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27 de abril de 2014

Azul da cor do mar

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[muito bom]

Eu recomendo: Azul da cor do Mar
Autora: Marina Carvalho
Editora: Novo Conceito

Sinopse:
Rafaela conseguiu um estágio no melhor jornal de Minas Gerais, e no setor que desejava, o de jornalismo investigativo. O jornal é incrível, assim como sua chefe e seus colegas, entretanto, ela foi designada a trabalhar com Bernardo, ficar colada nele e aprender tudo sobre a profissão, mas ele obviamente não gosta de ser babá de ninguém. Ele é sempre frio, gosta de criticar até seus sapatos, e faz o possível para evitá-la, a deixaela organizando anotações enquanto saí para fazer o trabalho de verdade. Rafaela se impõe e finalmente consegue que Bernardo a leve para campo, e é quando ele percebe que ela tem jeito para a profissão e que eles formam uma boa dupla. O problema é que ela talvez esteja gostando um pouco demais dele, quando ele obviamente tem uma aversão a ela e ainda começou a sair com sua amiga.

Meu cantinho:
Vou começar falando do livro sobre a parte estética. Eu não achei a capa tão bonita, olhando de perto é muito “cara de feito em computador”. Entretanto, por dentro o livro é bem organizado e estruturado. No início de cada capítulo há um desenho relacionado a profissão de nossa personagem principal, assim como um parágrafo “educativo” falando alguma curiosidade ou referência de como o jornalista ou texto jornalístico deve ser. A diagramação é muito bem feita, há detalhes de desenhos que dividem algumas passagens entre os capítulos e a fonte é muito confortável para a leitura. Entretanto, ainda nessa parte estrutural, preciso dizer que a editora deixou passar alguns erros de revisão.
O começo desse livro foi uma leitura difícil, passei semanas enrolando lendo algumas poucas páginas por dia. A autora nos traz Rafaela, uma estudante de jornalismo que conseguiu um estágio no jornal mais conceituado da sua cidade, e no departamento que queria: jornalismo investigativo. Contudo, antes dela começar o estágio, enquanto ela fala um pouco de si, sua família e seu passado o livro demora a engrenar. A autora fica forçando uma linguagem para tentar dar um ar adolescente (um exemplo é a palavra xaveco que sinceramente não escuto mais ninguém usar); Rafaela as vezes é extremamente irritante e entediante, e para completar, em alguns momentos a autora ainda vai descrever sua maquiagem básica (que inclui corretivo, pó, lápis, blush, uma mascara nos cílios e fechando com um gloss para dar um brilho) o que é extremamente desnecessário. Por fim, ela tem essa fixação por um menino que viu apenas uma vez durante as férias, não sabe o nome, idade, nada, apenas que ele tinha uma mochila xadrez, entrou no mar segurando alguns papéis, olhou para ela com seus olhos azuis e foi embora. Acho normal algumas paixonites de crianças e coisas assim, mas nossa personagem tem mais de vinte anos, quase acabando a faculdade e basicamente tem relacionamentos frustrados porque ninguém alcança a imagem idealizada que ela criou do garoto da mochila que viu uma vez quando tinha onze anos. É uma obsessão fora de controle, ela escreve poema sobre eles, ela inventa histórias, quase todos os dias da sua vida ele dedica algumas horas para escrever para esse rapaz que não conhece.
A leitura melhora significativamente depois que Rafaela começa seu estágio. Primeiro porque eu achei muito real e bem construído esse pano de fundo, o jornal, as entrevistas, o universo é condizente com a realidade. Portanto, o livro demora um pouco para entrar em um ritmo bom de leitura, mas ele conquista o leitor porque além do romance que já era esperado ele tem uma estruturação boa e um plano de fundo que gera muitas situações inusitadas.
Rafaela não é o tipo de personagem que me agrada totalmente. O que eu mais admirava nela era sua dedicação, mas de uma hora para outra ela me decepciona ao atrasar tudo e correr o risco de perder uma oportunidade única de ir ao morro entrevistar um dos chefes do tráfico porque seu esmalte está molhado e ela não está vestida apropriadamente para subir o morro. Além disso, ela não tem uma personalidade muito consistente, pensei a princípio que ela poderia ser eclética, mas acho que ela extrapolou qualquer limite. Não sei se ela é dedicada, nerd, romântica, atirada, patricinha ou o que.  Tem momentos no livro que ela tem crise de ciúmes, acusa uma amiga de ser fácil, oferecida e outras coisas piores, mas de repente está agarrando o colega de trabalho em cantos escuros com as pernas em volta da cintura dele. E lógico, que para fechar, não podemos perder o clichê de nossa personagem principal, de mais de vinte anos, quase graduada, ser virgem (o que me lembrou a outra personagem criada pela autora na sua obra de estréia, Simplesmente Ana).
Quando Rafaela começa a trabalhar no jornal ela logo recebe indiretas do editor do caderno de esportes, ela até tenta sair com ele, mas não funciona, em parte por conta do garoto da mochila e também porque ela tem se sentido atraída (por mais que tente negar), por seu chefe Bernardo. Contudo Bernardo é extremamente mal educado, evita ao máximo conviver com Rafaela, crítica até seus sapatos quando pode e isso realmente a tira do sério. Ele é do tipo antipático, mas que conquista o leitor pela sua seriedade com o trabalho e também quando ele começa a se abrir para esse possível romance (apesar dele ter me decepcionado ao começar a sair com a amiga dela). Acho interessante como o relacionamento desses dois vai se desenvolvendo diante da convivência no trabalho, viagens, entrevistas e outras situações tensas, como eu disse antes, um pano de fundo muito bem construído.
O livro tem romance, alguns mistérios, perseguições, ação, e também humor. O humor me conquistou nos pequenos detalhes, porque muitas vezes a autora criou algumas situações bobas e exageradas que não me fizeram rir nem um pouco. Apenas no final ele me arrancou algumas risadas loucas. No geral é um livro bom, algumas situações forçadas, mas superada essa resistência inicial o livro desenrola de um modo agradável.

Volume único.

20 de março de 2014

Esperando por você

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[ótimo]

Eu recomendo: Esperando por você
Autora: Susane Colasati
Editora: Novo Conceito

Sinopse:
Marisa era vista como esquisita no colégio no ano passado, ela tem um distúrbio de ansiedade que faz com que ela remoa muitos sentimentos e tenha pensamentos negativos, o que acabou fazendo com que ela entrasse em depressão. Mas ela fez terapia e agora sabe o que precisa fazer para escapar desses sentimentos negativos e ela está toda empolgada com o novo ano letivo e a perspectiva de mudanças. Ela começa a se aproximar de algumas pessoas nas suas aulas, e Nash se destaque entre esses novos amigos. Ele é um nerd, que coleciona sinos, de quem ela já foi muito próxima quando mais nova, mas que com o passar do tempo foi se afastando. Só que Nash parece interessado nela de um jeito romântico, mas Marisa está interessada em Derek, que depois de levar um pé na bunda de Sierra a convidou para sair. Tudo parece estar indo bem, mas Derek começa a desapontá-la, ela acaba brigando com sua melhor amiga porque sempre dá bolo nela para ficar com o novo namorado, sua irmã está insuportável e o casamento de seus pais, que sempre foi perfeito, parece estar em conflito. A depressão volta a bater em sua porta e Marisa parece não ter forças para mudar e não consegue perceber que quem lhe faz realmente bem está bem a sua frente.

Meu cantinho:
Esperando por você é outro livro adorável da Susane, foi uma leitura super leve e bem rápida apesar de ser um volume relativamente grosso. É um chick-lit, mas que não se enquadra naquele romance bobinho de colégio, intriguinhas e ponto final. Ela trás muito perto a realidade de alguns adolescentes, pais ausentes, divórcio, briga entre irmãos, problemas na escola, distúrbio de ansiedade, depressão, entre outras coisas que mostram que a vida de uma adolescente não se limita a um romance no colégio (apesar de termos o romance).
Marisa tem um distúrbio de ansiedade, ela pensa coisas que não tem coragem de falar, se comete algum erro fica remoendo, acredita que as pessoas estão sempre comentando dela. Quando têm esses pensamentos negativos ela se prende a eles e não consegue deixá-los, ela acaba afundando neles, fica sem vontade de fazer nada, mata aulas, fica apenas deitada sem contato com ninguém. Mas isso foi no ano passado, depois de fazer terapia, de aprender a direcionar seus pensamentos e mudar o foco dos sentimentos negativos, ela está pronta para começar um novo ano letivo com mudanças significativas. As mudanças não chegam tão fácies quanto ela esperava, mas ela consegue se socializar um pouco mais, prestar atenção nas aulas, fazer os deveres do colégio, se dedicar um pouco mais a música, além de fazer novos amigos. Entre esses novos amigos está Nash, que começou a conversar com ela quando eles se tornaram parceiros de laboratório. Na verdade eles já foram muitos próximos na infância, eles moram perto, viviam um na casa do outro brincando, até que o tempo foi passando e conforme ficaram mais velhos se afastaram. Como Nash quer notas boas eles se reúnem umas duas vezes por semana na casa dele para fazer relatórios, e logo eles estão muito próximos, compartilhando segredos, se divertindo, saindo juntos. Acontece que Nash demonstra um interesse por Marisa além da amizade, mas ela não quer se envolver com ele dessa forma porque ela está interessada em Derek. Derek é o tipo popular, bonitão, por qual todas as meninas do colégio estão babando. Lógico que ele namora a menina linda e popular, que todos os meninos desejam, chamada Sierra. Derek tem demonstrado certo interesse nela, e quando Sierra termina com ele e algumas semanas depois ele a chama para sair, ela se sente muito sortuda. Infelizmente essa sensação não dura muito tempo.
Marisa é extremamente ligada ao pai, ele foi um apoio enorme quando ela enfrentou sua depressão ano passado. Sua mãe não sabia exatamente como lidar com sua situação e se manteve afastada. Gostei dessa conexão dela com o pai, porque nos livros sempre vemos as meninas extremamente ligadas com a mãe e o pai apenas fazendo papel de figurante. Ela não se dá muito bem com a irmã, que tem uma personalidade forte e sempre gosta de bater de frente com as pessoas. Seus pais são o exemplo de casal, estão juntos a anos e nunca brigam, tudo parece perfeito. Entretanto, pequenos sinais começam a mostrar que nem tudo está bem entre eles, mas Marisa não parece perceber. Por um lado eu amei essa profundidade no problema familiar, foi a minha crítica a De Repente Acontece, se focar no romance e não se aprofundar em outras questões que não estivessem relacionada a ele. Entretanto, eu achei Marisa um tanto ingênua por não perceber de cara as dificuldades que seus pais estão enfrentando, acho que era tudo muito óbvio e autora fez da nossa personagem uma menina muito alheia a tudo nesse aspecto. Entretanto, quando ela percebe que as coisas não estão bem, parece que tudo na sua vida parece dar errado e ela começa a ter surtos de ansiedade e a depressão começa a atingi-la.
Seus pais estão se desentendendo, logo ela começa a ficar preocupada com isso e fazer diversas suposições. Derek está com ela, mas ela não se sente a vontade para compartilhar seus problemas com ele e falar como se sente triste e deprimida. Além disso, Derek parece ainda ter interesse em Sierra apesar de estar namorando com ela. Ela acabou brigando com sua melhor amiga que se sentiu abandonada por Marisa que passou a sair apenas com Derek para todos os lugares. Nash é o único com quem ela consegue compartilhar tudo, mas ele está namorando uma menina agora, depois de ter sido rejeitado por ela, e Marisa não consegue evitar sentir ciúmes. Ela não consegue manter o foco no colégio e começa a tirar notas baixas, ela deixa de treinar para a banda e começa a cometer erros terríveis no ensaio. Chega um momento em que ela deita na cama e não sente vontade de levantar.
Marisa é uma menina com problemas muito reais, que enfrenta muitas dificuldades na vida e que apesar de se abater várias vezes ela ainda assim tenta se erguer e enfrentar tudo. Gostei bastante do desfecho do livro, foi muito condizente com a realidade e atendeu minhas expectativas. É um livro muito bom, o melhor que li da autora até agora. A única coisa que realmente me chateou é que ele não segue o padrão dos outros livros da autora, quem já viu sabe que todos os outros livros dela têm uma lombada listrada, menos esse.

Volume único.

16 de março de 2014

De Repente Acontece

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[muito bom]

Eu recomendo: De repente acontece
Autora: Susane Colasanti
Editora: Novo Conceito

Sinopse:
Sara é uma menina certinha, nerd, que teve poucos relacionamentos e que espera encontrar alguém que lhe complete, sua alma gêmea. Ela acha que essa pessoa pode ser Dave, popular e lindo, que mostrou interesse nela e a chamou para sair. Logo ela se vê em um relacionamento onde nem sempre está feliz, acaba se afastando um pouco de suas amigas, anda com pessoas que sempre lhe ignoraram, se vê pressionada a perder a virgindade por um cara que é um crianção, que implica com alunos não populares. Tobey sabe que Dave não é uma boa pessoa e está disposto a conquistar Sara, por quem está perdidamente apaixonado. Ele tenta sempre esbarrar com ela, e apesar de suas trapalhadas consegue fazê-la rir, além disso, ele decide mudar radicalmente sua vida em alguns aspectos, para que esteja a altura dela. Um típico mundo adolescente, com pressões do colégio, expectativas quanto a faculdade, problemas familiares e a construção de relacionamentos amorosos.

Meu cantinho:
Apesar de só ter lido Tipo Destino da autora, eu comprei vários outros livros dela porque gostei muito da sua escrita. De repente acontece é outro livro muito bom, um chick lit, um romance bacana, mas não tem nada muito além disso. A capa é bonita, gostei do fato da lombada seguir o padrão dos outros livros da autora. Infelizmente percebi alguns pequenos erros, o maior que eu vi foi a troca do nome do personagem. Era um conversa com Mike, e estava escrito Mark, e eu fiquei lendo e pensando de onde veio esse personagem novo, quem é ele? Até que me toquei que foi um erro de revisão.
Os capítulos são intercalados, narrado por Tobey e por Sara. Tobey não é o cara mais bonito do mundo, muitas espinhas, um corpo não muito atlético – apesar de que isso melhorou muito já que ele passou as férias malhando. Ele é um garoto muito inteligente e não precisa se esforçar para entender as coisas, apesar disso, suas médias não são muito altas porque ele se recusa a fazer qualquer trabalho ou dever de casa.  Mesmo com a insistência de seu pai e dos comentários dos amigos, ele não quer frequentar uma faculdade, ele gosta mesmo é de música, de tocar, e quer dedicar seu futuro a banda que tem com os amigos Josh e Mike. Tobey está perdidamente apaixonado por Sara, eles começaram a conversar um pouco ano passado, mas ele nunca teve coragem de convidá-la para sair. Sara é uma menina nerd toda certinha. Ela mora apenas com a mãe, que ficou grávida dela com 16 anos e foi largada pelo namorado, portanto Sara cresceu sem um pai. O relacionamento entre as duas é complicado, já que a mãe dela parece culpar sua existência por todos os problemas que têm, e não vê a hora da filha ir para a faculdade e se ver livre dela. Infelizmente, esse relacionamento das duas é abordado de forma bem superficial, se o livro tivesse se aprofundando nesses problemas ele teria sido muito melhor. Acho que a autora ficou presa um pouco no fato de ser um livro de romance, falando do primeiro amor, e não quis se aprofundar em coisas mais intensas (há vários outros pontos no livro semelhante a esse no qual ela poderia ter se aprofundado e enriquecido o enredo). Acho que essa maior profundidade não elimina o romance do chick lit, eu vejo isso em Anna e o Beijo Francês, onde tem todo o romance fofo, mas questões mais pesadas, como a pressão dos pais, a separação, e uma doença grave como o câncer.
Voltando a Sara, ela é extremamente esforçada e inteligente, que só não tira notas mais altas que sua amiga Laila. Laila tem pais muito rígidos, está sempre estudando e não se envolve com meninos, nem tem muita liberdade para sair de casa e coisas do gênero. Essa é uma personagem interessante que eu gostaria que a autora tivesse trabalhado mais, principalmente as pressões e as imposições de seus pais, e modos de se lidar com isso. A outra amiga de Sara é Maggie, não tão inteligente, mas muito bonita, divertida, descolada, e bem mais experiente que as amigas. Ela também enfrenta problemas graves com a família que resulta na separação dos pais, outro tema que é citado bem superficialmente no qual a autora poderia ter se aprofundado.
Sara é uma menina romântica e sonhadora, que está esperando a pessoa certa, aquela que vai lhe dar um beijo e ela vai sentir o mundo mudar, alguém que lhe complete. Ela acha que essa pessoa pode ser Dave, um cara lindo e popular, que pediu seu telefone para ligar durante as férias (mas que nunca ligou) e agora que as aulas começaram a chamou para sair. Ela começa a sair com ele, e apesar dele ser lindo e do beijo ser bom, não é algo que mudou seu mundo. Logo com a convivência ela começa a conhecê-lo melhor e percebe que ele não é muito gentil com as pessoas, que é mais o tipo valentão, além de colocar uma pressão enorme nela para que perca a virgindade com ele. Além disso, ela está extremamente mexida com Tobey, ele está sempre fazendo ela rir e parece gostar verdadeiramente dela. Convenceu Laila e o professor a trocá-lo de dupla para que começasse a passar mais tempo com ela, para ter a oportunidade de conhecê-la e mostrar que ele a fará feliz como Dave não é capaz. Além disso, para tentar mostrar para uma das meninas mais inteligentes de turma que ele está a altura dela, ele começa a fazer os deveres de casa e os trabalhos, tenta recuperar todas as suas notas e decide tentar ingressar em uma faculdade de música (que de modo muito conveniente fica na mesma rua da faculdade para qual Sara irá prestar).
O livro trás algumas cenas hilárias (a primeira vez que Sara conhece o pai de Tobey é algo absurdamente constrangedor), algumas situações complicadas, problemas familiares (que eu gostaria que tivessem sido mais profundos), e principalmente, dúvidas sobre relacionamentos. Até quando deve se investir em um relacionamento? Como sabemos se uma pessoa é a certa ou não? Até onde o ciúme é algo saudável? Nesse ponto eu achei Sara infantil, com algumas crises de ciúmes de relacionamentos anteriores, mas apesar de irracional, se eu pensar um pouco, é algo que eu já senti. Afinal, mesmo que seja passado, ninguém se sente muito confortável sabendo que a pessoa que a gente ama já amou ou se envolveu com alguém, pior ainda se com alguém que a gente conhece, ou se a pessoa tenta esconder isso de você – e as duas suposições ocorrem com Sara.
Um livro que apesar de grosso eu li muito rápido, uma leitura leve e divertida, sobre meninas que sonham em se apaixonar verdadeiramente, em encontrar sua alma gêmea. Algumas coisas podiam ter sido mais aprofundadas, mas isso é uma opinião minha, já que ele atende bem ao gênero e a proposta ao qual se dispõe.

Volume único. 

28 de fevereiro de 2014

Esc@ndalo

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[ótimo]

Eu recomendo: Esc@ndalo
Autora: Therese Fowler
Editora: Novo Conceito

Sinopse:
Amelia e Anthony namoram escondidos. Infelizmente os pais de Amelia são rigorosos e tem a vida toda dela planejada, onde vai estudar, que curso fará e até com quem irá se casar. Certo dia Amelia esquece seu computador em casa, e seu pai, depois de algumas tentativas frustradas, consegue acessar seu computador e descobre fotos de Anthony nu. Assim que chega em casa ele questiona Amelia sobre Anthony e as fotos, ela não revela a verdade, diz que já falou com o diretor e que o problema está resolvido. Certo de que ele é um pervertido que persegue sua filha ele chama a polícia e Anthony acaba preso. O caso avança e Amelia também é presa por ser menor de idade e ter distribuído fotos de si para Anthony. Logo em seguida é a mãe de Anthony que enfrenta problemas e corre o risco de perder seu emprego por ser professora, saber do relacionamento dos dois, e não ter relatado ao diretor, assim como pode ser presa também. Todos estão enfrentando sérios problemas e a situação parece apenas se agravar, sem qualquer possibilidade de uma solução pacífica.

Meu cantinho:
Esc@ndalo foi um livro que me surpreendeu muito e superou todas as expectativas que eu tive. Se for para citar um defeito do livro seria a revisão, infelizmente vi algumas letras comidas, alguns erros de concordância, que incomodam, mas não comprometem a leitura.
A escrita da autora flui de maneira muito fácil, adorei o modo como ela constrói os cenários e principalmente como ela descreve os personagens. Ela não é aquele tipo de autora que só descreve os personagens principais, ou que os descrevem, mas os contradizem em suas ações durante o livro. Ela descreve os personagens muito bem, detalhes importantes de coisas que eles viveram, que eles acreditam, e não apenas o casal principal, mas os demais personagens envolvidos. Somado a isso, tem a veracidade dos fatos, a intensidade, que eu acredito que em grande parte se deu pelo fato da autora ter vivido o que os personagens viveram. Ela da um depoimento no final do livro relatando que seu filho de 19 anos foi acusado de sexting, e baseado nisso ela escreveu esse livro.
Anthony tem 18 anos, ele é atlético, talentoso, vive com sua mãe que foi largada pelo seu pai ainda grávida. Ela é professora de uma escola particular no qual ele conseguiu uma bolsa de estudos. Seu sonho é estudar na NYU, ele quer trabalhar na Broadway, atuar e escrever peças de teatro. Ao encenar uma peça na escola ele contracenou com Amelia e se apaixona perdidamente por ela.  Amelia tem 17 anos e compartilha os mesmo gostos e sonhos de Anthony, ela é a aluna perfeita, com notas perfeitas, que nunca se envolveu muito com garotos até se apaixonar perdidamente por Anthony. Entretanto, ela não é livre para escolher seu futuro e esconde dos seus pais seu namoro de mais de um ano. Acontece que seu pai teve uma infância complicada, com pais relapsos, bêbados, mas ele se esforçou muito para construir uma carreira e dar a vida boa para sua mulher e Amelia. Ele começou seu império com a venda de maconha, mas hoje tem negócios legalizados. Para alguém que já fez coisas ilegais ele consegue ser muito hipócrita quanto ao modo correto de fazer as coisas. Em parte entendo os receios e medo dele, ele quer ser um bom pai para Amelia, que protegê-la, tem receio que ela acabe com a mãe dele, mas ele não pode definir a vida toda dela! Ele já escolheu para que faculdade ela vai, que curso fará, como vai ser seu futuro (uma dona de casa) e até já escolheu um marido para ela! A mãe de Amelia sempre acata tudo o que o marido fala, por mais que as vezes ela tente pensar por si, ela quase sempre acaba se submetendo a ele. É angustiante perceber que Amelia busca apoio nela que não encontra. O problema é que não é apenas o pai da Amelia que é assim, parece que inúmeras pessoas nessa cidade são bitoladas. Um exemplo é quando ela vai falar com uma professora de contraceptivos e ela fala todos os efeitos contrários que o remédio pode causar, como se o celibato fosse a única forma segura de se viver.
Certo dia Amelia esquece seu computador em casa e seu pai consegue entrar no computador, começa a mexer nas coisas dela e encontrar fotos de Anthony nu. Lógico que ele presume que Anthony é um pervertido, porque ele vê sua filha como santa e incapaz de possuir sentimentos e desejos desse tipo. Como um pai pode acreditar que tem uma filha de 17 anos e que ela vai agir como uma assexuada até que ele a case com o marido dos sonhos dele¿ Apesar de saber que todos têm desejos e uma sexualidade, eu também não concordo com o que nosso casal principal faz. Eu acho muita idiotice, com os recursos tecnológicos, como a capacidade de invasão de um computador, da sua privacidade, com a rapidez de como algo se torna viral, você tirar fotos suas sem roupa e entregar a alguém, não importa se seja de confiança ou não. Mas essa é minha opinião pessoal, o livro é extremamente válido porque é algo que acontece no mundo real (e a autora está de prova).
Então o pai descobre as fotos e ao invés de Amelia esclarecer tudo – que namora com Anthony, que eles têm os mesmos gostos, sonhos em comum, que estão juntos a mais de um ano. Ela vai na onda do pai e acaba falando que já resolveu, que denunciou ele para a escola. O que ela não contava era que o pai iria chamar a polícia e que isso levaria Anthony preso, afinal ela é menor de idade e ele, tecnicamente, lhe enviou fotos nu. Então começa uma confusão enorme, Anthony é preso, os pais impedem Amelia de sair de casa, o computador de Anthony é apreendido e eles descobrem fotos de Amelia, e ela então é presa por distribuir pornografia infantil (fotos dela mesma!) e os rumores crescem, assim como as dividas da mãe de Anthony para pagar fiança e advogados, o que é péssimo já que ela é afastada do trabalho por ser professora, saber do envolvimento dos dois, e não ter relatado nada. O livro me surpreendeu a cada página e eu ficava pensando como coisas assim podiam acontecer, o quanto do livro poderia ser real, porque eu achava as acusações absurdas e praticamente qualquer pessoa no Brasil seria presa! Até mesmo poemas de cunho erótico eram visto como disseminação de pornografia.
O livro definitivamente prende o leitor e eu não podia imaginar como seria o desfecho dele, só digo que ele não é chamado de “Romeu e Julieta da atualidade” a toa. Um livro que definitivamente me surpreendeu.

 Volume único.

21 de fevereiro de 2014

A garota que você deixou para trás

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[ótimo]

Eu recomendo: A garota que você deixou para trás
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Em 1916, na França, Sophie enfrenta os horrores da guerra enquanto seu amado marido, Édouard, está no front de batalha. A pequena cidade em que vive foi tomada pela exército inimigo, e quando o novo Herr Kommandant obriga que ela sirva comida para os oficiais alemães em seu estabelecimento logo ela é vista como colaboradora e enfrenta a hostilidade da comunidade que sempre ajudou. Em suas visitas o Kommandant se encanta por um retrato de Sophie pintando por seu marido, ele também se encanta com ela. Quando recebe a notícia de que Édouard foi capturado ela precisa tomar uma decisão que pode colocar tudo em risco. Em Londres, no ano de 2006, Liv tem na parede da sua casa o retrato de Sophie, presente de casamento do seu falecido marido. Quando depois de anos ela se envolve com outro homem, Paul, ela mau pode acreditar na sua infelicidade ao descobrir que é ele quem representa os descendente de Édouard, que querem reaver o quadro que hoje em dia vale milhões. O livro intercala a vida dessas duas mulheres, uma lutando para salvar seu marido, a outra para manter o presente que ele carinhosamente lhe deu.

Meu cantinho:
Eu simplesmente não sei dizer que livro dessa autora amo mais e como ela consegue escrever de um modo tão maravilhoso. Eu adorei A última carta de amor, Como eu era antes devocê me conquistou ainda mais, mas quando li A garota que você deixou para trás eu me tornei incapaz de dizer qual livro eu prefiro!
O livro tem uma capa que segue o mesmo design de Como eu era antes você, eles não tem nenhuma semelhança na história, mas eu gosto da padronização de capa nos trabalhos dos autores, o mesmo que a Intrínseca fez com os livros do David Nicholls. O livro tem uma diagramação boa, o trabalho de revisão está ótimo, acho apenas que a letra poderia ser um pouquinho maior.
O livro é divido em Parte 1 e 2. A parte um se passa em St. Péronne e Paris, cidades da França. O período é a Primeira Guerra Mundial, algumas cidades da França foram tomadas pelo exército alemão, é o caso de St. Péronne. Sophie se mudou de Paris para a pequena cidade quando seu marido foi para a guerra, de modo que ela poderia ficar com seu irmão Aurélien, sua irmã Hélène e seus filhos (cujo marido também foi lutar na guerra). Elas administram um hotel, mas na verdade os alemães já levaram tudo e não há possibilidade de hospedar qualquer pessoa, elas apenas abrem o restaurante do hotel, que mais pareceu um bar, um ponto de reunião das pessoas da comunidade, já que quase não há alimento para ser servido. Há sempre animosidades, suspeitas, sussurros, terror, mas não há muito que se possa fazer quanto aos soldados que ocuparam a cidadezinha. St. Péronne tem um novo Herr Kommandant, que depois de um incidente muito inusitado com a família de Sophie, ele afirma que o hotel terá que servir as refeições para os soldados. Ela então começa a ter problemas com as pessoas da cidade, que começam a acreditar que ela está de alguma forma apoiando o exército inimigo – e isso me deu muita raiva porque Sophie sempre ajuda todo mundo, e de uma hora para outra, por conta da imposição de um oficial, ela é vista como colaboradora. As pessoas começam a tratá-la mau, a ofendê-la, a duvidar de sua índole. De fato há uma aproximação dela com Herr Kommandant, mas dele como pessoa, não como um oficial do exército alemão. Ao obrigar que elas fizessem a comida para os soldados, permitiu que elas ficassem com as sobras, ele também não permite que nenhum dos seus soldados tome liberdade com as irmãs, e sempre as trata com gentileza. Ele também acabou conquistando ela por entender de arte e apreciar um retrato dela, pintado por seu marido Édouard, apesar da relutância, já que ela não quer aquele espaço, aquelas memórias, invadidas por um alemão. Acontece que Sophie tem notícias que seu marido está preso num campo, onde as rações de comida se resumem a uma sopa rala, onde o trabalho braçal e exaustivo, quebrando pedras ou construindo pontes, onde a exaustão é punida com agressões e qualquer pequena insubordinação é punida com a morte. Ela então propõe um acordo ao Kommandant, ela percebe que ele tem certo interesse nela, e lhe oferece o quadro e seu corpo, para que ele salve seu marido. Temos mais alguns acontecimentos (no qual basicamente eu quero esquarteja o irmão mais novo dela, Aurélien) e então a parte 1 acaba e você entra em pânico e surta totalmente porque você precisa saber o que aconteceu com Sophie e a parte 2 começa outra estória em outra época!
A parte 2 ocorre em Londres do ano 2006, mas mais para frente teremos capítulos que voltam para a história de Sophie. Temos agora Liv, que perdeu o marido a quatro anos mas de certa forma ainda não superou essa perda. Ela mora em uma casa de vidro linda que ele construiu (ele era arquiteto), mas a verdade é que ela tem problemas com o dinheiro, dívidas no cartão, hipotecou a casa e está cheia de credores, sem saber o que fazer. Ela está cansada de seus amigos tentarem lhe arrumar um namorado em encontros combinados, que não resulta em nada, pois a verdade é que ela não consegue esquecer David. Isso até ela conhecer Paul, um advogado, bem sucedido, que simplesmente a encanta. Tudo parece estar indo bem, até que eles dormem juntos na casa dela, ele acorda, começa a agir de modo estranho e desaparece por alguns dias. Liv fica desolada sem saber o que aconteceu, até que ele retorna para falar com ela e explicar tudo. Ele saiu correndo da casa dela naquela manhã pois na parede do quarto dela ele se deparou com o quadro A garota que você deixou para trás (sim, o retrato de Sophie), e os descendentes do pintor haviam contratado ele para descobrir onde a obra estava e acionar a justiça para rever esse objeto que sumiu durante a guerra. Isso mina completamente a relação dos dois, Paul não desiste do processo e Liv não pode se desfazer desse quadro, Sophie que sempre pareceu entendê-la, que estava lá quando David se foi, que foi um presente dele para ela, presente pelo casamento dos dois. Já endivida, ela apenas se complica mais financeiramente para contratar advogados e recolher informações que possam fazer ela ganhar o caso. É incrível a falta de informação e a crueldade das pessoas, Liv é vista pela opinião pública como uma ladra, muitos falam do sofrimento dos judeus (não sabem eles que essa é uma obra que está relacionada a primeira, e não a segunda guerra mundial), eles cospem nela na rua, colocam merda (literalmente) na sua caixa de correio. Escrevem cartas ofensivas, ligam para ela toda hora. O pior é que o leitor vê como ela ama o quadro, e como os descentes do pintor apenas o querem para vendê-lo e ganhar algum dinheiro. O livro fica na luta de Liv para reunir alguma informação e nos acontecimentos que se seguem a Sophie o quadro. O leitor fica angustiado querendo saber se Sophie terá algum final feliz e se Liv manterá o quadro que tanto ama e se ela e Paul terão uma chance diante de todas essa confusão. O final é lindo, o epílogo também, o livro todo na verdade! Recomendo!
Para fechar, gostaria de abrir um espaço para falar de uma personagem: Liliane Béthune (do tempo de Sophie). Ela foi julgada muito rapidamente pela sociedade, e o que tanto sua comunidade quanto os soldados alemães fazem com ela é terrível. O final dessa personagem é nada menos do que trágico, e de certa forma também é o destino de sua filha, que foi afastada da mãe, e sempre teve a certeza de que Herr Kommandant foi sua desgraça, fez o possível para atingi-lo, sem nunca saber que ele de fato tentará ajudá-la (pelo menos foi o que me pareceu no livro).  É uma personagem intensa, corajosa, maravilhosa, que mereceu esse espaço na resenha.

Volume único.

15 de fevereiro de 2014

Tesouro e Sedução

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[muito bom]

Eu recomendo: Tesouro e Sedução
Autora: Jessica Bird (J.R. Ward)
Editora: Universo dos livros

Sinopse:
Carter Wessex recebe uma proposta de sua amiga Grace para escavar a Montanha Farrel, novas pistas sugerem que lá ela pode descobrir um grande mistério da história norte-americana, além de um tesouro perdido. Entretanto, essa montanha é localizada na propriedade do implacável Nick Farrel, um homem lindo bilionário, convencido e arrogante que não gosta de ninguém em sua propriedade. Nick aceita a escavação por puro interesse, Carter é filha de um homem milionário, com quem cortou relações e não vê a diversos anos. Ele acredita que se reaproximar os dois cairá nas graças do milionário. O que ele não esperava era se envolver com essa mulher tão teimosa, se apaixonar verdadeiramente e viver perigos devido aos segredos escondidos na montanha.

Meu cantinho:
Esse é o primeiro livro da Ward que eu leio escrito com seu pseudônimo, é também o primeiro que não está relacionado com a Irmandade. Na realidade, não há nada de sobrenatural no enredo, e fiquei surpresa ao conhecer esse novo lado da autora, que não perdeu em nada no quesito personagens (adorei todos). Esse é o segundo livro escrito pela Ward, além de um volume único, por isso acredito que o livro seja um pouco diferente da escrita dela, principalmente no que se refere as cenas de conteúdo adulto, que são bem menos explícitas que aquelas que vemos na Irmandade. O trabalho de diagramação foi bem feito, não vi muitos erros que a revisão deixou passar, mas preciso dizer que achei essa capa um pouco poluída demais e muito escura.
Carter é uma arqueóloga que quer explorar a montanha Farrel devido a suspeita da existência de um sítio arqueológico, entretanto ela faz parte da propriedade de Nick e ela precisa convencê-lo a autorizar a escavação. O primeiro encontro dos dois já é de tirar o fôlego, pura teimosia e tensão. Nick é aquele cara lindo, dominador, acostumado a ter as coisas do seu jeito (lembrando um pouco os rapazes da Irmandade) e que não costuma ter relações duradouras, a mulheres que se envolvem com ele sabem disso e procurar obter o máximo de benefícios que podem no tempo em que ficam juntos. Carter é uma mulher forte, cabeça dura, que ama o seu trabalho e sabe que escavar a montanha e descobrir sobre aquele pedaço do passado é muito importante (o tipo de mulher que não vemos a Ward trabalhar muito). Nick não gosta de estranho nas suas terras, mas além de ter se interessado em Carter, ele tem interesses na família dela, mais especificamente no seu pai e nos benefícios que essa relação pode trazer.
Achei muito interessante esse trabalho pois temos esse romance picante, interessante, cheio de tensão, ciúmes (que me arrancaram diversas risadas) e desentendimentos. É engraçado ver um homem como Nick, poderoso, dominador, sempre no controle, começar a cometer erros e não saber como agir diante de uma mulher. Ele começa a ter ações e sentimentos que ele nunca esperou ter, e isso o surpreende e faz o leitor ver como somos capazes de agir feito bobos quando estamos apaixonados. Além do romance a Ward traz detalhes ricos sobre outros aspectos do enredo. Ela descreve com precisão o trabalho de um arqueólogo, além de questões relacionadas a administração (apesar dessa não ser muito do meu interesse), problemas de Carter com o pai (é muito bacana o final que essa trama tem), de Nick com o sobrinho (que apesar de gostar muito do sobrinho o cara não tem tato nenhum para lidar com adolescente e não sabe demonstrar afeto), também temos um romance mais adolescente em paralelo (que vai causar um bocado de dor de cabeça), além de um mistério envolvente sobre o que teria acontecido no passado, e de um tesouro que muitos parecem cobiçar (e que fecha o livro com chave de ouro – ouro literalmente).
Só peço para aqueles que tiveram contanto com trabalhos mais recentes da Ward entendam que esse foi um dos primeiros trabalhos dela. Muitos querem comparam ao nível de complexidade da trama que vemos entre os irmãos na Irmandade da Adaga Negra, ou que acharam que no final tudo se resolveu muito facilmente. Eu acredito que ela conseguiu desenvolver bem o texto para um livro de volume único, e que o fechamento se deu dentro das possibilidades reais, já que esse não é um dos livros dela com temáticas sobrenaturais onde temos desfechos com coisas impossíveis acontecendo, mas ainda assim surpreendente.

Volume único. 

31 de janeiro de 2014

O Livro das Princesas

[bom]

Eu recomendo: O Livro das Princesas
Autoras: Meg Cabot, Paula Pimenta, Lauren Kate e Patrícia Barboza
Editora: Galera

Sinopse:
Duas autoras brasileiras e duas autoras estrangeiras se reúnem nesse livro para fazer a releitura contemporânea de contos de fadas. Meg Cabot adapta a Bela e a Fera para A modelo e o monstro. Uma modelo de coração bom, que trabalha para sustentar a família, e que busca um homem que goste dela não apenas por sua aparência. Ela o encontra em Adam, um homem rico, mas que sofreu um terrível acidente e tem o rosto deformado. Paula Pimenta adapta o conto de Cinderela para Princesa pop, uma jovem que trabalha como DJ, mas que sempre tem que chegar a meia-noite em casa. Em um baile a fantasia ela encontra seu príncipe, mas a madrasta e as irmãs malvadas vão fazer de tudo para impedi-la de ficar com ele. Lauren Kate adapta o conto da Bela Adormecida para Eclipse do Unicórnio, onde a roca de fiar se tornou um unicórnio e o príncipe é um menino do mundo atual. Patrícia Barbosa transforma a história de Rapunzel em Do Alto da Torre, uma jovem que tem uma madrinha super protetora, cabelos compridos, um melhor amigo fofo e um príncipe que não é bem encantado. O livro reúne essas quatro releituras com a abertura na orelha do livro por ninguém menos que Mia Thermopolis do Diário de Princesa.

Meu cantinho:
Eu comprei esse livro sem muita empolgação, como falei quando o mostrei em minha caixinha de correio. Comprei porque compensava colocá-lo no carrinho de correio do que pagar o frete ao tirá-lo. Apesar de tudo ainda fiquei empolgada, afinal, teria um conto da minha adorada Meg Cabot. Entretanto, o conto dela foi bem na média e quem me surpreendeu mesmo foi Paula Pimenta, uma autora da qual nunca tinha lido nada até hoje. Para que vocês entendam vou falar separadamente de cada conto.
Meg é minha querida e eu achava que era o único conto que eu iria gostar, mas não foi bem assim. Seu conto é a adaptação da Bela e Fera, fala sobre uma menina muito bonita, que trabalha como modelo apesar de não gostar da exposição, porque precisa sustentar sua família. Ela tem medo de se envolver e ficou receosa com relacionamentos depois da morte da mãe. Ela está em um cruzeiro, mas a verdade é que veio apenas porque o pai lhe forçou a participar dessa viagem como forma de comemoração pelo novo casamento dele. Ela vai apenas para satisfazê-lo, a verdade é que ela leva um monte de livros para ler durante a viagem (uma rata de biblioteca igual a Bela). Certa noite quando volta do jantar ela é atacada por um homem bêbado e salva por um homem misterioso que ela inclusive já havia visto da sua sacada. Ele a salva mas ela não consegue ver seu rosto pois ele sempre se mantém na sombra. O rapaz tem um rosto deformado por cicatrizes de um acidente e apesar de admirá-la, não espera nada dela por conta de sua terrível aparência. O conto é de certa forma superficial e um tanto bobo, apesar das lições importantes que passam que são os mesmos do conto original: não julgar alguém pela aparência ou posses, mas pela personalidade daquela pessoa. Amar alguém além da aparência. Apesar de tudo, foi uma adaptação interessante até, mas nada excepcional.
Paula Pimenta me surpreendeu totalmente com Princesa Pop, que foi a estória mais longa e a melhor. Ela faz uma adaptação que se prende aos principais pontos de Cinderela, mas na atualidade, e prende completamente o leitor. Cintia vive com a tia depois que seu pai traiu sua mãe (e casou com a megera e ainda cria suas duas filhas) e sua mãe decidiu se afundar no trabalho e aceitar uma proposta para morar no Japão. Ela fala com a mãe todo dia no horário do intervalo no colégio, o único momento possível decorrente do fuso horário e horário de trabalho da mãe que é arqueólogo e está na escavação sem sinal de celular. Acontece que a escola proibiu o uso de celular nas dependências do colégio e o único jeito que ela encontra de resolver isso é entrando em contato com o pai, que é muito influente, já doou dinheiro para o colégio e por isso acredita que ele conseguiria abrir essa exceção para ela. Seu pai aceita resolver o seu problema desde que ela vá a festa de aniversário de 15 anos das filhas gêmeas de sua madrasta. Ela aceita a oferta, já triste, pois além de não gostar da delas, ela tinha um trabalho agendado como DJ nesse dia. Cintia trabalha com DJ aos fins de semana, desde que não afete suas notas e que ela seja liberada a meia-noite, por isso ganhou o apelido de DJ Cinderela. 
Logo ela tem uma surpresa, pois percebe que a festa das gêmeas e a mesma que foi contratada para tocar. Ela bola então um plano para tocar mascarada (já que a festa é temática) e depois se vestir como princesa para que o pai a veja na festa e resolva seu problema. Para trabalhar com DJ ela se veste como a rainha de copas, com um all stars personalizado por sua tia desenhista e para a festa um vestido rosa com sandálias de salto. Enquanto trabalha aparece um rapaz mascarado com quem ela tem uma conversa muito interessante, além de se identificar bastante com ele. Ela fala que tem que ir pois logo a banda vai assumir, e ela crítica muito o cantor Fredy Prince que está para entrar, que é o queridinho de todas as meninas. O que ela percebe quando ele soube ao palco (ela já trocou de figurino) é que o rapaz mascarado e o cantor que ela tanto criticou são a mesma pessoa. Ele chama a misteriosa DJ Cinderela para subir ao palco, mas ela fica com medo, pega sua mochila com seu outro figurino e saí correndo.
No dia seguinte não se fala sobre outra coisa porque Fredy postou nas redes sociais que se encantou com a DJ, que deseja encontrá-la, que acredita que eles viveram algo especial, que eles têm as mesmas ideias e por isso quer conhecê-la melhor. Ele fala que está com seu sapato de cristal e que só entregará para aquela que no dia do seu show aparecer com o outro par. Acontece que a madrastra (que é super má) percebeu que Cintia é a DJ e quer que ela lhe dê o sapato para que Fredy fique com uma das suas filhas e ela ameaça contar para seu pai sobre o emprego, e como ela é menor de idade ele poderia proibi-la. O livro foi muito bom, os encontros e desencontros, a madrasta que dá vontade de matar e um final de conto de fadas.
Eu ainda li uma notícia recente no site da editora que como essa história fez muito sucesso, a autora Paula Pimenta vai resgatar a versão original ampliada e publicar, além disso, ela pretende escrever releituras de outros contos.
A adaptação seguinte é de Lauren Kate, famosa por sua série Fallen. Eu não acho a escrita nem os livros dessa escritora nada de mais, apesar do seu tremendo sucesso, e preciso dizer que esse foi o pior conto de todos. Ela fala sobre Percy, que acabou de levar o pé na bunda da namorada, justo quando tinham programado de irem juntos em uma excursão do colégio para a cidade mais romântica do mundo: Paris. Sua mãe não deixou que desistisse da viagem já que não havia a possibilidade de reembolso. Ele vai todo infeliz e não aproveita nada. Em paralelo temos capítulos que falam de Talia, um princesa que foi abençoada pelos anjos, mas que também recebeu uma maldição, um dia ela se encantaria por um unicórnio e iria morrer (a roca de fiar nunca fez muito sentido, mas essa do unicórnio foi pior), mas o anjo do amor ameniza a maldição, no qual ela não morreria, mais cairia em um sono profundo. Enquanto isso Percy está visitando um castelo, se afasta do grupo, anda por jardins e tropeça, quando se levanta esta em outro mundo, onde se depara com o castelo no qual Talia dorme. A autora não fez nada de muito emocionante nesse conto, e apesar de ter inserido um personagem da atualidade achei a releitura fraca.
Por fim temos Patrícia Barboza com uma adaptação de Rapunzel. Nossa personagem Camila não corta o cabelo a quase três anos, pois quando ficou doente sua tia fez uma promessa de que, caso ela se recuperasse, ela não cortaria os cabelos até fazer 15 anos. Ela diz que vive em uma torre, que na verdade é um apartamento, porque ela se sente uma prisioneira, já que sua tia é muita severa sobre muitas coisas. Ela tem o seu melhor amigo Pedro, um fofo total; uma amiga chamada Priscilla bem fora do convencional, além do cara popular chamado William por quem ela é toda apaixonada. Acontece que um acidente faz com que ela perceba que gosta de Pedro mais do que um amigo e que aquela que ela achava ser seu príncipe na verdade é um falso. A princípio eu achei meio bobo, mas a verdade é que no final temos algumas lições muito boas. Mas assim como o conto da Cabot não foi nada de excepcional.
O livro é voltado para um publico feminino e mais jovem. Recebei críticas quando um rapaz me viu lendo esse livro, mas é óbvio que ele não gostaria de um livro intitulado “O Livro das Princesas”, ainda mais para um público infanto-juvenil. Acredito que para um público mais adequado esse livro possa fazer mais sucesso.

Continuação:
A editora lançou O livro dos vilões, ele possui histórias independentes desse primeiro volume, mas segue a ideia de adaptações de contos antigos.

23 de janeiro de 2014

Tipo Destino

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[muito bom]

Eu recomendo: Tipo Destino
Autora:  Suzane Colasanti
Editora: Novo Conceito

Sinopse:
Lani é tranquila, gosta de ficar em casa, de astrologia, de cuidar do planeta. Erin é agitada, gosta de festas, se sair, se divertir. Apesar de muito diferentes, estão unidas por um forte laço, já que Erin salvou a vida de Lani quando criança. Quando Erin começa a sair com Jason, não foi a intenção de Lani se apaixonar, mas a verdade é que eles combinam em tudo, são como almas gêmeas. Jason achava que Lani tinha namorado, quando descobre que não é esse o caso termina com Erin para ficar com Lani. Lani fica divida entre ser fiel a amiga, a quem deve a vida, e viver ao lado do rapaz que ama.

Meu cantinho:
Esse era um livro que estava louca para ler, achei que seria um romancinho bobo e leve, com umas intriguinhas e que logo tudo se resolveria. Entretanto, esse livro me surpreendeu, foi mais do que um romance bobo, mais do que intrigas, tratou de outras questões bem sérias e preciso dizer que esse livro me encantou. Ele tem sim a sua carga de "bobeiras", como misticismo, você encontrar sua alma gêmea no ensino médio e coisas assim, mas relevando isso a leitura é muito boa.
Lani e Erin são melhores amigas, mas são pessoas completamente diferentes. Lani é uma taurina, que gosta de astrologia e outras coisas místicas, ela é tranquila, gosta de ficar em casa e trabalha em projetos para salvar o planeta. A própria Lani se classifica como mediana. Erin é uma menina bonita, popular, leonina, que gosta de sair, de badalar, de conhecer pessoas. Apesar da diferença algo muito forte une as duas, quando crianças elas sofreram um acidente de carro onde Lani afirma que Erin salvou sua vida. A mãe de Erin dirigia o carro e caia uma chuva forte, ela decidiu parar no acostamento para esperar a chuva passar, mas quando percebeu o carro já saía da estrada e foi para dentro de um lago. A mãe de Erin ficou desacordada, Lani estava petrificada de medo. Quando a água começou a subir Erin ordena que Lani vá com ela para a parte de traz do carro, para longe da água, até que o resgate chega. Lani acredita que teria ficado parada e se afogado (por conta disso tem um medo terrível de água em grandes quantidades até hoje), mas não acho que ela deva a vida dela a Erin como imagina, e acho que ela sofre muito nesse livro por conta da ideia de dívida que ela tem com Erin por conta desse episódio.
Lani tem um melhor amigo, Blake, um cara comunicativo, bonito, divertido e gay. Ele esconde esse segredo por conta da relação ruim que tem com o pai, que acredita que o mataria se soubesse de sua orientação sexual.  Blake foi o personagem secundário que eu mais gostei nesse livro, o preconceito que ele sofre, as brigas com o pai, o medo, o segredo que ele tem que esconder. ele terá um desentendimento com Lani, problemas na escola e diversas outras situações complicadas para enfrentar. Foi uma das partes que mais me emocionou nesse livro.
Muitos acreditam que Lani e Blake são namorados já que passam muito tempo juntos e é exatamente esse o pensamento de Jason. Erin começou a sair com ele e está muito empolgada, o apresentou para Lani e Blake na esperança de que ele se desse bem com seus amigos. Logo vemos que Erin não é totalmente sincera, e mente a respeito de seus gostos e preferências para agradá-lo. Enquanto isso Blake dá um alerta a Lani, porque segundo ele, o interesse de Jason não estava concentrado em sua acompanhante, mas sim nela. Blake fica muito tempo implicando com Lani sobre isso e preciso dizer que ele me divertiu horrores, apesar da situação complicada que enfrenta, ele leva a vida com um bom humor e transmite isso aos leitores.
Jason e Lani acabam se esbarrando no horário de almoço (que é diferente do de Erin) e começam a se aproximar, deixam de sentar em suas respectivas mesas e passam a se sentar juntos. Nesses momentos em que passam juntos é que ele descobre que ela e Blake são apenas amigos e não namorados como ele pensou. É incrível a afinidade deles, sabe aquelas coisas absurdas que nós acreditamos ser algo exclusivo nosso? Bem, eles compartilham isso, por exemplo, eles conseguem dar forma e cor a determinadas bebidas e as definições são as mesmas! De fato, nesse aspecto, eles parecem almas gêmeas. Gostaria de ressaltar que apesar da aproximação, eles não estão de fato juntos porque Lani se recusa a trair a amiga (o que eu acho correto), e Erin está sempre importunando Lani para descobrir mais coisas sobre ele, ou se ele prefere o cabelo dela de um modo ou de outro. Quando Erin viaja nas suas férias de verão eles ficam sozinhos, mas diferente do que a sinopse e as frases na capa do livro dão a entender, Lani só se envolve verdadeiramente com ele até que ele escreve uma carta terminando o namoro com Erin. Erin logo começa a escrever para a amiga falando de um cara lindo com quem está saindo no acampamento de verão (percebe-se que Jason foi esquecido rápido). Jason e Lani então começam a namorar, mas decidem não se assumir publicamente na volta as aulas até que Jason possa contar tudo a Erin. Quando Erin descobre, ela simplesmente humilha Lani de todas as formas possíveis, inventa mentiras, aumenta tudo, espalha para o colégio todo e fala que só será amiga dela se ela nunca mais falar com Jason e a boba da Lani aceita na hora. Nesse momento não sei de quem senti mais raiva, Jason e Lani não fizeram nada de errado, e Erin já tinha até partido para outra. Ela usou do elo que as duas tinham, o sentimento de dívida de Lani com o acidente mais a amizade delas para terminar com o relacionamento dos dois e Lani aceita! Erin nem conversa mais com ela, Lani acaba se tornando uma pária, mas mesmo assim ela se mantém ligada a promessa que fez a Erin, que só apronta com Lani cada vez mais! Para piorar tudo, Lani e Blake têm um desentendimento feio e o garoto sofre um monte. O final foi razoável, mas eu queria que Erin tivesse aprendido uma lição, ela bem que merecia sofrer um pouco por toda a maldade que cometeu, mas é no geral um livro muito bom que eu recomendo.


Volume único.