quarto pela janela e pede sua ajuda para um plano de vingança contra aqueles que considerava seus amigos e seu namorado que o traiu. Quentin vê sua vida transformada em uma noite pelas loucuras e pegadinhas que Margo planejou, ele acredita que as coisas finalmente vão mudar. O que ele não esperava era que Margo fosse desaparecer, fugir de casa. Ele descobre que não é a primeira vez que ela faz isso, mas como agora é maior de idade não há muito que a polícia pode fazer. Ele também descobre que sempre que foge ela deixa pistas, com o intuito de que alguém se importe e vá encontrá-la. É quando Quentin descobre a primeira pista e saí em busca de Margo. 

Meu cantinho:
Eu gosto muito do John Green, e preciso dizer que esse é outro livro muito bom dele, mas eu tive um sério problema com Margo, não gostei nem um pouco das atitudes, da arrogância dela. Acredito que por conta disso e do final do livro, eu demorei tanto tempo para resenhá-lo (eu li esse livro mais ou menos no meio do ano passado). De todos os trabalhos de John Green esse foi o que menos gostei. Adorei as pegadinhas no começo, Quentin e seus amigos, mas a presença de Margo no final do livro estragou tudo.
Quando crianças Quentin e Margo eram muitos próximos, certa vez encontraram um corpo e Margo decidiu fazer uma investigação para descobrir o que aconteceu. Ele a achava brilhante, e que compartilharam essa experiência que ela não compartilharia com mais ninguém. Depois de adolescentes, cada um seguiu um caminho, Margo em direção a popularidade e ele ficou mais quieto com seus poucos amigos. Ele é um menino correto, comportado, que sempre faz tudo certo, filho de psicólogos, portanto está sempre sendo “analisado” pelos pais (eu que já estudei psicologia achei as partes com os pais dele muito bacanas). Já ela parece dar muita importância a aparência e finge ser algo que não é, apenas para agradar e se encaixar com as outras pessoas.
Quando Margo aparece na sua janela certa noite, vestida de preto e com um plano de vingança, ele volta a ver um lado de Margo que ela não compartilha com ninguém e ele acredita que a conhece como nenhuma outra pessoa. Eles fazem diversas pegadinhas com pessoas que Margo acreditava serem seus amigos, mas que haviam mentido para ela, inclusive o seu namorado que lhe traiu com sua melhor amiga. Tem muitas coisas engraçadas, e Quentin se diverte muito, apesar dos receios e de inclusive fazer algumas coisas que podem lhe causar problemas reais. Ele se sente maravilhado, no dia seguinte ele acredita que tudo será diferente ao lado de Margo, mas ela não vai ao colégio, na verdade ela fugiu de casa. Ela sempre fugia de casa, mas a polícia não pode fazer nada agora devido a maioridade. O que ele descobre é que ela sempre deixa pistas para serem seguidas, que seus familiares nunca conseguiram desvendar. Quentin acredita que a conhece como ninguém e quando vê um cartaz no verso da cortina do quarto dela, e que ela sabia ser possível de ver do seu quarto, ele sabe que é um recado para ele, que ela quer que ele a encontre. Através do cartaz ele acaba chegando a um livro, com trechos marcados de um poema de Walt Whitman. Ele fica simplesmente obcecado e saí em uma jornada que parece quase impossível para chegar até ela. Nesse caminho ele conhece aspectos da Margo que não sabia existir, mostrando que ele não a conhecia tão bem quanto pensava, assim como aos poucos vai tirando a imagem dela do pedestal em que a colocou. Achei que a busca dele começou a ficar cansativa em certo ponto e o final, como disse, foi completamente estragado pela arrogância, imaturidade e insensibilidade de Margo.
Quero abrir um espaço para falar dos outros personagens, os amigos de Quentin. Quando ele fica nessa busca ele acaba perdendo o controle, só pensa nisso, e muitas vezes acha que seus amigos não o compreendem, ou são egoístas, mas não percebe que é ele que só pensa em Margo e na verdade seus amigos são maravilhosos que estão sempre ao seu lado. Radar é um cara muito inteligente, que entende tudo de computadores, e uma curiosidade ao seu respeito, que o faz morrer de vergonha e que me arrancou muitas risadas pelo modo e a situação em que ela aparece, é que seus pais tem uma coleção gigante de papais noéis negros. Mas é uma coleção gigante, eles são muito loucos com isso! Quando comecei a ler o livro Deixe a neve cair, no primeiro conto tem uma personagem que os pais colecionam a cidade de natal Flobie, e são loucos por isso e chegam a ser presos, na mesma hora eu pensei que ela se entenderia bem Radar. Ben é o amigo extremamente engraçado, cheio de piadinhas, que consegue sempre deixar os climas pesados mais leves. Ele é responsável pela maior parte das risadas que o livro me arrancou. Lacey na realidade é amiga de Margo, mas quando percebe que não conhecia tão bem a amiga, que há a suspeita de que ela pode ter cometido suicídio, ela entra na busca de Quentin para descobrir a verdade e se torna amiga dos garotos.
Algumas pessoas compararam esse livro e os personagens a Quem é você, Alasca? Apesar de ter lido esse outro livro, e de fato haver uma busca pelo personagem feminino, que leva a descoberta de quem ela verdadeiramente é, e dessa personagem feminina ser uma chata total, não vi tanta semelhança. Eu gostei muito do final de Alasca, achei as reflexões muito mais profundas. Cidades de Papel traz questões sobre se conhecemos verdadeiramente alguém, e o valor de amigos, mas nada tão intenso e explícito quanto as ponderações que temos em Quem é você, Alasca?
Quanto ao nome do livro não vou explicar tanto para não revelar spoilers, mas é uma ideia muito bacana do autor, que no final ele ainda explica com suas próprias palavras a experiência que viveu e que desencadeou essa ideia.

Volume único.

14 de fevereiro de 2014

Will&Will

[ótimo]

Eu recomendo: Will&Will
Autor: John Green e David Levithan
Editora: Galera

Sinopse:
Will Grayson tem como lema ignorar aqueles que lhe incomodam e calar a boca, assim ele não arruma confusão. Ele não é um dos mais populares do colégio, tem poucos amigos, entre ele está Tiny Cooper. Um cara gigante, jogador de futebol, e gay assumido. Certo dia o caminho desses dois cruza com o de outro Will Grayson, com problemas com a mãe, depressão, solidão e medo de assumir sua homossexualidade. O primeiro Will Grayson se vê apaixonado por uma menina, não correspondido e enfrenta problema com Tiny, seu melhor amigo. O segundo Will Grayson vê uma grande melhora na sua vida graças as mudanças provocadas por Tiny, mas ainda tem muitos obstáculos a enfrentar. Além disso, temos Tiny, que apesar de expansivo e alegre tem seus próprios medos e problemas com os quais lidar. Um livro que fala sobre amizade e amor, independente da opção sexual da pessoa.

Meu cantinho:
Eu sabia muito pouco sobre esse livro, apenas que teríamos um casal homossexual e pelo título do livro eu presumi que seria entre os dois Wills – me enganei. O livro tem capítulos intercalados entre os dois Wills, ambos se chamam Will Grayson, por isso vou chamar de Will 1 e Will 2. O primeiro a nos ser apresentado é Will 1, ele não é um dos meninos mais populares, não tem namorada e nem parece muito interessado em relacionados e por isso que seu melhor amigo Tiny Cooper gosta de dizer que ele é assexuado. Will apenas se deixa levar, segue o fluxo, segue as orientações dos pais, vai bem na escola, não costuma fazer nada de errado, seu lema é ignorar as situações desconfortáveis e calar a boca. O grande destaque na vida de Will 1 é esse seu amigo Tiny, que não tem nada de pequeno, ele é gigante, enorme, adora falar sobre si, acredita que o mundo gira ao redor dele, e é gay assumido. Tiny recentemente tem tentando empurrar Will 1 para Jane, mas apesar dela ser bonita e deles terem coisas em comum, ele se sente confuso pois ao mesmo tempo em que quer estar, não quer estar com ela, e acaba rejeitando-a. Por conta do desenrolar até esse ponto eu acredita seriamente que Will 1 iria se descobrir gay, se encontrar de alguma forma com Will 2, e eles ficaram juntos. Entretanto, não é o que acontece, ele começa a desenvolver um interesse maior por Jane, começa a agir, tomar algumas atitudes que normalmente não faria – mas nada em um sentido negativo, só deixa a passividade de lado. Lógico que esse é um processo longo, e as vezes eu só queria gritar com ele por não fazer ou falar certas coisas! Acredito que os capítulos de Will 1 tenham sido escritos por John Green, achei a escrita semelhante a dele, as situações complicadas, os traços de fofuras recheadas de humor, aquela coisa bem única do Green. Também tenho essa suspeita porque em um dos capítulos do Will 1 aparece uma menina com nome Hazel, fiquei com um frio na barriga achando que era a Hazel de A culpa é das estrelas e que nos seria mostrado algo a mais da vida dela, mas a verdade é que ela aparece só nesse momento e não há mais nada.
Quando entrei no primeiro capítulo com Will 2 foi uma diferença enorme. A escrita e estruturação do texto são completamente diferentes, e por nunca ter me deparado com nada assim nos demais trabalhos do John Green, acredito que esses capítulos tenham sido escritos por David Levithan. O escritor só usa letra minúscula, mesmo no início das frases ou nomes próprios. Os diálogos são sempre narrados pelo autor, no qual ele estrutura com “eu:” e, na fala seguinte o nome da pessoa, não há travessão, como normalmente é usado para demonstrá-los. E os pensamentos de Will 2 e os diálogos são sempre separados por um espaço no texto. Will 2 é gay, mas nunca se assumiu. Ele tem uma vida muito complicada, toma remédios para a depressão, está sempre em conflito com sua mãe e nunca mais viu seu pai que abandonou os dois. A única coisa boa do seu dia é Issaac, que ele conheceu pela internet, por quem está apaixonado. Depois me muito tempo se correspondendo, eles decidem finalmente se encontrar, que é o momento no qual a vida de Will 1 e Will 2 se cruzam. Não vou falar o que acontece com Issaac porque isso seria um spoiler muito grande, eu mesma me surpreendi muito com essa parte, portanto, vou deixar para que vocês descubram na leitura. Acontece que a situação não acaba muito bem, é quando Will 1 e Will 2 se esbarram e Will 1 apresenta Tiny a Will 2. Tiny pode ser meio egocêntrico as vezes, mas ele também gosta de ajudar as pessoas e faz possível para consolar Will 2. Will 2 então começa a se envolver com Tiny, as mudanças nele são enormes, mas ele também tem dificuldade em lidar com Tiny. Acontece que Tiny Cooper, que tem um destaque nesse livro tanto quando os Wills, as vezes consegue ser bem irritante. Primeiro por ser muito focado nele, ele não consegue ver quando Will 1 precisa dele como amigo, ou que Will 2 tem certos entraves psicológicos, e assunto que Tiny trata com superficialidade na verdade são aspectos complicados para ele. Mesmo que muitas vezes Will 2 trate as situações complicadas com um humor, ainda é possível perceber que nem tudo é fácil para ele. Mas Tiny no geral é uma pessoa legal, que quer o bem das outras, e que também tem os seus problemas apesar de sempre tentar se mostrar positivo em todas as situações.
Após as histórias se cruzarem grande parte do foco do livro se volta para uma peça que Tiny está escrevendo, que a princípio fala sobre ele, mas que depois de conhecer Will 2 ele percebe que precisa tratar de amor. Enquanto isso Will 1 está triste porque Jane voltou com seu ex-namorado e não consegue conversar ou buscar apoio em Tiny, que tem seu foco todo voltado para a peça. Além disso, ele fez um personagem chamado Phil, que na verdade é Will 1, e quando Tiny vai descrever como deve ser Phil ele acaba magoando muito Will 1 com suas palavras. Will 2 vive uma confusão de sentimentos, novos amigos, ele se assumindo para todos, a evolução no seu relacionamento com a mãe – essa parte foi uma das mais tocantes.
O livro foi bem diferente, não pela questão da homossexualidade, mas pelos personagens tão distintos que são apresentados, pelo modo como os capítulos são estruturados, pela evolução dos personagens, pela intensidade das situações. Gostei principalmente do desfecho, recomendo a todos.

Volume único.

8 de fevereiro de 2014

Deixe a neve cair

««««««
[bom]

Eu recomendo: Deixe a neve cair
Autor: Maureen Johnson, John Green e Lauren Myracle
Editora: Rocco

Sinopse:
Em “O Expresso Jubileu”, Jubileu se vê sozinha no Natal após seus pais terem sido presos na sala de exposição da Flobie, a loja que vende peças para a cidade de natal Flobie, numeradas e limitadas. Ela não poderá passar o natal com seu namorado Noah, que nem parece muito desanimado com a notícia. Ela então pega um trem para passar o natal com seus avós que atola na neve. Tudo parece cada vez pior, até que ela conhece Stuart que lhe oferece um lugar para passar o natal. Noah parece cada vez mais distante e Stuart a trata de um modo como seu namorado nunca a tratou. No conto seguinte, “O milagre da torcida de natal” conta como Tobin, JP e Duke (que é uma garota), partem em busca de líderes de torcidas – Duke apenas de batatas assadas, no meio da nevasca. Entretanto, no decorrer da jornada Tobin percebe que seu real interesse não está nas líderes de torcidas, mas sim naquela menina que é sua melhor amiga com quem tanto combina. No último conto intitulado “O santo padroeiro dos porcos” temos Addie sofrendo com o termino do namoro – que ela mesma ocasionou. O que ela não percebe é que para as coisas funcionarem ela precisa mudar, não apenas para ter seu namorado de volta, mas para manter suas amizades e bons relacionamentos, pois tudo o que ela consegue ver é como as coisas lhe afetam, ela não consegue deixar de ser egoísta, achando que o mundo gira ao redor dela.

Meu cantinho:
O livro traz três contos de natal, cada um de um autor, mas todas relacionadas entre si, compartilhando não apenas os espaços, mas também os personagens. É óbvio que eu comprei esse livro por conta do John Green, já que não conhecia as outras autoras, mas me surpreendi muito mais com o conto da Maureen Johnson. Vou falar separadamente de cada um (apesar das histórias se cruzarem) para que vocês entendam o que eu gostei (ou não gostei) em cada um deles.
O primeiro conto é da Maureen Johnson, intitulado “O Expresso Jubileu”. Confesso que ele não me conquistou logo de cara, achei algumas coisas meio infantis, meio forçadas, mas o final foi bonitinho e acabou sendo dos três, o que mais me chamou atenção. No começou pareceu meio viajado, primeiro porque os pais deram o nome da filha de Jubileu por conta de uma peça da cidade de natal Flobie. Os pais são loucos por essa cidade e não sei se consigo entender esse fascínio todo. Então eles saem antes do natal para comprar essa peça nova e não voltam, até que o vizinho dela, que é advogado, aparece falando que seus pais foram presos por tumulto. As peças numeradas e limitadas da cidade Flobie acabaram causando tumulto, já que algumas pessoas estavam guardando lugar na fila, houve uma comoção, e quando a polícia pediu que seus pais saíssem da fila eles se recusaram e foram parar na cadeia. O advogado também aparece com uma passagem de trem comprada, para que ela vá passar o natal com seus avôs, o que significa que ela não vai poder passar o natal com seu namorado Noah. Quando ela liga avisando o que está acontecendo, ele parece se importar muito pouco, logo da para perceber que ele não é um cara bacana. Jubileu gosta de ressaltar todas as qualidades dele, mas a verdade é que ele é do tipo mauricinho perfeitinho, que preza mais a imagem do que qualquer coisa. Fiquei indignada quando ela contou que em um ano de namoro ela não passou mais do que um dia por mês sozinha com ele. Que eles sempre saiam juntos, eram visto juntos, mas em eventos do colégio, jogos, conselhos, entre outras coisas. Ela era mais uma figura para acompanhá-lo do que uma namorada. Então ela saiu nesse trem e nele ela conhece Jeb, uma figura triste que está tentando chegar a tempo de encontrar sua namorada (eu já não gostei dela porque ele disse que ela o traiu – mas que segundo ele não foi culpa dela), e é importunada por um grupo de lideres de torcidas que está indo para um campeonato. Acontece que no meio do caminho seu trem atola e ela decide se arriscar na nevasca para alcançar Waffle House que está ali perto e deve ter aquecimento e comida. Depois que consegue chegar lá aparece Stuart, que teve seu carro atolado na neve enquanto voltava do trabalho. Eles começam a conversar e ele a convida para passar o natal com ele pois sua mãe nunca o perdoaria se ele a deixasse no natal sozinha. Apesar de ele apresentar todos os seus documentos e tentar mostrar que é gente boa, por favor pessoas, na vida real, não saiam para a casa de estranhos no meio de uma nevasca por mais que seja natal e a pessoa pareça gentil, isso só pode acontecer em livros, ok? Na casa de Stuart ela conhece sua mãe e irmã, é rapidamente acolhida e cuidada, o que só faz com que perceba que seu namorado Noah a abandonou. Stuart tenta abrir seus olhos, para que ela perceba que Noah não é bom para, que parece estar tentado evitá-la e que ele não se preocupa verdadeiramente com Jubileu e como Stuart se preocuparia caso ela fosse sua namorada. Achei muito fofo o final desse conto e ainda mais bacana que temos mais um pouco da presença desses dois no último conto do livro.
“O milagre da torcida de natal” de John Green foi o menor texto de todos (e pensar que foi ele quem me motivou a comprar esse livro). Keun, que trabalha na Waffle House (que aparece no conto anterior) liga para seu amigo Tobin e fala que um grupo de líderes de torcidas vai passar a noite lá porque seu trem está atolado na neve. Ele fala que é uma chance única na vida de terem uma líder de torcida para si e que eles (JP e Duke que estão na casa de Tobin) precisam urgente pegar o jogo de Twister (que as meninas querem jogar) e correr para lá, pois os outros funcionários da Waffle House já ligaram para seus amigos e só poderá entrar quem chegar primeiro com o jogo. JP está louco para tentar pegar uma líder de torcida (ele em certo ponto faz um discurso enloquente que me arrancou risadas), apenas Duke (que é uma menina) não parece estar muito animada, mas é convencida a partir nessa aventura para comer as batatas que tanto gosta e que só são servidas na Waffle House. Eles quase são mortos quando o carro morre na subida, sofrem um acidente, tem que enfrentar os outros rapazes que querem chegar na Waffle House antes deles, são cenas divertidas. No meio de todos esses acontecimentos Duke parece estar com ciúmes de Tobin e ele também dela, mas Tobin não sabe se quer arriscar essa amizade por um romance que pode acabar. O livro não foi nada de espetacular como outras obras de John Green, mas me arrancou algumas risadas e teve um final bonitinho.
O último é maior conto é “O santo padroeiro dos porcos” de Lauren Myracle. O livro foi bem escrito e achei interessante porque todos os casais dos outros contos se encontram no final, foi legal ter essa ligação. O problema foi que eu odiei a personagem principal, Addie, a namorada de Jeb. Eu em parte entendo Addie, porque Jeb é do tipo mais quieto, mais na dele, o problema é que isso está em excesso já que ele não se sente confortável de beijá-la em público ou de andar de mãos dadas. Eu não iria suportar esse tipo de coisa! Entretanto, ela vai um pouco além, ela acha que tudo o que ele faz tem que ser voltado para ela, fica querendo mudá-lo (o que nunca dá certo), quer que ele dê demonstrações de amor estilo filmes, que ele esteja disposto a morrer por ela como em Titanic, o que é um absurdo total. Ela e Jeb tiveram uma discussão antes de uma festa, ela então foi, encheu a cara e beijou outro cara. Ela vai contar para Jeb e fala que eles têm que terminar, ele diz que não quer terminar com ela apesar de tudo, e a babaca fala que acabou só para depois se sentir péssima e ficar correndo atrás dele. Ela está arrasada porque mandou um e-mail pedindo um encontro e ele não apareceu (nós sabemos que é porque o trem atolou na neve, mas ela não) ela está enfrentando uma crise, corta o cabelo curto, tinge de rosa, e fica resmungando para as amigas – que tentam mostrar que ela não mudou de verdade (como disse no e-mail para Jeb) e que ela é muito egoísta e esse é seu principal problema. Não é fácil namorar ou ser amiga de alguém que só pensa em si, que não lhe escuta e acha que tudo em sua vida é mais relevante do que na das outras pessoas. Quando a amiga pede que um favor a ela, ela acaba deixando o drama de sua vida tomar conta de tudo e esquece de fazer o que lhe foi pedido. Ela acaba tendo que correr atrás de tudo depois porque acaba se metendo numa enroscada, então do nada, ela tem uma “iluminação” e passa a ser uma pessoa melhor. Achei isso muito batido, acho que ninguém que é do jeito que Addie é muda de uma hora para outra e acho que ela não merece Jeb.
Um último comentário a respeito desse conto é que apesar dele ter porcos na estória, eu sinceramente acho, que ela poderia ter dado um título melhor para o texto.
No geral o livro foi bom, mas nada de extraordinário. Maurren me surpreendeu apesar de algumas coisas fracas. John Green me decepcionou um pouco apesar de ter me arrancado algumas risadas (acho que eu é que não posso esperar que tudo que ele escreva seja do nível de A culpa é das estrelas). Lauren desenvolveu uma personagem irritante, que eu odiei, assim como sua transformação milagrosa. O livro ganha pontos no modo como as história se conectam e por não haver falhas nesse aspecto.

Volume único.

5 de fevereiro de 2014

Quem é você, Alasca?

[ótimo]

Eu recomendo: Quem é você, Alasca?
Autor: John Green
Editora: WMF Martins Fontes

Sinopse:
Miles Halter não tem amigos, leva uma vida sem graça, ele coleciona últimas palavras – palavras que pessoas disseram antes de morrer. Diante dessa vida nada espetacular, ele decide sair de casa em busca do seu “Grande Talvez”, e acredita que poderá encontrá-lo em Culver Creek, o mesmo colégio que seu pai estudou. Lá ele faz seu primeiro amigo, que é seu colega de quarto, o Coronel. Ele o ensina a beber, a fumar, o apresenta a outras pessoas, entre elas Alasca. Alasca é problemática, divertida, mas reclamona, que adora flertar, mas sempre afirma amar seu namorado. Miles está apaixonado por ela, mas sabe que eles não vão ficar juntos. Apesar disso, tudo parece estar indo bem, até que um evento acontece, separando a vida de antes da vida depois. 

Meu cantinho:
Vou começar falando da parte estética do livro. A minha capa não é da primeira edição lançada no Brasil como vocês podem ver, mas achei ela muito mais bonita e conectada com o livro. Apenas no verso tem um coração rodeado por espinhos com labaredas (estilo tatuagem) que eu achei meio sem sentido, mas fora isso todos os elementos são muito bem conectados (mesmo que leve um tempo de leitura para você conectar tudo). Acho muito bacana as frases na frente porque define bem nosso personagem Miles, que conquista seu primeiro amigo, que tem sua primeira namorada, assim como seu primeiro amor (garotas diferentes) e que coleciona últimas palavras. Isso é meio estranho, saber as últimas palavras de pessoas que já morreram, mas falo sobre isso mais para frente. Apesar dessa capa bacana tenho uma crítica que é o efeito fosco, esse livro tem aquele tipo de capa que se você encosta ele fica marcado de dedos. É o mesmo tipo de capa da série Insaciável da Meg Cabot. Me dá muita agonia porque o livro parece estar constantemente sujo, não gosta desse efeito/textura/material de capa. 
Quando comecei a ler o livro foi uma tortura, a fonte é extremamente miúda e algumas das páginas estavam com a impressão mais fraca, o que dificultou ainda mais leitura. Isso me desestimulou um pouco, e se esse não fosse um livro do John Green eu provavelmente teria deixado-o de lado por um tempo. Mas felizmente continuei a leitura e me deparei com outro trabalho magnífico do autor. O livro é dividido em antes e depois, não sabemos em relação a que evento é feita essa referência, mas cada trecho é contanto como “tantos dias antes”. Nesse ponto faço uma referência de que houve um erro justo na primeira contagem, fiquei confusa, achando que os dias estariam foram de ordem, mas eles seguem uma ordem cronológica e foi apenas um erro de revisão da editora.
O livro é narrado por Miles Halter, um menino sem amigos, que coleciona últimas palavras, que como eu disse anteriormente é algo muito estranho. Ele gosta de ler bibliografias e descobrir o que cada pessoa disse antes de morrer, e tem uma memória muito boa para isso. Miles vive uma vida pacata e sem graça, então ele decide ir atrás do que ele nomeia como seu “Grande Talvez”, para isso ele se muda para Culver Creek, o mesmo colégio que o pai estudou. No novo colégio ele faz seu primeiro amigo, Coronel, com quem ele divide o quarto. A princípio ele não é o tipo de cara que eu gosto, ele bebe, fuma, é um pouco mandão, com certo ar de superioridade. Acontece que quando conhecemos melhor sua história, não tem como não se encantar por ele. Coronel está no colégio porque tem bolsa integral, e apesar de parecer ser meio relaxado é muito inteligente, ele quer ter dinheiro para um dia poder dar uma casa para a mãe que mora em um trailer. Ele também tem um forte senso de lealdade e um humor incrível. Eu confesso que quando ele vai torcer para o time do colégio eu não consegui não rir! Várias cenas no livro são engraçadas, é um dos principais pontos positivos na parte do “antes”. Apesar de tudo Coronel não é a melhor influência do mundo, já que acaba levando Miles a beber e a fumar. Também é ele que apresenta Alasca a Miles. 
Alasca não é o tipo de garota que eu gosto, ela me lembrou a protagonista de Cidades de Papel (que eu li ano passado e ainda não resenhei aqui), o tipo de menina problemática, bipolar. Alasca é do tipo expansiva, mas que esconde segredos. Que fala de coisas depressivas, que fala de morte, mas que ao mesmo tempo quer viver tudo intensamente e está sempre fazendo piadainha de tudo. Ela fuma muito, bebe muito e fala com muita liberdade sobre sexo e assuntos mais íntimos. Me pareceu que ela alimenta muitas esperanças em Miles apenas para logo em seguida falar do namorado. O único momento em que ela ganharia pontos comigo, que é quando ela fala que gosta de ler e que está montando sua biblioteca pessoal, logo sou decepcionada porque na realidade ela não leu a maioria dos livros e ainda fala que só vai poder lê-los quando for “velha e chata”.
Miles vai convivendo com eles, estudando, discutindo questões mais filosóficas na aula de religião (que é uma parte muito interessante do livro), bebendo, fumando, praticando trotes, arrumando uma namorada (que não é Alasca). Os dias antes estão acabando e eu não estava completamente conquista pelo livro, principalmente por conta da presença de Alasca. Mesmo quando ela revela coisas sobre si que nos fazem entende-la melhor, ainda assim não simpatizei completamente com ela. Eu continuei lendo querendo saber o que seria esse evento que marcaria o depois, achei que seria algo bobo, o grande trote que eles estavam planejando, mas o livro me surpreendeu muito e o evento marcante é... marcante. O depois foi maravilhoso, eu encontrei lá o John Green que me conquistou com A culpa é das estrelas. Há discussões, tristeza, investigações, mistérios e principalmente reflexões maravilhosas e sentimentos verdadeiros. Eu não posso dar muito detalhes sobre o que acontece no depois, caso contrário revelaria spoilers, mas posso dizer que esse final compensou tudo que me desagradou no antes.

Volume único.

20 de setembro de 2013

O Teorema de Katherine

[ótimo]

Eu recomendo: O Teorema de Katherine
Autor: John Green 
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Colin é um garoto prodígio, que consegue falar diversas línguas, bolar anagramas com praticamente tudo, que lê um livro atrás do outro, mas que não é muito popular, tem apenas um amigo chamado Hassan e até hoje só namorou Katherines e levou um fora de todas elas. Hassan decide ajudá-lo a superar seu mais recente termino e eles partem em uma viagem de carro, sem destino, que os levam a uma cidade pequena no meio do nada. Lá eles conhecem novas pessoas, vivem novas experiências, mas para Colin é muito difícil superar tanto a perca de Katherine quanto a possibilidade de que ele não vá, de fato, fazer nada de importante de sua vida. Nesse momento ele começa a elaborar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que poderia prever o desfecho de qualquer relacionamento, o que o tornaria famoso (quem sabe um Nobel) e poderia fazer com que Katherine XIX voltasse para ele.

Meu cantinho:
Preciso dizer que comecei a ler esse livro cheia de expectativas, afinal, depois de tanto que o John Green me fez chorar com A culpa é das estrelas, eu estava esperando outra obra surpreendente. Fiquei com muito medo de que ele fosse me decepcionar como David Nicholls, que escreveu um dos melhores livros que já li, Um dia, mas quando peguei outra obra dele foi decepcionante (o livro foi bom, mas não chegava aos pés de Um Dia). Mas John Green conseguiu escrever outro trabalho maravilhoso! O enredo é completamente diferente de A culpa é das estrelas, mostrando que o autor consegue trabalhar com coisas diferenciadas e dar a elas seu toque único. Eu não chorei feito uma manteiga derretida com esse livro (acho que A culpa é das estrelas não tem comparação porque é uma história muito próxima de uma realidade que eu vivi), mas é um livro muito bom do seu modo.
Ler sobre Colin foi extraordinário porque a mente dele não funciona de forma “convencional”, ele é um menino que com dois anos sabia ler, que sabe falar diversas línguas, que sabe responder quem foi o presidente de tal ano, quem descobriu aquilo, quem inventou isso, ou porque a cortina do chuveiro é puxada para dentro se a água devia soprar ela para fora. A mente dele trabalha com associações, e vê padrões em coisas que a nossa mente não consegue perceber. Ele consegue lembrar e assimilar diversas coisas porque o que é banal e simplório para nós, para ele é interessante. Muitas coisas que ele percebe são complexas para nosso entendimento, enquanto coisas tão banais de entendimento comum são extremamente difíceis para que ele entenda. Nunca conheci ninguém que tivesse esse tipo de desenvolvimento intelectual e não sei se o livro retrata tudo com fidelidade, mas acredito que se não é igual, John Green chegou muito perto.
Eu confesso que foi difícil imaginar Colin como o autor propôs, ele vai descrevendo e dando detalhes do nosso personagem aos poucos, eu já imaginei ele um menino baixinho, magrinho, com cara de nerd, mas na verdade ele é um rapaz extremamente alto e inclusive bonito (pelo menos é o que as velhinhas do abrigo acham). E além de bonito, e prodígio, Colin tem um bom coração, é alguém fiel e um amigo verdadeiro, um rapaz encantador!
Para aqueles que não gostam de matemática (como é o meu caso) não se assustem e deem um chance ao livro, apesar de algumas fórmulas e gráficos, a maior parte da matemática está em notas de rodapé. Quando o livro acaba também temos uma parte dedicada as explicações por traz do teorema criado por Colin por um amigo matemático do John Green. Essa parte eu li muito contrariada e achei um tanto quanto desnecessário. Eu acho que quem fez ensino médio, mesmo que seja a muito tempo e que tenha assimilado muito pouco da área de exatas (eu!) não é nada complexo de se entender, e mesmo que você não sabia nada, mesmo assim sua leitura não fica prejudicada. Sei que o ensino nos Estados Unidos é diferente e talvez o escritor tenha achado necessária essa explicação, mas sinceramente, foi a única coisa que não gostei do livro.
Quando você começa a ler, é só risada atrás de risadas. Apesar de Colin estar sofrendo com o fim do namoro e estar complexado porque, apesar de ser um menino prodígio ele acredita que já chegou ao seu ápice e não alcançara nada de substancial, todo o livro é trabalhado de um modo leve e divertido. Hassan é extremamente hilário, acredito que ele é uma das peças fundamentais para que essa história funcione tão bem, Colin também é engraçado, mas na maior parte do tempo é algo que faz sem querer, juntos eles são uma dupla magnífica! Acabei de ler e comecei a colocar “fug” no meio de tudo o que eu falava (até um ou outro badalhoca). Um livro leve, interessante e hilário, ao mesmo tempo em que aborda questões mais delicadas. Mais um trabalho esplêndido de John Green.

Volume único.

19 de dezembro de 2012

A culpa é das estrelas

[ótimo]

Eu recomendo: A culpa é das estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Hazel Grace tem um câncer, ela tem dificuldades de respirar agora que ele avançou para o seu pulmão e ela não está muito animada com a perspectiva de futuro. Sua mãe a leva ao médico que diagnostica depressão e aconselha ela a frequentar um grupo de apoio. Nesse grupo ela encontra Augustus, um sobrevivente do câncer, e ele a convida para sair. O envolvimento deles começa, e junto eles descobrem coisas novas, se divertem, compartilham seus problemas, tristezas e esperanças e enfrentam a morte. Sempre seguindo em frente, apesar de todas as dificuldades.

Meu cantinho:
Pensei em várias formas de começar a falar desse livro, mas vou usar a palavra de outra pessoa (citação essa que está na capa): “Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais.” – Markus Zusak, autor de a menina que roubava livros. Acho que eu simplesmente não poderia ter dito melhor!
O livro conta a vida de Hazel Grace, com um câncer terminal, todos os tratamentos são para prolongar a vida dela, não há chance de cura. Ela começa a frequentar um grupo de apoio depois de diagnosticada com depressão, e lá ela houve o conselheiro Patrick falar de como se curou do câncer e todos falando seu nome, seus diagnóstico e por assim vai, ela sempre troca suspiros de irritação com outro adolescente, Isaac, ele teve câncer em um dos olhos e agora usa um olho de vidro. Certo dia, em um dos encontros Isaac leva seu amigo Augustus, que perdeu a perna devido a um câncer, para fazer companhia a ele, quando vai dar a notícia de que o câncer agora está em seu outro olho e ele irá ficar cego (Depois que eles se aproximam mais Hazel fala pra ele: mas não foi legal esse negócio de ficar cego – Hazel! Ele não tem culpa!). Depois do grupo, Augustus chama Hazel para sair e assim a história começa. O livro é encantador, apaixonante, hilário e trágico. 
Eu fico em dúvida se minha resenha será boa o suficiente para descrever tudo o que esse livro tem de bom. Acho que quando eu percebo erros ou coisas que me desagradam no livro é muito mais fácil de apontar, mas quando ele é bom, e quando tudo nele é bom como nesse livro, fica complicado descrevê-lo. O livro é muito real em muitos aspectos, as pessoas que tem câncer enfrentam uma série de dificuldades, e como o autor coloca, não é consequência do câncer, é consequência de se estar morrendo. As pessoas tratam você de forma diferente (o que as vezes eles usam a favor e outras é extremamente incômodo) é muito difícil você manter relacionamentos com pessoas que você tem pouco em comum, ainda mais com as debilidades que a doença gera e a perspectiva que se torna diferente, é horrível pensar em sua família, na dor que eles enfrentam pelo seus estado de saúde, e em como sua futura ausência irá afetá-los. Ainda assim, apesar de todas as dificuldades Hazel, Issac e Augustus enfrentam tudo com muito companheirismo, com muita força de vontade e com uma pitada de humor incrível. Quando todos tentam passar a mão na cabeça e falar que tudo vai ficar bem, e eles sabem que não vai ficar bem, eles simplesmente adicionam uma dose de humor, não pelos outros, mas por eles. É extremamente triste você ver uma pessoa que sabe que vai morrer a qualquer minuto (sei que todos morreremos um dia, mas a realidades deles é muito mais marcada por isso) pensar: “se eu conseguir viver por mais uma semana” e lá está você torcendo para que Hazel tenha todas as semanas que precisar.
Quando estava acabando de ler esse livro comecei a chorar desesperadamente, já era quase meia-noite, minha mãe saiu do meu quarto e perguntou: o que tá acontecendo? E eu falei: o livro é muito triste! (com voz de choro) e ela: não acredito que você tá chorando por causa de livro! (eu choro muito com livros, mas não tão alto) e eu: mas é muito triste, para de ser má. (minha mãe com cara de quem aparentemente está segurando o riso) fala: tira essa cachorra da cama – e vai embora. 
Ri muito, chorei também, um livro encantador, fofo, triste, trágico, tudo junto. Um turbilhão de sentimentos que poucos livros conseguem causar no leitor. Esplêndido!

Volume único.