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23 de julho de 2014

Iniciada

[bom]

Eu recomendo: Iniciada
Autora: Amanda Hocking
Editora: Rocco

Série Trylle:
Iniciada é o terceiro volume dessa série, se você não leu Trocada e Dividida o texto a seguir pode conter spoilers.

Sinopse:
Elora está doente e Wendy começa a assumir aos poucos as obrigações do reino. Ela abriu definitivamente mão de Finn e irá se casar com Tove para que consiga apoio para seu reinado e possa tentar por fim aos conflitos existentes. Contudo, assim que assumir o trono o acordo de paz com os Vittra terá fim e uma guerra será inevitável, na realidade eles já tem tido problemas, pois o acordo de paz foi oferecido a Förening e não aos changeling que começaram a ser caçados pelos Vittra. Wendy corre o risco de perder não apenas o reino, mas todas as pessoas que ama. Ela precisa achar um modo de matar seu próprio pai e por fim a guerra.

Meu cantinho:
O acordo de paz entre os Vittra e os Trylle é muito frágil e nem todos os detalhes foram pensados. A anistia foi oferecida apenas a Förening portando os Vittras começaram a atacar todos os changeling que estão fora da proteção do acordo. Isso forçou Wendy a mandar todos os rastreadores a campo para proteger as crianças que estão fora do reino, deixando o palácio desprotegido caso os Vittra quebrem o acordo. De qualquer forma o período de paz é curto, já que Elora está extremamente debilitada e assim que morrer Wendy deverá ser coroada rainha e o pai de Wendy virá atrás dela, buscando conquistar Förening. No livro tem esse clima tenso, esse perigo iminente e o medo já que ninguém consegue achar um meio de matar o rei Vittra, mas a minha impressão é que eles quase não se preparam para enfrentar esse problema. Wendy tenta achar algumas coisas em livros, ela pede a Loki, que buscou anistia em seu reino, que treine os rastreadores, mas há tantas coisas que poderiam ser feito diante da inevitabilidade da guerra, só que parece que ninguém age. Eles fazem reuniões do conselho, se preocupam e discutem, mas nunca concretizam nada, o que me deixa extremamente angustiada. O livro inteiro fica nessa “suspensão” de ações, até que Wendy tem uma ideia do nada, bola um plano e finalmente parte para a ação o que já é quase no final do livro.
Além dessa tensão da guerra, o livro fica preso a vida amorosa de Wendy em oposição as suas responsabilidade. Eu acho que a Wendy está extremamente madura e responsável nesse livro, mas sinceramente, acho que a escritora deveria ter mostrado melhor a evolução dela. Ela assume todas as responsabilidades do reino, abre mão de Finn, se casa com Tove e não pensa duas vezes em colocar sua vida em risco se for para o bem de seu povo. A única coisa que balança ela um pouco é a presença de Loki e a atração que parece sentir por ele. Loki é o meu personagem preferido, estava torcendo por ele desde que demonstrou sentir algo por Wendy, já que Finn nunca foi homem o suficiente para lutar pela mulher que ama, e Loki sim.
O que mais me agradou nessa leitura foi o fechamento redondo. A autora não deixa espaço para dúvidas ou para a imaginação do leitor, ela esclarece como cada situação foi resolvida e como cada pessoa terminou. Para esclarecer tudo ela escreve um epílogo e depois desse ainda há um conto inédito da autora explicando como está tudo depois de passado alguns anos. Nesse ponto eu quero agradecer a editora por ter publicado o conto, muitas vezes as escritoras lançam esses pequenos contos que eu acho interessante, mas fico triste por não serem lançados de forma física, o que a Rocco solucionou publicando juntamente com o livro final.
No geral foi um livro bom, um pouco de enrolação demais até o final, para ter uma luta muito curta que foi solucionada de um modo muito rápido. Gostei do desfecho da vida amorosa de Wendy e como as coisas foram solucionadas e das explicações posteriores. No geral foi um final bom.

Volume final.

Nota:
Amanda Hockings anunciou uma nova trilogia chamada Karin Chronicles que se passa anos depois dos livros da série Trylle. Não será necessário ler essa primeira série para entender a nova, contudo alguns personagens dela irão aparecer nessa nova, como por exemplo, Ember Holmes, a irmã de Finn, que terá um papel importante nessa nova sequência. O primeiro livro Frostfire será publicado em janeiro do ano que vem.

22 de outubro de 2013

Dividida

[bom]

Eu recomendo: Dividida
Autora: Amanda Hocking
Editora: Rocco

Série Trylle:
Dividida é o segundo volume dessa série, se você não leu Trocada, o texto a seguir pode conter spoilers.

Sinopse:
Wendy fugiu para casa do seu irmão Matt e levou Rhys consigo, ao chegar lá seu irmão fica muito aliviado, mas acha extremamente difícil acreditar que Rhys é seu verdadeiro irmão. Entretanto, não sobra muito tempo para conversa já que ocorre um ataque dos Vittra e graças aos poderes de Loki, ela, Rhys e Matt são capturados. Ao ser levado ao encontro do rei Vittra ela descobre a verdade sobre seu passado e porque os Vittra a desejam tanto. Ela então perceberá que muita coisa está errada, mas que ela tem o poder para mudar tudo, o que ela precisar é aprender a controlar e desenvolver suas habilidades e assumir o trono, mas isso significa abrir mão de Finn. 

Meu Cantinho:
Eu fiquei muito empolgada no final do livro passado com a fuga de Wendy que ainda por cima levou Rhys para conhecer sua verdadeira família. Quando ela volta para casa encontra apenas Matt, já que sua tia Maggie estava viajando a sua procura. Wendy não esclarece onde estava, afirma apenas que fugiu para garantir a segurança de todos e que Rhys é seu verdadeiro irmão, óbvio que com a parca explicação Matt não acredita em nada do que ela diz, mas deixa a situação passar. Assim que descobre sobre o desaparecimento dos dois, Finn saí para procurá-los, quando ele chega Wendy se recusa a ir com ele. Logo em seguida aparece Duncan, o rastreador oficialmente designado por sua mãe para que a encontrasse. Ducan é um personagem muito estranho, você fica pensando como ele pode ser um dos melhores rastreadores e como a rainha pode confiar nele com esse jeito desastrado e lento, mas a verdade é que Duncan pode acabar sendo subestimado e que ele é um personagem até simpático e sensível. Wendy se recusa a ir e Finn convence Duncan de que é melhor dar um tempo a ela, mas a verdade é que não sobra tempo para nada pois logo em seguida os Vittra aparecem e seqüestram Wendy, Rhys e Matt. Wendy é levada a presença do rei e lá ela descobre que é extremamente desejada porque ela herdará o trono dos Vittra, já que o rei é seu pai. Um casamento entre ele e sua mãe foi arranjado a muito tempo e Wendy tem a qualidade dos dois povos e por isso ela é muito poderosa. Mas a verdade é que o rei ainda não contou tudo, e ela percebe que ele não é uma pessoa confiável e que tem um temperamento extremamente explosivo. Ela tem medo do que ele fará a ela, assim como a Rhys e ao seu irmão, mas ela é resgatada por Duncan, Finn e Tove. Nesse ponto eu preciso dar um destaque ao Tove, ele é um personagem que cresceu muito e que me conquistou, ele tem toda uma dificuldade de convivência devido as suas habilidades que o consomem de uma forma imensa, além de ter seus problemas pessoais, mas é uma pessoa de boa índole e que está sempre pensando no bem maior e apóia Wendy pois acredita que ela e será capaz de mudar a situação do povo para melhor. Após seu resgate Wendy confronta sua mãe, finalmente as coisas começam a se esclarecer, muitas das coisas que ficarem em aberto agora tem um explicação e é bom finalmente ver a Wendy tendo uma maior noção do que está acontecendo, que foi uma das minhas grandes críticas ao livro passado, o fato dela ser a princesa mas não saber de absolutamente nada. Agora que Wendy tem real dimensão da situação, ela começa a se esforçar e percebe que terá de abrir mão de muitas coisas se quiser fazer o que é correto e atender as expectativas que todos esperam dela.
Uma das críticas que tenho a esse livro é a mudança que ocorre em Matt, eu realmente gostei dele no livro passado e me ressenti que sua participação fosse pequena, e apesar dele estar mais presente nesse livro ele não parece mais o personagem que era antes. Entendi a princípio o receio e até o medo que ele sentiu de Wendy ao descobrir que ela não era humana, mas a verdade é que ele salvou ela da morte, ele criou ela e sua preocupação por ela era gigantesca. Nesse livro ele está morando com ela, mais perto dela, mas mesmo assim ele parece não se importar tanto com ela, ela passa por coisas complicadas e precisa aceitar certas condições diante de sua posição que eu achava que o Matt iria se impor e defendê-la, mas não foi o que aconteceu. Também acho, agora que ele descobriu que Wendy não era sua irmã e que sua mãe não estava errada (apesar de que tentar esfaquear uma criança não é certo), acho que ele deveria procurá-la e tirá-la do sanatório, afinal de contas deve ser horrível a mulher saber que espera um filho homem, dar a luz, encontrar uma menina extremamente diferente de você, de seu marido e extremamente insuportável e mimada como ela era quando criança. Eu realmente queria ver o encontro dela com Rhys.
O livro ficou mais interessante, os buracos são menores e estou curiosa para saber como as coisas vão ficar. Wendy gosta de Finn, mas não pode ficar com ele devido a sua posição, ela também está se sentindo atraída por Loki após conviver mais com ele, mas a verdade é que esses dois relacionamentos são impossíveis já que ela tem um casamento arranjado. Ela tem que assumir o lugar de sua mãe que inclusive está muito doente, mas a verdade é que ela também é herdeira do trono dos Vitta. Os Vitta tem seus próprios problemas devido a demasiada longevidade e a dificuldade de procriação, eles não tem poderes mas em compensação tem uma força física extraordinária. Acredita-se que ela herdou isso do pai o que facilitará que use seus poderes já que por parte de mãe, quando os trolls usam seus poderes, eles acabam envelhecendo mais rápido. Ela precisa aprender a usar rapidamente seus poderes porque as disputas contras os Vitta estão aumentando e também precisa buscar um modo de melhorar a vida do seu povo, já que a elite está tão presa a coisas fúteis, que não sabem lutar, que não se esforçam, enquanto o resto do povo vive em condições precárias. Espero que a autora continue crescendo na sua escrita e que o próximo livro seja ainda melhor.

Continuação:
[Atualizado] O próximo livro da série é Iniciada. Você pode ler a resenha dele aqui.

12 de outubro de 2013

Trocada

[bom]

Eu recomendo: Trocada
Autora: Amanda Hocking
Editora: Rocco

Sinopse:
Wendy foi criada por seu irmão mais velho Matt e sua tia, já que seu pai morreu quando ela era bebê e sua mãe tentou matá-la ainda quando criança e hoje está internada. Entretanto, ela sempre foi uma garota problema, nunca conseguiu fazer amigos no colégio, acabava sempre sendo expulsa. Eles estão agora se mudando para uma nova cidade e tentando um novo começo, ela quer fazer com que as coisas sejam diferente, causa menos incomodo e recebe um estímulo a mais com a presença do aluno novo Finn que está sempre a observando. Acontece que as coisas não são como ela esperava, na verdade ele é um rastreador que está atrás de Wendy por ela ser uma troll, ela na verdade é uma changeling, e quando bebê foi colocada no lugar de outra criança para ser criada por uma família humana rica, mas agora que seus poderes estão aparecendo e ela está perto de completar 18 anos ela precisa retornar a sociedade troll. Acontece que ela não é apenas mais uma changeling, ela é a princesa e um grupo contra ao de sua mãe, os Vittra, querem a todo custo capturá-la.

Meu cantinho:
Aqui estou eu e o resultado de uma compra por impulso, não fazia nem idéia do que se tratava o livro mais a minha mente funcionou mais ou menos assim: Trocada é da Rocco que só lança livros que eu adoro, tipo Harry Potter, Divergente, Jogos Vorazes, Luxo, então deve ser uma série boa... Se eu comprar o combo do livro um e o livro dois (dividida) eu vou economizar cinco reais do que comprando os dois separados (sei que é uma miséria de economia, mas a verdade é que qualquer desconto é uma justificativa para compradores compulsivos) e eles estavam baratos, não paguei nem vinte reais em cada e a Rocco é maravilhosa, mas é sempre muito, muito cara! Eu por exemplo paguei 42 reais no meu Brisingr, 46 no meu Inveja, de forma que considerei esses livros quase de graça. Acontece que o valor fez jus a história, o livro é bom, mas nada excepcional.
Acho que o livro deixa alguns buracos, além de muitas coisas não respondidas, e não é como se a autora estivesse criando um clima de mistério, é mais como se não soubesse responder e estivesse adiando as respostas. Até parece que se alguém bate na sua janela e te convence de que você é um troll, além de princesa, e você não vai ter vinte milhões de perguntas rodando na sua cabeça e não vai começar a exigir por respostas! Ela pergunta algo que Finn ou não responde ou cria mais dúvidas e ela deixa de lado, como se não fosse importante, como se tudo bem ficar sem saber absolutamente nada. No começo o que Finn responde para quase tudo é que a mãe dela vai explicar e eu fico super ansiosa para o encontro das duas, mas quando isso acontece, ela dá uma introdução básica, sendo que metade das coisas é algo que o Finn já falou e acabou. Não responde perguntas, não tem paciência, não explica nada do que é importante, mas para que explicar tudo quando ela só é a princesa e deve assumir toda a responsabilidade pelo reino, não é mesmo? 
Para piorar tem uma falha horrível na conversa das duas. Ela aponta a prática de troca de crianças trolls por crianças humanas com três justificativas: a primeira é o colégio, a segunda é infância e a terceira é dinheiro. Bem, sobre a primeira justificava, umas três páginas depois ela se contradiz porque afirma que os colégios humanos preparam as pessoas para um vida de servidão e eles querem uma vida completa e livre. Achei que um dos motivos eram bons colégios, mas se ensinam apenas as pessoas a servidão, não devem ser bons, não é? O segundo motivo é a infância, acontece que pode haver uma rejeição dos changeling pelas mãe de criação como foi o caso de Wendy, onde as mães percebem que seus filhos não são seus e tentam machucá-los. Sem falar que uma infância seria muito melhor ao lado dos seus pais, nos meio dos seus iguais. De forma que eu considero esse argumento dela inválido. Por último tem a questão do dinheiro, que eles inserem as crianças em famílias ricas para que quando retornarem ao seu verdadeiro lar tragam consigo o dinheiro. Mas se eles já fizeram isso tantas outras vezes não deveria haver um “dinheiro em caixa”, ou eles não poderiam administrar melhor (parar com gastos fúteis como festas, jóias, vestidos), ou investir esse dinheiro, aplicar, para que eles não precisassem mais abandonar seus filhos nas mãos de humanos que eles tanto desprezam? Sem falar que eles falam como alguns não querem voltar ou situações assim; se eles são tão poucos esse é um risco que eles não deveriam correr.
Quanto as personagens, preciso dizer que tirando a aceitação fácil de Wendy e a falta de vontade dela em perguntar e descobrir mais sobre a sua nova realidade, ela foi uma personagem relativamente bem construída. Já tenho sérios problemas com Finn, a autora tenta montar a imagem de um cara reservado mas com “rachaduras” diante de seu interesse por Wendy, só que no fim ele apenas ficou parecendo um cara bipolar. No começo do livro, quando eles dançam junto no baile realmente achei que ele tinha algum tipo de transtorno mental. Já Matt é um personagem que gostei muito, o tipo de irmão protetor, carinhoso, decidido, com uma personalidade forte, mas infelizmente ele não aparece tanto no livro quanto eu gostaria. Rhys é um personagem que aparece mais para frente, um mänskling, e a autora o descreve com uma personalidade tão fofa, que o imaginei como um menino de 12 anos fofinho querendo agradar, mas na verdade ele tem a mesma idade de Wendy, acho que faltou uma adequação de idade e maturidade a ele.
Apesar dos buracos, da falta de explicação, de alguns personagens serem mal construídos, o final do livro foi interessante e me deixou curiosa pelo próximo.

Continuação:
[Atualizado] O próximo livro da série é Dividida. Você pode ler a resenha dele clicando aqui.