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8 de fevereiro de 2015

O presente do meu grande amor

[ótimo]

Eu recomendo: O presente do meu grande amor
Autores: Holly Black, Ally Carter, Matt De La Peña, Gayle Forman, Jenny Han, David Levithan, Kelly Link, Myra McEntire, Stephanie Perkins, Rainbow Rowell, Laini Taylor, Kiersten White.
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Nesse livro organizo por Stephanie Perkins, temo uma coletânea de doze contos de história de natal. Temos “Meias-Noites” da Rainbow Rowell, “A Dama e a Raposa” de Kelly Link, “Anjos na neve” de Matt De La Peña, “Encontre-me na estrela do norte” de Jenny Han, “É um milagre de Yule, Charlie Brown”, de Stephanie Perkis, “Papai Noel por um dia” de David Levithan, “Krampuslauf” de Holly Black, “O que diabo você fez, Sophie Roth?” de Gayle Forman, “Baldes de cervejas e menino Jesus” de Myra McEntire, “Bem-vindo a Christmas, Califórnia” de Kiersten White, “Estrela de Belém” de Ally Carter, e por fim “A garota que despertou o sonhador” de Laini Taylor.

Meu cantinho:
Eu comecei a ler esse livro no final do ano passado e gostei muito, mas acabei passando outros livros na frente e só retomei a leitura esse ano. Eu gostei muito desse livro, geralmente quando eu leio coletâneas, tem sempre um que se destaca enquanto a maioria deixa a desejar, o que não aconteceu com esse livro. Eu conheço diversos dos escritores que compõem esse livro, já li trabalho deles, ou já ouvi falar coisas positivas. Quem reuniu esse grupo foi muito feliz, pois são todos escritores de qualidade, com trabalhos maravilhosos. A seguir vou falar um pouco de cada um dos trabalhos deles.
Começando com “Meias-Noites” da Rainbow Rowell. Dela eu já li Elanor&Park e Fangirl. Ela é o tipo de autora da qual eu não sei o que esperar, ela sempre me encanta ao mesmo tempo em que confunde gerando sentimentos ambíguos em relação aos personagens. Essa história não foi diferente, eu confesso que gostei muito do conto, dos personagens, ao mesmo tempo em que odeio algumas atitudes deles – mas acho que isso no fim, só os torna mais reais, pois eles parecem mais humanos. Ela começa na meia-noite de 31 de dezembro 2014, nos apresenta Mags que aparentemente está de coração partido por conta de Noel. Depois disso, ela apresenta a meia-noite do mesmo dia de anos anteriores e podemos conhecê-los um pouco mais. Mags e Noel são amigos com personalidade muito diferentes, mas que se dão muito bem juntos. Acontece que Mags parece nutrir sentimentos além da amizade por Noel, mas toda meia-noite de cada ano novo ele escolher entrar beijando outra menina, enquanto ela fica sozinha. Eu não gosto de Noel por não perceber o sentimento de Mags, ou fingir não perceber durante tanto tempo, e não gosto de Mags por não conseguir de fato lutar por quem ela gosta. Ao mesmo tempo adoro a personalidade despojada de Noel e me agrada muito o jeito doce da Mags. Um conto que me causa sentimentos conflitantes, mas do qual eu definitivamente gostei.
Em seguida temos “A Dama e a Raposa” de Kelly Link. Eu não conhecia a autora, mas gostei muito do conto dela, ela mistura mistério e um pouco da magia de natal. Ela nos apresenta Miranda, uma garota que sempre passa o natal com a família Honeywell, por ser afilhada da Elspeth, que vem de família abastada, totalmente diferente da realidade em que vive. Toda noite de natal, quando neva, ela se depara com um jovem rapaz, Fenny, que fica do lado de fora, olhando para dentro da casa. Conforme os anos passam, ela espera ansiosamente seu encontro com ele, torce para que o natal chegue logo e para que haja neve, caso contrário ele não aparece. Miranda vai amadurecendo e envelhecendo, mas Fenny parece parado no tempo. Ela se apaixona por ele e ele parece corresponder, agora ela precisa descobrir o que o levou para fora desse mundo e como fazê-lo ficar além das noites de natal. Eu confesso que o final do conto não foi tudo o que eu esperava, mas o desenrolar do conto foi sim muito interessante.
“Anjos na neve” de Matt De La Peña foi outro conto do qual eu gostei do desenrolar, mas que me decepcionou um pouco quanto ao final, pois passa uma sensação de inacabado. Shy é um rapaz que conseguiu uma vaga na universidade por sua inteligência, mas que passa por dificuldades financeiras para se manter, e morre de medo de decepcionar os pais. Ele aceita cuidar do apartamento do seu chefe e da gata enquanto eles viajam no natal, acontece que uma nevasca o deixa preso dentro do prédio, sem qualquer dinheiro (pois seu chefe não pagou adiantado) e sem qualquer comida, além de alguns potes de iorgute que estão na geladeira. Ele começa a passar fome e a repensar suas escolhas, quando uma das vizinhas de seu chefe, Haley, aparece com problema no encanamento e precisa de um lugar para tomar banho. Haley é desconfiada quanto a integridade de Shy, enquanto ele é orgulhoso para compartilhar seus problemas e pedir ajuda. Juntos eles compartilham as conversas mais estranhas e quando por fim seus problemas são expostos um está pronto para ajudar ao outro.
O conto “Encontre-me na estrela do norte” de Jenny Han foi o mais natalino no sentido mágico. Ela traz a história de Natty, uma menina de descendência oriental que foi abandonada por sua mãe no trenó do Papai Noel, que a adotou como filha. Hoje ela vive no Polo Norte, onde nenhuma garota humana jamais morou, ela vive cercada por duendes e acaba se apaixonando por um deles: Flynn. Ele parece não perceber Natty, e é sempre visto Elinor, uma duende linda, e juntos eles parecem formar um par perfeito. Natty tem que lidar constantemente com os comentários maldosos de Elinor sobre ela não ter um parceiro humano, mas a verdade é que ela já conheceu um rapaz uma vez quando saiu com Papai Noel e inclusive o beijou, mas seus sentimentos pertencem a Flynn. Esse conto foi particularmente curto, e eu fiquei encantada, apesar do final um tanto quanto triste que abriu um rombo no meu peito.
Eu adoro a Sthephanie Perkis, sou louca por Anna e o Beijo Francês, assim como por Lola e o garoto da casa ao lado. Lógico que o conto dela, “É um milagre de Yule, Charlie Brown”, também não fica para trás em qualidade. Foi definitivamente um dos contos que eu mais gostei! Marigold não está vivendo o melhor momento da sua vida, principalmente nessa época festiva, já que depois que seu pai largou sua mãe – porque ele tinha outra família – eles nunca mais comemoraram o Natal. Marigold faz curtas de comédia, e geralmente dubla todos, mas ela está tentando chamar a atenção de um estúdio em Atlanta, e precisa da voz de North. Ele é um dos rapazes da Família Drummond, que vende pinheiros no Natal em um terreno perto do seu apartamento. Quando ela ouve sua voz pela primeira vez, percebe que precisa dele como dublador. Ela tenta se aproximar dele e acaba saindo com uma árvore de natal gigante, que não tem como carregar, e sequer tem espaço no apartamento desorganizado onde vive, mas North a ajuda com a árvore, com o espaço, e alegra o natal de Marigold como a muito tempo não acontecia. É um conto divertido e terno ao mesmo tempo, definitivamente recomendo a leitura dele.
David Levithan é um dos meus autores preferidos, quando eu vi que ele tinha um conto nesse livro eu sabia que eu precisava tê-lo. Acontece que eu acabei me decepcionando um pouco com “Papai Noel por um dia”. O conto dele foi muito triste, muito trágico e muito sombrio. O rapaz se fantasia de Papai Noel para que a irmã do namorado (que não assumiu ele para a família) não se dê conta que o Papai Noel não existe, agora que o pai que fazia esse papel abandonou a família. No meio da noite ele se depara com a outra irmã rancorosa, com a mãe devastada e fica com medo de buscar aquele que ama. Geralmente você espera que um conto de natal seja contentamento, mas eu achei uma história muito pesada e triste.
O conto “Krampuslauf” de Holly Black foi outro mágico e um tanto quanto esquisito. Ele começa com um trio de amigas que vão bolar uma festa para desmascarar o namorado de uma delas que está traindo a garota. Acontece que elas começam a empolgar na festa e querem fazer um super evento e por acaso uma delas convida um garoto fantasiado de Krampus, o companheiro demoníaco do Papai Noel que transforma totalmente a noite - porque na verdade ele não é um garoto e seu corpo não é um fantasia. O conto foi estranho, tem um desenrolar um tanto quanto desconectado, acho que foi um dos que eu menos gostei.
“O que diabo você fez, Sophie Roth?” de Gayle Forman, foi um conto muito fofo que me surpreendeu. Sophie Roth é uma menina que indaga uma vez atrás da outra sobre o que ela está fazendo, porque parece que ela só comete um erro atrás do outro. Por ganhar uma bolsa integral ela acaba indo para uma universidade em uma cidade no meio do nada, onde todos parecem achar que ela é esquisita. Ela acaba ficando presa lá por conta dos preços da passagem e vai perder o Chanucá com sua família, e não tem ninguém para falar sobre isso, pois ali todos sabem apenas o que é o natal. Evitando ficar sozinha ela saí andando pela cidade quando esbarra com Russell. Um cara bacana, que parece entendê-la, não a acha estranha, e apesar de alguns “O que diabo você fez, Sophie Roth?” ela não coloca tudo a perder e recebe um verdadeiro milagre.
“Baldes de cervejas e menino Jesus” de Myra McEntire, foi um conto fofinho, engraçadinho, mas nada excepcional. Nele somos apresentados para Vaughn, um menino que teve problemas na infância e por conta disso acabou virando o típico “garoto problema”. Ele tem uma mente maligna que se amplia e consegue visualizar planos para as mais diversas traquinagens. Acontece que um desses planos tem conseqüências graves, com um pacote de bombinhas ele coloca fogo na igreja e a “opção” que o juizado de menores oferece é trabalho voluntário para a igreja que ele ajudou a queimar. Ele precisa ajudar a organizar todo o cenário da peça de fim de ano, que também foi queimada. Acontece que durante a peça, tudo parece dar errado, e Vaughn tem a chance de usar seu cérebro engenhoso para bolar um plano que ajude a todos, e quem sabe ainda conquistar Gracie, a filha do pastor da igreja, por quem ele está apaixonado.
O conto “Bem-vindo a Christmas, Califórnia” de Kiersten White, foi um conto bonito por falar a respeito de laços familiares, ter um foco no amor de uma família. A mãe de Maria fugiu do pai dela quando ela ainda era pequena, ela se estabeleceu na pequena Christmas e lá se casou com outro homem. Acontece que ela se vê como uma intrusa nessa família e junta todo o dinheiro que pode para fugir daquela cidade. Quando o novo cozinheiro da lanchonete da mãe chega a cidade, ela se vê encantada por um cara com um dom culinário, que sabe exatamente o que cozinhar pra lhe fazer feliz. Através desse dom e das conversas com ele, ela se abre com a mãe e descobre que nem tudo é como ela imaginava ser. Definitivamente um conto belíssimo, não falo mais sobre ele para não revelar spoilers, mas certamente me conquistou!
O conto “Estrela de Belém” de Ally Carter foi uma história bem diferente. Uma menina está fugindo do mundo, e no aeroporto ela se depara com uma garota desesperada, querendo ir para Nova York encontrar o namorado que ela ama, quando sua passagem a leva para o namorado com quem ela não quer estar. Ela gentilmente troca sua passagem com a garota, sem saber aonde irá parar. Ela então se depara com uma família, que mora totalmente isolada, que acha que ela é irlandesa, e com o namorado lindo de outra menina. Ela precisa desesperadamente fugir, mas o sentimento de aconchego e de amor de todas aquelas pessoas faz com que ela resista a ir embora. Achei interessante o final, porque não suspeitava do motivo pela qual ela estava fugindo, o fechamento foi certamente interessante.
Por fim temos “A garota que despertou o sonhador” de Laini Taylor, que foi um dos contos mais absurdos desse livro, o que é bem a cara da autora. Ela nos traz Neve, uma menina órfã, de cabelos rosa, que tem uma única chance de sobreviver: achar alguém que se interesse em casar com ela, caso contrário, quando se tornar maior de idade, certamente morrerá de fome naquela ilha. Acontece que o terrível pastor passa a cortejá-la, um homem ruim, que já desposou diversas mulheres, e todas morreram de forma terrível. Ela então pede forças a uma antiga entidade esquecida, e desperta um ser que está disposto ajudá-la, e que se encanta com sua pureza. Um conto diferente, com um final bem singular.
No geral todos os contos são muito interessantes, uma coletânea maravilhosa que vale a pena adquirir. Certamente recomendo a leitura.

Volume único.

10 de dezembro de 2013

Dias de Sangue e Estrelas

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[ótimo]

Eu recomendo: Dias de Sangue e Estrelas
Autora: Laini Taylor
Editora: Intrínseca
                
Trilogia Feita de Fumaça e Ossos:
Dias de Sangue e Estrelas é o segundo volume dessa série, se você não leu Feita de Fumaça e Ossos, o texto a seguir pode conter spoilers.

Sinopse:
Karou está trabalhando com o Lobo Branco, criando novas quimeras, mais fortes, tentando fortalecer e criar alguma defesa para as poucas quimeras que sobreviveram. Mas Thiago não quer criar uma defesa, ele quer atacar, massacrar anjos, mulheres e crianas, ele pouco liga para as quimeras civis que estão sendo mortas ou feitas de escravos. Akiva, seus irmãos e diversos outros anjos foram designados para matar quimeras civis, mas Akiva faz de tudo para salvar o máximo de quimeras. Quando começa a entender o que realmente está acontecendo, Karou começa a contestar Thiago, mas precisa tentar conquistar a confiança das outras quimeras que apenas a veem como amante de anjo.

Meu cantinho:
Vi algumas pessoas falarem que não gostaram desse livro, eu particularmente gostei bastante, mas entendo o motivo dessas pessoas. Comecei a ler achando que iria acompanhar Karou em sua busca por Brimstone e o restante de sua família, na esperança de trazê-los de volta a vida. Estava esperando ela ser enganada por Razgut, mas não aconteceu nada disso (apesar de que Razgut tem seu papel decisivo no final desse livro). Quando o livro começa Karou está com as quimeras, ela na verdade está trabalhando para Thiago, o Lobo Branco, ela está fazendo quimeras monstruosas, gigantes, com asas, para que essas possam ao menos tentar se defender do massacre orquestrado pelos anjos. As asas também são necessárias porque na fuga, Karou estabeleceu como base deles um lugar no mundo humano, no meio do deserto, de forma que as asas são necessárias para se atravessar para o outro mundo. Apesar da ideia desses novos corpos serem para uma defesa, esse não é exatamente o plano de Thiago, ele não liga para o povo, para os civis, o que ele quer é matar a maior quantidade possível de anjos, ele quer vê-los sofrer, matar mulheres e crianças anjos, marcar seu legado com terror. É lógico que Karou não percebe isso a princípio, mas me surpreendeu ela não ter questionado ele, pressionado mais, não ter duvidado. Thiago afirma que confia nela, mas por suas costas fala para todas as quimeras que ela é traidora, que não é confiável, que foi ela quem revelou ao anjo o segredo da ressurreição (o que na verdade foi ele) e proíbe qualquer um de ter contato com ela. Karou só fica sendo ofendida pelas quimeras e trabalhando em corpos, se esgotando pagando o dízimo, tudo para salvar as quimeras, para dar uma esperanças para seguir o legado de Brimstone, porque na verdade ela já foi buscá-lo, mas não encontrou nada. Essa passividade de Karou (que graças aos céus é temporária) é a única coisa que tenho a reclamar desse livro.
Zuzana e Mik têm um destaque nesse livro. Primeiro começa com Zuzana tentando entrar em contato com a amiga através de alguns e-mails bobinhos e dramáticos. Até que muito tempo depois Karou responde com o que parece ser uma charada e Zuzana acredita que a amiga precisa de ajuda e descobre onde ela está. Quando eles chegam lá eles acabam se entrosando muito bem com as quimeras e fazendo amigos! Eles são todo o humor que tem nesse livro, quando Zuzana fala que Thiago usou o sabão que lava mais branco eu desatei a rir! O problema da chegada deles é que Karou está começando a sair do “estado de torpor” e começando a questionar o Lobo, e ele começa a ameaçar seus amigos.
Karou está extremamente ressentida com Akiva, ela ainda o ama, mas não pode aceitar o fato dele ter destruído a sua família. Akiva saí a procura de Karou e não a encontra, ele acha  um turíbulo com um papel ao lado escrito Karou, e passa a acreditar que ela morreu, que é sua alma que está dentro do turíbulo e que não há ninguém capaz de trazê-la de volta. Os anjos agora estão coordenando um massacre as quimeras civis, é nesse momento que soldados quimeras criados por Karou contra atacam, massacram os anjos, deixam seus corpos expostos e deixam mensagens de terror. Os civis que estão sendo capturados por traficantes criam esperanças e esses mesmo soldados aparecem e massacram seus captores e os deixam livres para fugir. Temos então parte do livro contada por esses civis, a união de diferentes quimeras, se unindo para sobreviver. Diante da ação das quimeras soldados, os anjos respondem enviando mais soldados e incitando o massacre. Akiva e seus irmãos estão lá para matar quimeras, mas Akiva faz de tudo para salvá-los e quando Hazael também toma seu partido (ele também não está feliz de matar mulheres e crianças) eu fiquei extremamente contente (essa cena é super emocionante). Lógico que eles não podem desafiar ordens diretas, mas eles desviam a atenção, direcionam os demais para longe dos grupos, fingem que não veem os civis. Akiva também salva Ziri, e só por isso ele ganha mil ponto comigo porque eu estou toda apaixonadinha por ele. Ziri é das tribos dos Kirin (o último da sua raça) igual Madrigal, o único soldado sobrevivente que mantém seu corpo original. Ele conheceu Madrigal, na época ele era apenas uma criança e perdidamente apaixonado por ela. E sinceramente, o que ele faz no final é simplesmente extraordinário. O final todo foi muito emocionante!
Gostei de como o livro mostra diferentes situações, mas intercala todas elas. Karou criando quimeras, as intrigas de Thiago, Zuzana indo procurar a amiga e convivendo com as quimeras. Akiva tentando salvar quimeras civis, essas quimeras lutando por suas vidas. No mundo dos anjos também está cheio de intrigas, tentativa de tomada de poder, novas guerras sendo travadas, um novo reino que é apresentado (do qual veio a mãe de Akiva) e que deve ser mais explorado no próximo livro. Maravilhoso!

Continuação:

O próximo livro é o último da série e ainda não foi publicado. Ele se chama Dreams of Gods and Monsters e será lançado nos Estados Unidos em abril de 2014.

12 de novembro de 2013

Feita de Fumaça e Ossos

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[ótimo]

Eu recomendo: Feita de Fumaça e Ossos
Autora: Laini Taylor
Editora: Intrínseca
                
Sinopse:
Apesar da aparência pouco convencional de Karou, constituída de seu cabelo azul e inúmeras tatuagens pelo corpo, essa é a parte menos bizarra de sua vida. Karou foi criada por quimeras, em especial por Brimstone que tem uma loja na qual troca dentes por desejos. Hoje ela trabalha para ele e através da loja pode viajar para diferentes partes do planeta e recolher dentes – apesar de não saber o que ele fará com eles. Em um dia de trabalho ela é atacada por um anjo e consegue sobreviver, mas muitas dúvidas começam a surgir sobre quem ela realmente é. Esse anjo queima todas as portas da loja e a impede de ver sua família, ela agora parte em uma missão para voltar a encontrá-los. Acontece que o anjo está atrás de Karou, mas agora ele tem um diferente interesse nela.

Meu cantinho:
Quando mostrei esse livro na minha caixinha de correio, contei que o que me atraiu nele foi primeiro essa capa linda, depois o preço (menos de nove reais). Lógico que como uma comprada impulsiva, compulsiva, eu não fazia a mínima ideia do assunto do livro. A verdade é o que o livro valeu cada centavo, valia muito mais, eu me apaixonei por tudo e estou louca para saber o que acontecerá a seguir!
Karou tem o corpo coberto de tatuagens e os cabelos azuis, mas para aqueles que a conhecem, o que mais chama atenção nela é a imaginação fértil. Ela fala de outras criaturas, monstros estranhos, quimeras, como se fossem reais, ela inclusive os desenha – ela é estudante em uma escola de arte. Para Karou é mais fácil dizer toda a verdade e no final dar um sorriso como se tudo o que acabou de dizer fosse algo de sua cabeça, do que inventar mentiras e acabar se confundindo nelas. Karou foi criada Brimstone, Issa, Twiga e Yasri, quimeras, criaturas parte humana e parte animal, todos diferentes entre si. Brimstone administra um negócio, ele troca dentes por desejos. Conforme o valor do dente cresce o poder do desejo, de coisas banais do dia a dia, até o alcance de conhecimentos, de poderes, de vida eterna. Acontece que tudo é uma incógnita para Karou, ela os ama e os vê como uma família, mas quase nunca alcança respostas. Karou realiza trabalha para Brimstone recolhendo dentes pelo mundo (viajando através da loja que abre a porta para diferentes lugares pelo mundo, o que me lembrou um pouco O Castelo Animado), ela encontra pessoas que ou tem medo de ir a loja ou já tentaram enganar Brimstone e por isso estão proibidas de voltar lá, apesar de realizar os trabalhos mais estranhos – de já ter sido baleada, de ter que participar de leilões em mercado negros ou outra coisas esquisitas, tudo o que consegue são pequenos desejos. Brimstone não lhe dá desejos maiores, a não ser em algumas ocasiões como em seu aniversário, onde ele lhe dá uma nova língua (para que estudar quando se pode aprender tudo com um único desejo), mas sempre moderado, nada de capacidade de voar ou algo assim. Ela não sabe para que Brimstone recolhe os dentes, mas aprendeu um pouco sobre eles, ela sabe a diferença entre um dente de jacaré e um de crocodilo, sabe dizer detalhes de cada dente, analisar com cuidado. Com os dentes ele faz colares, mas é tudo o que sabe. Isso é muito bom porque o leitor sabe tanto quanto a personagem principal e fica se perguntando como os dentes podem ser usados, qual a finalidade e quais segredos se escondem nesse livro. Outra questão são as quimeras, ela cresceu com elas e os ama, mas a verdade é que não sabe nada sobre eles, se há outros iguais, se há outros diferentes, quantos existem.
Apesar dos segredos, das coisas incomuns, de ter que sumir de vez em quando para realizar seus trabalhos, Karou também leva uma vida relativamente normal como humana. Todos acreditam que suas estórias se devem a sua imaginação fértil, e que ela um pouco estranha com essas tatuagens todos e os cabelos sempre azuis (ela fez um desejo para que ele nascesse dessa cor), mas que ainda assim é apenas uma humana excêntrica. Karou também acredita ser humana até que certo dia, em um trabalho para Brimstone, ela é atacada por um anjo. Nessa luta ela descobre que os hamsás, olhos, que sempre estiveram tatuados em suas mãos (desde criança) enfraquecem o anjo e nesse momento ela começa a se perguntar o que ela é verdadeiramente. Dúvidas começam a surgir, mas ela não consegue obter as respostas. Akiva, o anjo que lhe atacou, queimou todas as entradas que existem pelo mundo que levavam a loja de Brimstone, ela não consegue mais voltar para sua família, assim não consegue obter as respostas que deseja. Karou começa a fazer de tudo para tentar voltar e nesse ponto temos muitas cenas interessantes acontecendo. Quando ela está chegando perto de seu objetivo Akiva volta, mas ele não decide lutar com ela, tudo o que ele queria era revê-la, sem conseguir entender os motivos. O livro fecha com chave de ouro revelando o que/quem Karou é verdadeiramente e também contando o passado de Akiva e o que o motivou a caçar Brimstone (além da guerra entre anjos e quimeras que Karou nunca soube da existência). Em muitos livros quando o autor começa a retomada de estórias passadas, para esclarecer o comportamento do personagem no momento presente, pode ser realmente enfadonho. As vezes quero matar o autor por não ser sucinto, responder as questões do leitor sem retomar todo o passado, contanto uma estória dentro da outra, mas com esse livro foi diferente. Eu estava curiosa, e autora escreve muito bem, cada página é um deleite e eu estava desesperada para saber do passado de Akiva. Ela constrói a estória atual liberando pequenos trechos do passado, intercalando passado e presente, e o leitor fica se esforçando para juntar todos os pedaços, cada parte é essencial e interessante.
Eu só posso dizer que terminei o livro cheia de esperanças e extremamente ansiosa para saber o que irá acontecer. Ainda não tenho o próximo livro (já via a capa e ela é linda), espero poder ler em breve.

Continuação:
O segundo volume da série é Dias de Sangue e Estrelas, estou louca para ler!