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8 de dezembro de 2013

A garota que eu quero

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[muito bom]

Eu recomendo: A garota que eu quero
Autor: Markus Zusak
Editora: Bertrand Brasil
           
Trilogia dos Irmãos Wolfe:
A garota que eu quero é o terceiro volume dessa série, se você não leu O Azarão e Bom de Briga o texto a seguir pode conter spoilers.

Sinopse:
Cameron não faz muita coisa da vida, vai a escola, ajuda o pai no trabalho aos sábados, saí com Rube e suas namoradas, visita Steve, anda sem rumo pela cidade. Ele pensa como Octavia, a namorada de Rube é legal, mas ela não vai durar muito tempo, nenhum delas dura. Ele acredita que nunca mais irá vê-la, mas ela o procura, não Rube, ele, Cameron. Ela quer que conhecê-lo, saber mais sobre ele, ela o entende mesmo quando ele não consegue se expressar, ela também quer falar de si, quer que ele a conheça. Mas sua vida não se limita a ela, ele tem a relação com sua família, principalmente seus irmãos e até com Miffy (o cachorro do vizinho), ele terá desavenças e decepções, mas ele quer ser mais, ele tem fome, ele é um Wolfe.

Meu cantinho:
Antes de qualquer coisa, eu preciso dar uma alerta sobre esse livro: não leia ele como se fosse uma história a parte. Entendo que a Intrínseca publicou ele como se fosse um livro a parte, mas a verdade é que ele é o último livro de uma trilogia, e muito boa por sinal. Eu cansei de ouvir leitores que não gostaram dele, mas a maioria dessas reclamações veio de pessoas que não leram os livros anteriores. E acredite, pensando nele como um bloco isolado, posso entender como ele deve parecer desconexo, sem falar que é um processo inteiramente novo se adaptar a escrita dessa série, tão singular. Acho que quem se depara com Cam nesse livro não deve simpatizar com ele de cara, mas para quem está acompanhando a família Wolfe desde o primeiro livro, acredito que deve estar tão encantada quanto eu.
Quando eu acabei de ler Bom de Briga eu estava muito empolgada e corri para ler A garota que eu quero. Acontece que eu peguei o livro, abri, li a primeira linha e devolvi para a estante. Você deve estar se perguntando o que aconteceu com toda a minha empolgação, bem, ela foi pelo ralo por conta da diagramação. Eu não sei exatamente o que está aconteceu com o direito dos livros dessa série, sei que a série dos Irmãos Wolfe é um trabalho antigo, e que a Bertrand tinha o direito dos dois primeiros livros. Acontece que a Intrínseca atualmente tem o direito sobre os trabalhos do autor, e depois que ela publicou A menina que roubava livros (que eu já li, mas ainda não resenhei aqui) o autor ganhou grande visibilidade. A Bertrand que tinha o direito dessas duas obras dele decidiu publicá-las, pegando uma aba no recente sucesso do autor. Ela publicou os dois primeiros livros, a Intrínseca que tinha o direito do último livro sofreu certa pressão e o publicou, mas não relacionou com os demais livros, não faz qualquer menção ao fato dele fazer parte de uma trilogia, como se fosse um livro avulso. Vi até comentários de pessoas no skoob que falaram que entraram em contato com a Intrínseca e que ela declarou que esse não é o último livro da série, que é uma história a parte dos irmãos Wolfe. Espero de verdade que a editora não tenha feita essa falsa declaração. Enfim, ela publicou esse livro, tentando desvinculá-lo dos demais livros e isso acabou refletindo na diagramação do livro. Os dois primeiros são menores, esse é um livro grande. A capa dos dois primeiros são semelhantes, e totalmente de acordo com o que se passa no livro, a fonte é simples, grande, com um espaçamento bom, até a fonte de numeração dos capítulos está em harmonia. Você tem tempo para respirar e seguir o tempo da leitura com os pensamentos de Cam. O livro publicado pela Intrínseca tem uma capa boba, que sugere algo que não é, não se parece com a vida de Cam, não parece ligada ao livro. A fonte é minúscula, eles fazem um livro com páginas enormes e colocam uma fonte do tamanho de formigas, com um espaçamento apertado, e deixam sobrar espaços gigantes no final do capítulo. Eu costumo adorar o trabalho de diagramação e arte de capas da Intrínseca, mas dessa vez eles erraram muito feio. Depois de seguir com dois livros esteticamente maravilhosos, ver o terceiro me deixou receosa e levei meses para pegá-lo novamente. Lógico que o livro em si, a estória, continua maravilhosa como os demais.
O livro segue o mesmo ritmo dos livros passados, a estória principal e no final de cada capítulo um texto a parte, dessa vez, o que temos são os textos de Cam. Recentemente ele tem começado a escrever (isso me lembra da observação que eu fiz na minha resenha sobre o primeiro livro, no qual ele termina com a impressão que ela vai dar início a vida dele como escritor), ele fala que é tudo o que tem, as palavras, que carrega consigo, com as quais tenta se expressar.
Os meninos não lutam mais, mas o início do sucesso de Rube com as garotas devido ao ring não chegou ao seu fim. Ele sempre começa a namorar uma menina, passa algumas semanas, então ele a dispensa já com outra em vista, e assim vai. Cameron continua sem se envolver, ele não tem iniciativa, ele não tem coragem de se aproximar de qualquer menina. Tudo o que ele faz é ficar parado na frente da casa da garota que o dispensou, que o chamou de perdedor, que queria ficar com o Rube e que ele humilhou. Atualmente Rube está com Octavia, divertida e interessante, mas o tempo dela está chegando ao fim, só que ela não faz drama nem se humilha quando Rube começa a inventar desculpas e se afastar, ela simplesmente põe um ponto final em tudo. Cameron acredita que nunca mais irá vê-la, mas certo dia ela vai atrás dele e pede que ele fique na frente da casa dela. Ela é compreensiva, entende seus silêncios, ao mesmo tempo em que consegue fazê-lo falar de si, ela dá espaço para que ele seja ele mesmo, para que compartilhe as coisas. Entretanto, ele não contou para Rube que está vendo Octavia e pode apenas imaginar como o irmão irá reagir. A verdade é que ele já está com outra, Julia, que Cam sabe que é uma vadia (me desculpe o uso desse termo, mas é exatamente assim que ele se refere a ela), aquela que trará problemas para seu irmão, o que não demora a chegar através de telefonemas ameaçadores de outro cara com quem ela saí. O desfecho dessa situação é inusitado e o que Cam faz por Rube é inacreditável. Além da relação entre os dois, há também a relação entre Cam e Steve. Steve se mostra um cara maravilhoso, alguém com quem Cam se entende sem que seja necessário se dizer nada. Entretanto, ocorre algo muito triste (apesar de sincero) entre os dois e o desfecho dessa situação foi muito interessante também pois acabou se conectando ao final da situação das ameaças que Rube recebia.
O livro não tem um foco, é uma série de coisas que sucede na vida de Cam, a vida amorosa inexistente, o sucesso do Rube com as garotas, a preocupação com a irmã, a escola, suas palavras, o trabalho aos sábados com o pai, as andanças pela cidade, as visitas ao Steve, a aproximação de Octavia, desentendimentos, uma morte inesperada (e um enterro inusitado para não dizer hilário).  É uma escrita diferenciada como a dos outros livros, mas muito interessante do seu modo. Cameron é nosso narrador, ele é um cara, por isso pensa e se expressar como um – sinto muito aquelas que acharam que isso seria um livro romântico e tiveram que se deparar com Cameron falando coisas sobre se masturbar, ou fica olhando mulheres em revistas – para aqueles que não o conheciam, devem ter levado um susto, mas eu já estava familiarizada com esse Wolfe. Na verdade, estava encantada com toda a família Wolfe e preciso dizer que sentirei falta dela.

Volume final.

21 de outubro de 2013

Bom de Briga

««««««
[ótimo]

Eu recomendo: Bom de Briga
Autor: Markus Zusak
Editora: Bertrand Brasil
           
Trilogia dos Irmãos Wolfe:
Bom de Briga é o segundo volume dessa série, se você não leu O Azarão, o texto a seguir pode conter spoilers.

Sinopse:
Cam e Rube estão com problemas em casa: o pai ficou desempregado e se recusa a pedir o seguro desemprego, o que deixa Steve com raiva, ameaçando sair de casa, e faz com que a mãe deles precise trabalhar dobrado. Alheia a isso e vivendo seus próprios problemas está a irmã deles, destruída após o termino de namoro, saindo para beber e ganhando uma reputação ruim. Cam e Rube não gostam disso, o que faz com que Rube brigue e vença um menino falando mal de sua irmã. O boato corre e um organizador de lutas vem convidá-lo para lutar, quando vê os irmãos lutando decide chamar os dois. Eles aceitam lutar e vão descobrindo cada vez mais sobre si e vivendo conflitos e enfrentando seus medos.

Meu cantinho:
Quando li o primeiro livro dessa série foi uma total surpresa porque esse não era o tipo de escrita que eu esperava de Markus Zusak, já li dele A menina que roubava livros e Eu sou o mensageiro (seus livros mais famosos e que infelizmente ainda não resenhei aqui) e são trabalhos completamente diferentes. Nesse segundo livro acho que já estava mais habituada com essa escrita e a construção da narrativa, sendo assim foi uma leitura muito mais fácil.
As coisas estão um pouco complicadas para a família Wolfe, Cam e Rube continuam na mesma situação do livro passado, com idéias mirabolantes, mas sem colocar as coisas em prática e sem fazer nada de produtivo. O pai deles sofreu um acidente no trabalho e acabou ficando um bom tempo sem trabalhar, mas agora que está recuperado não consegue achar emprego algum. Ele chega ao ponto de bater de porta em porta na rua, mas mesmo assim não consegue nada e seu orgulho lhe impede de pedir o seguro desemprego. Steve, o irmão mais velho, está com muita raiva do pai pela recusa em pedir o seguro desemprego, assim como em receber ajuda dele para pagar as contas de forma que ele ameaça sair de casa e deixá-los de vez. O desemprego do pai deles obriga a mãe já exausta a trabalhar cada vez mais. Já a irmã deles está arrasada pelo termino do namoro e começa a sair muito, voltar tarde e extremamente bêbada. Boatos começam a rolar a respeito da irmã deles, os meninos ficam com raiva e Rube acaba batendo em um rapaz que resolve ofender sua irmã. A notícia da briga se espalha e Perry encontra Rube e diz que está interessado nele, que tem ele organiza lutas ilegais e gostaria dele para a nova temporada, quando Rube luta contra Cam Um Soco para mostrar a Perry o que é capaz ele decide chamar Cam para lutar, porque sabe que ele não é bom, mas afirma que ele tem coração e que isso conquista a platéia. Os meninos decidem aceitar e enquanto Cam tem muito medo a princípio, Rube ganha todas suas lutas, as meninas se jogam nele, Rube parece ficar mais distante, mas a verdade é que ele está enfrentando seus próprios medos. Creio que não posso falar muito sobre essa parte já que é uma das mais interessantes e já envolve o final que não pretendo revelar, mas foi um livro muito gostoso de ler, gosto da relação entre os irmãos, assim como de família que eles têm, definitivamente uma obra magnífica. Gostei tanto que quando acabei fui correndo pegar o terceiro livro da série que eu já comprei. Acontece que por uma questão de venda de direito autorais o livro foi lançado por uma editora diferente, a Intrínseca. Normalmente gosto muito do trabalho da editora, mas a verdade é que ela tentou desvincular esse livro dos demais livros da série, como se fosse um volume único, o livro tem um estilo de capa, de tamanho e diagramação completamente diferentes. Quando abri o livro e vi aquela fonte minúscula com aquele espaçamento simples, acabei deixando ele de lado para ler outro livro.
Para fechar gostaria de falar sobre o trabalho da editora com a capa e a diagramação. A diagramação segue o mesmo do padrão do primeiro livro, o que é ótimo, porque odeio quando livros de uma mesma série ficam destoantes (por isso meu desgosto com o terceiro livro da série). Gosto da fonte, da numeração do capítulo e do espaçamento folgado que não cansa a vista na hora da leitura. A capa tem tudo a ver com o livro, acho isso perfeito, porque não tem nada pior do que capas enganadoras e destoantes! Essa capa também saiu com uns efeitos de brilho em relevo (mas nada “brilhoso demais”), esteticamente está um trabalho perfeito.

Continuação:
O próximo livro da série é A garota que eu quero, assim que eu ler posto a resenha para vocês. 

12 de junho de 2013

O Azarão

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[bom]

Eu recomendo: O Azarão
Autor: Markus Zusak
Editora: Bertrand Brasil

Sinopse:
Cameron Wolfe parece ser um caso perdido. Ele tem apenas 15 anos e quase sempre acaba sendo influenciado pelo seu irmão mais velho, Rube, que não faz nada de bom da vida e só pensa em roubar e cometer pequenos crimes que nunca se realizam. Ele conhece uma menina e se apaixona, ele começa a ajudar o pai no trabalho para conseguir uns trocados, ele ajuda o ex melhor amigo que se meteu em confusão, ele se diverte com os amigos e quase mata o cachorro do vizinho, ele tem o coração partido, ele briga, arruma confusão, decepciona a mãe, se sente solitário, mas decide tentar, porque não quer ser um perdedor, ele é um lutador.

Meu cantinho:
Esse foi um livro que li muito rápido, já que ele é bem pequeno e fininho (deu para ver na caixinhade correio em que postei foto dele). Confesso que não é o meu livro preferido do autor, dele eu já li Eu sou o mensageiro e a A menina que roubava livros (que ficou muito famoso e que vai até virar filme), mas eu não resenhei nenhum desses dois no blog. Não que o livro seja ruim, mas ele é completamente diferente da escrita do autor com a qual estou habituada, na própria orelha do livro está escrito que essa foi a primeira tentativa de um livro para um público juvenil em um momento no qual o autor estava tendo dificuldades em desenvolver outras histórias.
Como eu disse, a escrita desse livro foi um tanto quanto diferente, acho que não sei explicar exatamente o que é estranho. O narrador é o personagem principal, que fala de coisas até comuns, acredito eu, na vida de um garoto, mas o modo como tudo é escrito é singular. Os capítulos narram passagens da vida de Cameron, onde nada de extraordinário acontece, e no final de cada capítulo é relatado um sonho ou um pesadelo que ele teve relacionado aquele momento, aos acontecimentos que viveu recentemente. A vida de Cameron, acredito eu, é a vida de todo rapaz: meninas, amigos, futebol, brigas, dinheiro. Apesar de ser uma garota me identifiquei com algumas coisas que Cameron fazia, como por exemplo, sair para caminhar para colocar os pensamentos em ordem, as implicâncias entre irmãos ou como as vezes temos um grande amigo do qual nos afastamos e quando o reencontramos vivemos aquela situação embaraçosa de silêncio. Outras coisas eu vivenciei através de meus amigos, lembro que na minha escola os meninos se reuniam em lugares escondidos e brincavam de lutar, coisa que Cameron faz com seu irmão (até hoje não entendo essa necessidade que os meninos têm de brigar). Seus sonhos, que são o reflexo de tudo o que vive são muito interessantes, alguns nem tantos, mas outros podemos perceber o reflexo de todo os medos, inseguranças e mudanças que Cameron sofre.
Acho que o autor coloca esse como seu primeiro livro para o público juvenil porque, apesar do nosso personagem não viver nenhuma aventura excepcional, ele vive coisas com as quais todo o leitor jovem vai se identificar, porque todos já passamos por algo assim, um amigo, uma briga, um momento de solidão, uma paixão, uma tentativa, um pé na bunda, dúvidas acerca do futuro, o amadurecimento. Na verdade, ao ter lido a orelha do livro após ter terminado as últimas páginas do livro, eu acredito que o autor colocou muito de si, e fico imaginando se Cameron não é um reflexo da vida do autor, as brigas com os irmãos, as dúvidas, e o início de sua vida como escritor. Esse é um livro para aqueles que não procuram nada de excepcional, mas uma história verdadeira, com a qual vai poder se identificar.

Continuação:
Eu não fazia ideia de que esse livro teria continuação, na verdade ele faz parte da trilogia dos Irmãos Wolfe, o próximo livro se chama Bons de Briga.