8 de fevereiro de 2014

Deixe a neve cair

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[bom]

Eu recomendo: Deixe a neve cair
Autor: Maureen Johnson, John Green e Lauren Myracle
Editora: Rocco

Sinopse:
Em “O Expresso Jubileu”, Jubileu se vê sozinha no Natal após seus pais terem sido presos na sala de exposição da Flobie, a loja que vende peças para a cidade de natal Flobie, numeradas e limitadas. Ela não poderá passar o natal com seu namorado Noah, que nem parece muito desanimado com a notícia. Ela então pega um trem para passar o natal com seus avós que atola na neve. Tudo parece cada vez pior, até que ela conhece Stuart que lhe oferece um lugar para passar o natal. Noah parece cada vez mais distante e Stuart a trata de um modo como seu namorado nunca a tratou. No conto seguinte, “O milagre da torcida de natal” conta como Tobin, JP e Duke (que é uma garota), partem em busca de líderes de torcidas – Duke apenas de batatas assadas, no meio da nevasca. Entretanto, no decorrer da jornada Tobin percebe que seu real interesse não está nas líderes de torcidas, mas sim naquela menina que é sua melhor amiga com quem tanto combina. No último conto intitulado “O santo padroeiro dos porcos” temos Addie sofrendo com o termino do namoro – que ela mesma ocasionou. O que ela não percebe é que para as coisas funcionarem ela precisa mudar, não apenas para ter seu namorado de volta, mas para manter suas amizades e bons relacionamentos, pois tudo o que ela consegue ver é como as coisas lhe afetam, ela não consegue deixar de ser egoísta, achando que o mundo gira ao redor dela.

Meu cantinho:
O livro traz três contos de natal, cada um de um autor, mas todas relacionadas entre si, compartilhando não apenas os espaços, mas também os personagens. É óbvio que eu comprei esse livro por conta do John Green, já que não conhecia as outras autoras, mas me surpreendi muito mais com o conto da Maureen Johnson. Vou falar separadamente de cada um (apesar das histórias se cruzarem) para que vocês entendam o que eu gostei (ou não gostei) em cada um deles.
O primeiro conto é da Maureen Johnson, intitulado “O Expresso Jubileu”. Confesso que ele não me conquistou logo de cara, achei algumas coisas meio infantis, meio forçadas, mas o final foi bonitinho e acabou sendo dos três, o que mais me chamou atenção. No começou pareceu meio viajado, primeiro porque os pais deram o nome da filha de Jubileu por conta de uma peça da cidade de natal Flobie. Os pais são loucos por essa cidade e não sei se consigo entender esse fascínio todo. Então eles saem antes do natal para comprar essa peça nova e não voltam, até que o vizinho dela, que é advogado, aparece falando que seus pais foram presos por tumulto. As peças numeradas e limitadas da cidade Flobie acabaram causando tumulto, já que algumas pessoas estavam guardando lugar na fila, houve uma comoção, e quando a polícia pediu que seus pais saíssem da fila eles se recusaram e foram parar na cadeia. O advogado também aparece com uma passagem de trem comprada, para que ela vá passar o natal com seus avôs, o que significa que ela não vai poder passar o natal com seu namorado Noah. Quando ela liga avisando o que está acontecendo, ele parece se importar muito pouco, logo da para perceber que ele não é um cara bacana. Jubileu gosta de ressaltar todas as qualidades dele, mas a verdade é que ele é do tipo mauricinho perfeitinho, que preza mais a imagem do que qualquer coisa. Fiquei indignada quando ela contou que em um ano de namoro ela não passou mais do que um dia por mês sozinha com ele. Que eles sempre saiam juntos, eram visto juntos, mas em eventos do colégio, jogos, conselhos, entre outras coisas. Ela era mais uma figura para acompanhá-lo do que uma namorada. Então ela saiu nesse trem e nele ela conhece Jeb, uma figura triste que está tentando chegar a tempo de encontrar sua namorada (eu já não gostei dela porque ele disse que ela o traiu – mas que segundo ele não foi culpa dela), e é importunada por um grupo de lideres de torcidas que está indo para um campeonato. Acontece que no meio do caminho seu trem atola e ela decide se arriscar na nevasca para alcançar Waffle House que está ali perto e deve ter aquecimento e comida. Depois que consegue chegar lá aparece Stuart, que teve seu carro atolado na neve enquanto voltava do trabalho. Eles começam a conversar e ele a convida para passar o natal com ele pois sua mãe nunca o perdoaria se ele a deixasse no natal sozinha. Apesar de ele apresentar todos os seus documentos e tentar mostrar que é gente boa, por favor pessoas, na vida real, não saiam para a casa de estranhos no meio de uma nevasca por mais que seja natal e a pessoa pareça gentil, isso só pode acontecer em livros, ok? Na casa de Stuart ela conhece sua mãe e irmã, é rapidamente acolhida e cuidada, o que só faz com que perceba que seu namorado Noah a abandonou. Stuart tenta abrir seus olhos, para que ela perceba que Noah não é bom para, que parece estar tentado evitá-la e que ele não se preocupa verdadeiramente com Jubileu e como Stuart se preocuparia caso ela fosse sua namorada. Achei muito fofo o final desse conto e ainda mais bacana que temos mais um pouco da presença desses dois no último conto do livro.
“O milagre da torcida de natal” de John Green foi o menor texto de todos (e pensar que foi ele quem me motivou a comprar esse livro). Keun, que trabalha na Waffle House (que aparece no conto anterior) liga para seu amigo Tobin e fala que um grupo de líderes de torcidas vai passar a noite lá porque seu trem está atolado na neve. Ele fala que é uma chance única na vida de terem uma líder de torcida para si e que eles (JP e Duke que estão na casa de Tobin) precisam urgente pegar o jogo de Twister (que as meninas querem jogar) e correr para lá, pois os outros funcionários da Waffle House já ligaram para seus amigos e só poderá entrar quem chegar primeiro com o jogo. JP está louco para tentar pegar uma líder de torcida (ele em certo ponto faz um discurso enloquente que me arrancou risadas), apenas Duke (que é uma menina) não parece estar muito animada, mas é convencida a partir nessa aventura para comer as batatas que tanto gosta e que só são servidas na Waffle House. Eles quase são mortos quando o carro morre na subida, sofrem um acidente, tem que enfrentar os outros rapazes que querem chegar na Waffle House antes deles, são cenas divertidas. No meio de todos esses acontecimentos Duke parece estar com ciúmes de Tobin e ele também dela, mas Tobin não sabe se quer arriscar essa amizade por um romance que pode acabar. O livro não foi nada de espetacular como outras obras de John Green, mas me arrancou algumas risadas e teve um final bonitinho.
O último é maior conto é “O santo padroeiro dos porcos” de Lauren Myracle. O livro foi bem escrito e achei interessante porque todos os casais dos outros contos se encontram no final, foi legal ter essa ligação. O problema foi que eu odiei a personagem principal, Addie, a namorada de Jeb. Eu em parte entendo Addie, porque Jeb é do tipo mais quieto, mais na dele, o problema é que isso está em excesso já que ele não se sente confortável de beijá-la em público ou de andar de mãos dadas. Eu não iria suportar esse tipo de coisa! Entretanto, ela vai um pouco além, ela acha que tudo o que ele faz tem que ser voltado para ela, fica querendo mudá-lo (o que nunca dá certo), quer que ele dê demonstrações de amor estilo filmes, que ele esteja disposto a morrer por ela como em Titanic, o que é um absurdo total. Ela e Jeb tiveram uma discussão antes de uma festa, ela então foi, encheu a cara e beijou outro cara. Ela vai contar para Jeb e fala que eles têm que terminar, ele diz que não quer terminar com ela apesar de tudo, e a babaca fala que acabou só para depois se sentir péssima e ficar correndo atrás dele. Ela está arrasada porque mandou um e-mail pedindo um encontro e ele não apareceu (nós sabemos que é porque o trem atolou na neve, mas ela não) ela está enfrentando uma crise, corta o cabelo curto, tinge de rosa, e fica resmungando para as amigas – que tentam mostrar que ela não mudou de verdade (como disse no e-mail para Jeb) e que ela é muito egoísta e esse é seu principal problema. Não é fácil namorar ou ser amiga de alguém que só pensa em si, que não lhe escuta e acha que tudo em sua vida é mais relevante do que na das outras pessoas. Quando a amiga pede que um favor a ela, ela acaba deixando o drama de sua vida tomar conta de tudo e esquece de fazer o que lhe foi pedido. Ela acaba tendo que correr atrás de tudo depois porque acaba se metendo numa enroscada, então do nada, ela tem uma “iluminação” e passa a ser uma pessoa melhor. Achei isso muito batido, acho que ninguém que é do jeito que Addie é muda de uma hora para outra e acho que ela não merece Jeb.
Um último comentário a respeito desse conto é que apesar dele ter porcos na estória, eu sinceramente acho, que ela poderia ter dado um título melhor para o texto.
No geral o livro foi bom, mas nada de extraordinário. Maurren me surpreendeu apesar de algumas coisas fracas. John Green me decepcionou um pouco apesar de ter me arrancado algumas risadas (acho que eu é que não posso esperar que tudo que ele escreva seja do nível de A culpa é das estrelas). Lauren desenvolveu uma personagem irritante, que eu odiei, assim como sua transformação milagrosa. O livro ganha pontos no modo como as história se conectam e por não haver falhas nesse aspecto.

Volume único.

6 de fevereiro de 2014

Bruxos e Bruxas

[muito bom]

Eu recomendo: Bruxos e Bruxas
Autores: James Patterson e Gabrielle Charbonnet
Editora: Novo Conceito

Sinopse:
Whit e Wisty são irmãos que levam uma vida normal, até que o exército invade a casa deles, declarando que a Nova Ordem, diante do poder do Único que é O Único, ordenou a prisão dos dois, acusando-os de bruxaria. Eles não acreditam no que está acontecendo, pois não acreditam ser bruxos, até que o inesperado acontece e Whit consegue mover objetos e Wisty controlar o fogo. O julgamento ocorre sem que eles possam se defender, e a pena é a forca quando eles completarem 18 anos, o que significa que Whit tem pouco tempo de vida. Eles são presos em uma instituição no qual sofrem diversos abusos e, apesar desta ser resistente a magia, eles conseguem usar alguns dos seus poderes recém descobertos, e com uma ajuda extra, fugir da prisão. Agora eles querem encontrar seus pais que são fugitivos da Nova Ordem, mas descobrem que são os bruxos de uma profecia e que precisam impedir a Nova Ordem, o que inclui um plano urgente para salvar as crianças que ela está matando pelo país.

Meu cantinho:
Eu já tinha ouvido falar de James Patterson, ele tem vários livros publicados, mas confesso que nunca tinha me interessado por nada dele. Quando mostrei Bruxos e Bruxas na minha caixinha de correio eu falei que o comprei mais por conta do preço. Depois disso li algumas resenhas e confesso que tinha ficado desanimada, achando que o livro seria horrível, mas apesar de ter algumas críticas, no geral a ideia foi bacana.
O livro tem uma capa bonita, com efeitos em relevo. A diagramação é bem feita e novamente preciso agradecer a editora por colocar um bom espaçamento entre linhas, porque alguns livros tentam economizar espaço e colocam letras pequenas e todas apertadinhas que dificultam a leitura, o que não é o caso. Os capítulos são narrados por Whit ou Wisty, que são irmãos e nossos personagens principais. Whit é um rapaz de 17 anos, atlético, bonito, mas que não anda muito feliz desde que sua namorada desapareceu do nada. Wisty é sua irmã, tem 15 anos, é ruiva, e um tanto problemática no colégio, sempre faltando aula e ganhando detenção. Eles levam sua vida normalmente até que certo dia sua casa é invadida a noite por homens armados, que afirmam representar a Nova Ordem, o novo poder política regido pelo Único, e que ambos estão presos por serem bruxos. Eles ficam abismados com essa história louca, afinal, eles são extremamente normais. Mas seus pais parecem entender o que está acontecendo, e quando os soldados avisam que cada um pode levar um objeto, a mãe entrega uma baqueta a Wisty e o pai um livro em branco para Whit. E quando os soldados começam a levá-los Wisty se ascende em chamas e bota fogo em alguns deles, até que eles apagam a chama e O Único que é O Único aparece no meio de uma ventania e ordena que os jovens sejam presos para esperar um julgamento. O julgamento é uma farsa na qual eles não têm qualquer chance de defesa, e são condenados a pena de morte, que só pode ser aplicada quando completarem 18 anos. Ambos são mandados para uma instituição onde devem ficar presos até sua execução. Eles passam fome, sofrem abusos e tentam descobrir um pouco mais sobre o poder deles, que é quando encontram uma forma de fugir desse lugar. Quando escapam eles decidem partir em busca dos pais, mas a verdade é que há muitas outras crianças sofrendo como eles e algo precisa ser feito.
O livro é muito interessante porque começa com um prólogo de tirar o fôlego e o leitor fica lendo para alcançar a cena do prólogo, que já aviso que não acontecerá nesse livro. E apesar de ter gostado do começo, da ideia de uma Nova Ordem, da bruxaria, da perseguição, do falso julgamento que condena os irmãos a morte, do tempo preso, da descoberta de novos poderes; o texto tem algumas coisas mal construídas e pequenas falhas.
Primeiro a impressão de que essa Nova Ordem surge do nada e assume o poder muito rápido. Em um dia eles tem a vida normal, no outro tem exércitos marchando e sequestrando adolescentes. Eu acredito que esse tipo de governo possa ascender e ainda ter o apoio da população (Hitler é uma prova disso), mas acredito que é um processo de convencimento, que exige persuasão e tempo. Você não está em um dia vivendo em um mundo normal como o nosso e no dia seguinte caçando bruxas. Para não dizer que isso surge totalmente do nada, Whit fala que estava sendo discutidas algumas questões políticas no colégio. Mas acredito que se uma nova forma de governo tão diferente estivesse ascendendo ao poder um rapaz de quase 18 anos teria percebido isso de modo mais detalhado, com mais atenção.
Depois de que tudo acontece e eles fogem da instituição eles encontram um grupo de jovens que resgatam outras crianças que estão sofrendo o que eles sofreram. Eles então são apresentados a uma xamã que poderia ajudá-los a lidar com seus poderes, quando eles falam o que podem fazer, a xamã e qualquer treinamento é esquecido pois há uma comoção de que eles seriam os bruxos de uma profecia que fala sobre eles e como vão assumir o poder diante desse novo governo. Lógico que O Único sabia disso, por isso prendeu os jovens, mas se ele sabia da ameaça que eram os irmãos e seus pais, porque não os eliminou assim que teve a oportunidade? E porque deixa que os dois levassem a baqueta e o livro, que obviamente são objetos mágicos? Não faço a mínima ideia. 
Mesmo sabendo dessa profecia os dois querem sair em busca dos pais, não ficar e ajudar a resgatar outras crianças. Então o grupo pede que eles conversem com Michael Clancy. Michael fala que ele está na instituição que eles querem invadir, que não sabe como foi o único a sobreviver, que O Único mandou que crianças fossem enfileiradas e vaporizou todas elas, que elas simplesmente morreram. Ambos ficam horrorizados, pensando que realmente deveriam fazer algo para mudar aquilo. Lógico que isso deveria afetá-los, mas se paráramos para pensar, todas as crianças lá já estavam condenados a morrer pela forca, a morte só veio de um modo diferente, então não tem nada de novo nisso. Segundo, se O Único pode simplesmente vaporizar crianças, porque não fez isso com os bruxos da profecia que irão tomar o poder dele?
O livro tem várias outras coisinhas que me incomodaram, como o personagem Byron e a birra até infantil que Wisty tem como ele. Acho estranho quando Wisty fica falando sobre a beleza e a barriga de tanquinho do irmão, por mais que irmãos possam se dar bem e considerar a beleza do outro, acho que não ficam enfatizando suas musculaturas com tanta freqüência. Além disso, no texto a uma série de palavras novas e você precisa adivinhar pelo contexto. Algumas palavras consideradas subversivas foram tiradas de circulação e outras colocadas em seu lugar. O que eu descobri ao acabar o livro é que no final tem um extra com “trechos das propagandas da Nova Ordem”, que traz esse vocabulário e seu significado. Acho que faltou no decorrer da leitura uma nota de rodapé fazendo referência a esse final. As propagandas são muito legais, porque tem uma lista de museus destruídos, poluidores de sons banidos (leiam-se músicos), e livros banidos. Os livros foi o que eu achei mais legal porque ele fala de livros que realmente existem, mas como um nome diferente e uma descrição pejorativa/divertida, como por exemplo, “Harry Potter e a ordem dos idiotas”, “A menina e o presuntinho” e “O ladrão de trovões”.
O livro termina com dois epílogos, que me deixaram curiosa pelo próximo livro (assim como o prólogo). O livro tem essas inúmeras falhas que eu listei, acho que poderia melhor muito, mas vou dar uma chance a continuação porque acredito que ele tem chances de corrigir seus erros, já que a ideia de modo geral é boa.

Continuação:
[Atualizado] O próximo livro dessa série é O Dom. Você pode ler a resenha dele clicando aqui.

5 de fevereiro de 2014

Quem é você, Alasca?

[ótimo]

Eu recomendo: Quem é você, Alasca?
Autor: John Green
Editora: WMF Martins Fontes

Sinopse:
Miles Halter não tem amigos, leva uma vida sem graça, ele coleciona últimas palavras – palavras que pessoas disseram antes de morrer. Diante dessa vida nada espetacular, ele decide sair de casa em busca do seu “Grande Talvez”, e acredita que poderá encontrá-lo em Culver Creek, o mesmo colégio que seu pai estudou. Lá ele faz seu primeiro amigo, que é seu colega de quarto, o Coronel. Ele o ensina a beber, a fumar, o apresenta a outras pessoas, entre elas Alasca. Alasca é problemática, divertida, mas reclamona, que adora flertar, mas sempre afirma amar seu namorado. Miles está apaixonado por ela, mas sabe que eles não vão ficar juntos. Apesar disso, tudo parece estar indo bem, até que um evento acontece, separando a vida de antes da vida depois. 

Meu cantinho:
Vou começar falando da parte estética do livro. A minha capa não é da primeira edição lançada no Brasil como vocês podem ver, mas achei ela muito mais bonita e conectada com o livro. Apenas no verso tem um coração rodeado por espinhos com labaredas (estilo tatuagem) que eu achei meio sem sentido, mas fora isso todos os elementos são muito bem conectados (mesmo que leve um tempo de leitura para você conectar tudo). Acho muito bacana as frases na frente porque define bem nosso personagem Miles, que conquista seu primeiro amigo, que tem sua primeira namorada, assim como seu primeiro amor (garotas diferentes) e que coleciona últimas palavras. Isso é meio estranho, saber as últimas palavras de pessoas que já morreram, mas falo sobre isso mais para frente. Apesar dessa capa bacana tenho uma crítica que é o efeito fosco, esse livro tem aquele tipo de capa que se você encosta ele fica marcado de dedos. É o mesmo tipo de capa da série Insaciável da Meg Cabot. Me dá muita agonia porque o livro parece estar constantemente sujo, não gosta desse efeito/textura/material de capa. 
Quando comecei a ler o livro foi uma tortura, a fonte é extremamente miúda e algumas das páginas estavam com a impressão mais fraca, o que dificultou ainda mais leitura. Isso me desestimulou um pouco, e se esse não fosse um livro do John Green eu provavelmente teria deixado-o de lado por um tempo. Mas felizmente continuei a leitura e me deparei com outro trabalho magnífico do autor. O livro é dividido em antes e depois, não sabemos em relação a que evento é feita essa referência, mas cada trecho é contanto como “tantos dias antes”. Nesse ponto faço uma referência de que houve um erro justo na primeira contagem, fiquei confusa, achando que os dias estariam foram de ordem, mas eles seguem uma ordem cronológica e foi apenas um erro de revisão da editora.
O livro é narrado por Miles Halter, um menino sem amigos, que coleciona últimas palavras, que como eu disse anteriormente é algo muito estranho. Ele gosta de ler bibliografias e descobrir o que cada pessoa disse antes de morrer, e tem uma memória muito boa para isso. Miles vive uma vida pacata e sem graça, então ele decide ir atrás do que ele nomeia como seu “Grande Talvez”, para isso ele se muda para Culver Creek, o mesmo colégio que o pai estudou. No novo colégio ele faz seu primeiro amigo, Coronel, com quem ele divide o quarto. A princípio ele não é o tipo de cara que eu gosto, ele bebe, fuma, é um pouco mandão, com certo ar de superioridade. Acontece que quando conhecemos melhor sua história, não tem como não se encantar por ele. Coronel está no colégio porque tem bolsa integral, e apesar de parecer ser meio relaxado é muito inteligente, ele quer ter dinheiro para um dia poder dar uma casa para a mãe que mora em um trailer. Ele também tem um forte senso de lealdade e um humor incrível. Eu confesso que quando ele vai torcer para o time do colégio eu não consegui não rir! Várias cenas no livro são engraçadas, é um dos principais pontos positivos na parte do “antes”. Apesar de tudo Coronel não é a melhor influência do mundo, já que acaba levando Miles a beber e a fumar. Também é ele que apresenta Alasca a Miles. 
Alasca não é o tipo de garota que eu gosto, ela me lembrou a protagonista de Cidades de Papel (que eu li ano passado e ainda não resenhei aqui), o tipo de menina problemática, bipolar. Alasca é do tipo expansiva, mas que esconde segredos. Que fala de coisas depressivas, que fala de morte, mas que ao mesmo tempo quer viver tudo intensamente e está sempre fazendo piadainha de tudo. Ela fuma muito, bebe muito e fala com muita liberdade sobre sexo e assuntos mais íntimos. Me pareceu que ela alimenta muitas esperanças em Miles apenas para logo em seguida falar do namorado. O único momento em que ela ganharia pontos comigo, que é quando ela fala que gosta de ler e que está montando sua biblioteca pessoal, logo sou decepcionada porque na realidade ela não leu a maioria dos livros e ainda fala que só vai poder lê-los quando for “velha e chata”.
Miles vai convivendo com eles, estudando, discutindo questões mais filosóficas na aula de religião (que é uma parte muito interessante do livro), bebendo, fumando, praticando trotes, arrumando uma namorada (que não é Alasca). Os dias antes estão acabando e eu não estava completamente conquista pelo livro, principalmente por conta da presença de Alasca. Mesmo quando ela revela coisas sobre si que nos fazem entende-la melhor, ainda assim não simpatizei completamente com ela. Eu continuei lendo querendo saber o que seria esse evento que marcaria o depois, achei que seria algo bobo, o grande trote que eles estavam planejando, mas o livro me surpreendeu muito e o evento marcante é... marcante. O depois foi maravilhoso, eu encontrei lá o John Green que me conquistou com A culpa é das estrelas. Há discussões, tristeza, investigações, mistérios e principalmente reflexões maravilhosas e sentimentos verdadeiros. Eu não posso dar muito detalhes sobre o que acontece no depois, caso contrário revelaria spoilers, mas posso dizer que esse final compensou tudo que me desagradou no antes.

Volume único.

4 de fevereiro de 2014

A menina com a lagartixa

[regular]

Eu recomendo: A menina com a lagartixa
Autor: Bernhard Schlink
Editora: Record

Sinopse:
O quadro sempre esteve no escritório do pai, no qual havia uma menina com a lagartixa. Seu pai também parecia amar o quadro, mas sua mãe parecia não gostar tanto dele assim. O garoto cresce mais o fascínio pelo quadro nunca some, quando ele herda o quadro ele o trata com uma amante da qual não consegue se separar. Ele descobre que o pintor é René Dalmann, um judeu que viveu durante a Segunda Guerra e desapareceu nesse período. Fica o mistério de como o pai adquiriu esse quadro já que era um famoso juiz: ajudando Dalmann ou roubando dele.

Meu cantinho:
Para quem viu esse livro na minha caixinha de correio sabe que ele é bem fino, por isso a leitura foi bem rápida. Eu li ele no final do ano passado e achei que já tivesse resenhado ele aqui, mas só agora percebi que não. Eu sou louca pelos livros desse autor, mas preciso dizer que de todos que eu já li, esse é o que eu menos gostei. Schlink continua com sua escrita leve e fácil, assim como continua trabalhando no mesmo tema de seus demais livros: A Segunda Guerra Mundial. Quando comecei a ler, achei que esse livro não seguiria essa temática, mas no decorrer da leitura percebemos que ele trata de um período pós-guerra e de repercussões da época anterior.
O garoto sempre teve um fascínio pelo quadro, assim como o seu pai, percebia que ele parecia sentir certo orgulho, já a mãe parecia não gostar dele. O menino cresce, vai estudar fora e certo dia recebe a notícia da morte do seu pai, que a muito vinha definhando, bebendo, desde que perdeu seu emprego como juiz acusado de agir contra os judeus. Quando volta a casa dos pais sua mãe revela seu amargor pelo seu afastamento e fala para que leve o que quiser dos pertences do pai, pois ela pretende se mudar daquele lugar. A única coisa que ele leva é o quadro, ele o adora e passa horas admirando a menina com a lagartixa. Ele tem total fascínio e ciúmes pelo quadro, inventa mentiras para escondê-lo das pessoas, termina relacionamentos por conta dele.
O rapaz começa a buscar mais informações sobre a pintura, retira a moldura e descobre o nome do pintor. Um judeu, Dalmann, que desapareceu na época da guerra, assim como seus quadros que hoje em dia valem uma fortuna. Entretanto, ele não acha quaisquer informações sobre o seu quadro, mas sim de um quadro muito semelhante a ele. O modo como o quadro parou em suas mãos também o intrigam, teria seu pai realmente ajudado os judeus durante a guerra e recebido o quadro como agradecimento, ou teria ele se aproveitado das atrocidades da guerra para adquirir esse bem?
O final revela um aspecto surpreendente da obra e mostra a verdade por traz das ações dos pais, nos faz refletir sobre o quanto conhecemos alguém, e de forma sutil sobre os horrores da guerra. Achei interessante que no final do livro há um posfácio, que fala do autor, um pouco da história dele, assim como fala de um contexto geral sobre todos os livros publicados de Schlink, inclusive esse. Apesar da escrita leve os livros de Bernhard sempre têm questões mais profundas, apesar de perceber as atrocidades da guerra nesse enredo, ainda assim não consegui me aprofundar tanto. Foi o posfácio que me fez ponderar mais sobre o texto e percebi que a minha leitura foi superficial, talvez por isso ele não tenha me agradado tanto.

Volume único.

3 de fevereiro de 2014

Olho por Olho

««««««
[ótimo]

Eu recomendo: Olho por Olho
Autoras: Jenny Han e Siobhan Vivian
Editora: Novo Conceito

Sinopse:
Mary é uma menina quieta, que depois de muito tempo voltou a ilha para enfrentar fantasmas do passado. Lillia é uma menina popular, que tem tudo o que deseja. Entretanto, seus amigos parecem nem sempre ter os mesmos princípios que ela, como lealdade e respeito, além de valor a família, o que pode fazer com que essas pessoas deixem de ser seus amigos. Kat não é muito popular, tem um estilo diferente, gosta de coisas alternativas, com exceção de Alex, que é da turma dos populares, o cara com quem tem saído, mas que parece estar traindo ela. Aparentemente as três não têm nada em comum, a não ser o desejo de vingança. Com personalidades diferentes, elas se unem para se vingar contra as pessoas que tanto odeiam, um plano do qual não se pode desistir a não ser que queira que esse sentimento de vingança seja direcionado a você.

Meu cantinho:
Vou começar falando da parte estética. Eu simplesmente amei essa capa, realmente as três meninas da capa parecem com as personagens do livro, foi uma ótima escolha. O livro também teve uma revisão boa, assim como a diagramação e muito obrigado editora pelo espaçamento entre as linhas, odeio quando o texto fica todo apertado para economizar espaço. O espaçamento desse livro é muito bom o que torna menos cansativo a leitura.
Quando comecei a ler fiquei meio perdida, temos três personagens principais e cada capítulo é narrado por uma pessoa. Não que esteja confuso a construção, cada capítulo tem o nome bem grande de quem é a narradora, mas como eram três pessoas diferentes, quando começa um novo capítulo (e eu sou ruim de gravar nomes) eu ficava: essa é aquela que estava na praia, na barca ou no trabalho? Levei um tempinho até gravar os nomes e identificar os personagens, mas depois a leitura fluiu tranquilamente.
Nossas narradoras são Mary, a Lillia e Kat. Mary teve um sério problema no passado por conta de um rapaz chamado Reeve, ele fez da sua vida um inferno, humilhava ela de todas as formas possíveis em público, mas a tratava com certa gentileza quando os dois estavam sozinhos. Ler sobre os dois é muito triste, até que um incidente final faz com que ela se afaste definitivamente da ilha. Mary agora está voltando para lá, ela está muito mudada, mas não sabe exatamente o que esperar de seu reencontro com Reeve
Lillia é uma menina que anda com os populares, mas ela começa a perceber que essas pessoas não são tão seus amigos. Quando Alex, um dos caras mais legais, em quem ela confia, parece estar se envolvendo com sua irmã mais nova e mentindo a esse respeito ela não pode acreditar. Para piorar, sua melhor amiga Rennie sabe desse envolvimento mas não lhe contou nada.
Kat não é muito popular, tem um jeito mais impulsivo e descolado. Ela não entende como pode estar se envolvendo com Alex, ainda mais sabendo que ele só anda com os populares, pessoas que ela não gosta nenhum pouco. Acontece que ela descobre que Alex está se envolvendo com a irmã de Lillia, ela se sente traída, termina tudo com ele sem dar qualquer satisfação e decide planejar uma vingança. É nesse momento que ela entra em contato com Lillian. Ela sabe que a garota também não está feliz com o envolvimento da irmã com Alex e das mentiras que essa situação tem gerado, ela marca um encontro com Lillian e um acaso faz com que elas encontrem Mary, que está decidida a abandonar a ilha por não conseguir enfrentar Reeve. Kat acredita que ela é perfeita para o plano porque é nova na ilha e está além de suspeitas. Elas decidem então se vingar de Alex, Rennie e Reeve. Todas têm que participar da vingança uma da outra, elas precisam tomar cuidado, não podem ser vistas juntas e ninguém pode desistir no meio do caminho, caso contrário estará aberta a temporada de caça.
Algumas coisas saem erradas, algumas ações são impulsivas, mas conforme vão elaborando melhor essa vingança os planos das meninas são um sucesso. É por isso que eu não esperava as reviravoltas que o livro teve (que eu não posso falar sobre caso contrário seria um spoiler muito grande), mas só posso dizer que isso tornou o livro ainda mais excitante. Também preciso dizer que achei que esse livro seria algo muito menininhas e vingança (o que em parte foi), tipo Gossip Girl (falando da boca para fora baseada em uma ideia pré-concebida porque eu nunca li ou assisti o seriado), algo bem adolescente americano, mas o livro me surpreendeu com um toque de sobrenatural, fechando com uma cena estilo Carrie A Estranha. O livro é muito bom e superou minhas expectativas, nada de meninas bobas que ficam quietas, elas tomaram a iniciativa e vão se vingar. Recomendo!

Continuação:
O próximo livro da série é Dente por Dente, que eu inclusive já mostrei na minha caixinha de correio.

1 de fevereiro de 2014

Caixinha de Correio


Oi, essa vai ser a minha primeira caixinha de correio com livros comprados esse ano! Começando com o volume dois e três da série Goddess da P.C. Cast. Eu troquei o primeiro volume dessa série Deusa do Mar por Vento Sinistro, como mostrei na minha caixinha. Em parte porque não gostei tanto do livro e também porque ele foi proveniente de outra troca e não gostei tanto do estado dele. Acabei comprando as continuações porque não gosto de deixar séries inacabadas e porque eles estavam muito baratos.
Deusa da Primavera me surpreendeu pela capa, eu ainda não tinha visto essa capa nova, nem sabia que ela existia. Eu confesso que gostei em partes, achei ela bem sensual e está muito mais conectada com o livro que é repleto de cenas quentes e conteúdo adulto. Achei muito bacana o efeito de relevo no título do livro. Entretanto, a foto está um pouco vulgar demais, a minha impressão é que mais um milímetro e o peito da modelo da capa estaria exposto. Já Deusa da Rosa é completamente diferente, não tem efeito em relevos e tem uma camada de brilho em toda a capa. Fiquei um bocado triste porque ele tem um rasgadinho na lombada e isso aconteceu com vários livros dessa compra. Um deles inclusive está muito feio e vou trocá-lo. Decidi não comprar mais no Ponto Frio porque isso está virando rotina.


Comprei O Dom, continuação de Bruxos e Bruxas (que mostrei na minha caixinha de correio aqui), antes mesmo de ter lido esse primeiro livro, porque estava muito barato. Fico feliz de ter feito essa compra, porque Bruxos e Bruxas foi o último livro que li mês passado (ainda não resenhei aqui) e apesar de ter algumas críticas, no geral estou curiosa para saber o que vai acontecer. O livro também veio com as quinas amassadas, mas não muito grave comprado a outros livros dessa compra. A livraria 24 horas do Mr. Penumbra foi a compra mais impulso de todas, eu li a sinopse muito por cima e não sei bem do que se trata, apenas que ele é mais voltado para mistérios, espero que seja uma surpresa boa.


Dezenove Luas é o último livro da série Beautiful Creatures, eu ainda não li o terceiro livro da série, mas já o comprei. Esse livro estava muito barato e não resisti, acredito que foi uma boa compra! Abandono eu já havia mostrado na minha caixinha de correio aqui, mas como falei na época ele veio rasgado (compra na Ponto Frio), eu entrei em contato com eles, fui respondida super rápida e enviei o livro com a capa amassada e folhas rasgadas e esperei ansiosamente um novo. Demorou mais chegou, o único problema é que ele veio com a capa amassada novamente. Se você clicar na foto e ampliar, você vai perceber que no canto superior esquerdo está com umas marcas de amassado, e ainda foi amenizado pela luz da foto, porque está bem pior. Eu não vou pedir para trocar novamente já que esse pelo menos não está rasgado, mas acredite, eles perderam uma cliente.


Os livros da Madeline Hunter eram os que eu mais esperava e os que mais me entristeceram. Lições do Desejo, a continuação de Regras da Sedução, veio com a lombada amassada e rasgada (você vai poder ver um pouco melhor na foto abaixo) e na capa também tem uns veios de amassado que você percebe na luz. Eu tive uma dificuldade enorme para entrar em contato com eles dessa vez, não consegui fazer a troca pelo site, não conseguia ser atendida por alguém no telefone, apenas ouvi mensagens gravadas, quando entrei na fila de espera ouvi música durante um século para no fim a ligação cair. Não tinha atendentes disponíveis no chat pelo site e entrei numa fila no qual eu só era a 100º esperando. Depois de muito tempo de conversa a atendente falou que eu receberia um e-mail com um código para postar o livro com defeito. O código não chegou até agora, mas vou ficar no aguardo.
Deslumbrante veio com as duas quinas da direita amassada (isso da para ver na foto) o problema é que no canto inferior, as folhas vieram todas amassadas, dobradas, eu fui desamassando uma por uma e coloquei um peso em cima para diminuir os danos. Dessa minha compra ainda faltam três livros, Tentação ao pôr do sol, o terceiro livro da série Os Hathaways, Tentação Sem Limites, a continuação de Paixão Sem Limites e por fim Convergente, da série Divergente. São livros que eu quero muito, que comprei em pré-venda e que estou torcendo para que não venham com defeitos.


Apesar dos amassados, rasgados, da minha tristeza e decepção, o que acharam das minhas novas aquisições?

31 de janeiro de 2014

O Livro das Princesas

[bom]

Eu recomendo: O Livro das Princesas
Autoras: Meg Cabot, Paula Pimenta, Lauren Kate e Patrícia Barboza
Editora: Galera

Sinopse:
Duas autoras brasileiras e duas autoras estrangeiras se reúnem nesse livro para fazer a releitura contemporânea de contos de fadas. Meg Cabot adapta a Bela e a Fera para A modelo e o monstro. Uma modelo de coração bom, que trabalha para sustentar a família, e que busca um homem que goste dela não apenas por sua aparência. Ela o encontra em Adam, um homem rico, mas que sofreu um terrível acidente e tem o rosto deformado. Paula Pimenta adapta o conto de Cinderela para Princesa pop, uma jovem que trabalha como DJ, mas que sempre tem que chegar a meia-noite em casa. Em um baile a fantasia ela encontra seu príncipe, mas a madrasta e as irmãs malvadas vão fazer de tudo para impedi-la de ficar com ele. Lauren Kate adapta o conto da Bela Adormecida para Eclipse do Unicórnio, onde a roca de fiar se tornou um unicórnio e o príncipe é um menino do mundo atual. Patrícia Barbosa transforma a história de Rapunzel em Do Alto da Torre, uma jovem que tem uma madrinha super protetora, cabelos compridos, um melhor amigo fofo e um príncipe que não é bem encantado. O livro reúne essas quatro releituras com a abertura na orelha do livro por ninguém menos que Mia Thermopolis do Diário de Princesa.

Meu cantinho:
Eu comprei esse livro sem muita empolgação, como falei quando o mostrei em minha caixinha de correio. Comprei porque compensava colocá-lo no carrinho de correio do que pagar o frete ao tirá-lo. Apesar de tudo ainda fiquei empolgada, afinal, teria um conto da minha adorada Meg Cabot. Entretanto, o conto dela foi bem na média e quem me surpreendeu mesmo foi Paula Pimenta, uma autora da qual nunca tinha lido nada até hoje. Para que vocês entendam vou falar separadamente de cada conto.
Meg é minha querida e eu achava que era o único conto que eu iria gostar, mas não foi bem assim. Seu conto é a adaptação da Bela e Fera, fala sobre uma menina muito bonita, que trabalha como modelo apesar de não gostar da exposição, porque precisa sustentar sua família. Ela tem medo de se envolver e ficou receosa com relacionamentos depois da morte da mãe. Ela está em um cruzeiro, mas a verdade é que veio apenas porque o pai lhe forçou a participar dessa viagem como forma de comemoração pelo novo casamento dele. Ela vai apenas para satisfazê-lo, a verdade é que ela leva um monte de livros para ler durante a viagem (uma rata de biblioteca igual a Bela). Certa noite quando volta do jantar ela é atacada por um homem bêbado e salva por um homem misterioso que ela inclusive já havia visto da sua sacada. Ele a salva mas ela não consegue ver seu rosto pois ele sempre se mantém na sombra. O rapaz tem um rosto deformado por cicatrizes de um acidente e apesar de admirá-la, não espera nada dela por conta de sua terrível aparência. O conto é de certa forma superficial e um tanto bobo, apesar das lições importantes que passam que são os mesmos do conto original: não julgar alguém pela aparência ou posses, mas pela personalidade daquela pessoa. Amar alguém além da aparência. Apesar de tudo, foi uma adaptação interessante até, mas nada excepcional.
Paula Pimenta me surpreendeu totalmente com Princesa Pop, que foi a estória mais longa e a melhor. Ela faz uma adaptação que se prende aos principais pontos de Cinderela, mas na atualidade, e prende completamente o leitor. Cintia vive com a tia depois que seu pai traiu sua mãe (e casou com a megera e ainda cria suas duas filhas) e sua mãe decidiu se afundar no trabalho e aceitar uma proposta para morar no Japão. Ela fala com a mãe todo dia no horário do intervalo no colégio, o único momento possível decorrente do fuso horário e horário de trabalho da mãe que é arqueólogo e está na escavação sem sinal de celular. Acontece que a escola proibiu o uso de celular nas dependências do colégio e o único jeito que ela encontra de resolver isso é entrando em contato com o pai, que é muito influente, já doou dinheiro para o colégio e por isso acredita que ele conseguiria abrir essa exceção para ela. Seu pai aceita resolver o seu problema desde que ela vá a festa de aniversário de 15 anos das filhas gêmeas de sua madrasta. Ela aceita a oferta, já triste, pois além de não gostar da delas, ela tinha um trabalho agendado como DJ nesse dia. Cintia trabalha com DJ aos fins de semana, desde que não afete suas notas e que ela seja liberada a meia-noite, por isso ganhou o apelido de DJ Cinderela. 
Logo ela tem uma surpresa, pois percebe que a festa das gêmeas e a mesma que foi contratada para tocar. Ela bola então um plano para tocar mascarada (já que a festa é temática) e depois se vestir como princesa para que o pai a veja na festa e resolva seu problema. Para trabalhar com DJ ela se veste como a rainha de copas, com um all stars personalizado por sua tia desenhista e para a festa um vestido rosa com sandálias de salto. Enquanto trabalha aparece um rapaz mascarado com quem ela tem uma conversa muito interessante, além de se identificar bastante com ele. Ela fala que tem que ir pois logo a banda vai assumir, e ela crítica muito o cantor Fredy Prince que está para entrar, que é o queridinho de todas as meninas. O que ela percebe quando ele soube ao palco (ela já trocou de figurino) é que o rapaz mascarado e o cantor que ela tanto criticou são a mesma pessoa. Ele chama a misteriosa DJ Cinderela para subir ao palco, mas ela fica com medo, pega sua mochila com seu outro figurino e saí correndo.
No dia seguinte não se fala sobre outra coisa porque Fredy postou nas redes sociais que se encantou com a DJ, que deseja encontrá-la, que acredita que eles viveram algo especial, que eles têm as mesmas ideias e por isso quer conhecê-la melhor. Ele fala que está com seu sapato de cristal e que só entregará para aquela que no dia do seu show aparecer com o outro par. Acontece que a madrastra (que é super má) percebeu que Cintia é a DJ e quer que ela lhe dê o sapato para que Fredy fique com uma das suas filhas e ela ameaça contar para seu pai sobre o emprego, e como ela é menor de idade ele poderia proibi-la. O livro foi muito bom, os encontros e desencontros, a madrasta que dá vontade de matar e um final de conto de fadas.
Eu ainda li uma notícia recente no site da editora que como essa história fez muito sucesso, a autora Paula Pimenta vai resgatar a versão original ampliada e publicar, além disso, ela pretende escrever releituras de outros contos.
A adaptação seguinte é de Lauren Kate, famosa por sua série Fallen. Eu não acho a escrita nem os livros dessa escritora nada de mais, apesar do seu tremendo sucesso, e preciso dizer que esse foi o pior conto de todos. Ela fala sobre Percy, que acabou de levar o pé na bunda da namorada, justo quando tinham programado de irem juntos em uma excursão do colégio para a cidade mais romântica do mundo: Paris. Sua mãe não deixou que desistisse da viagem já que não havia a possibilidade de reembolso. Ele vai todo infeliz e não aproveita nada. Em paralelo temos capítulos que falam de Talia, um princesa que foi abençoada pelos anjos, mas que também recebeu uma maldição, um dia ela se encantaria por um unicórnio e iria morrer (a roca de fiar nunca fez muito sentido, mas essa do unicórnio foi pior), mas o anjo do amor ameniza a maldição, no qual ela não morreria, mais cairia em um sono profundo. Enquanto isso Percy está visitando um castelo, se afasta do grupo, anda por jardins e tropeça, quando se levanta esta em outro mundo, onde se depara com o castelo no qual Talia dorme. A autora não fez nada de muito emocionante nesse conto, e apesar de ter inserido um personagem da atualidade achei a releitura fraca.
Por fim temos Patrícia Barboza com uma adaptação de Rapunzel. Nossa personagem Camila não corta o cabelo a quase três anos, pois quando ficou doente sua tia fez uma promessa de que, caso ela se recuperasse, ela não cortaria os cabelos até fazer 15 anos. Ela diz que vive em uma torre, que na verdade é um apartamento, porque ela se sente uma prisioneira, já que sua tia é muita severa sobre muitas coisas. Ela tem o seu melhor amigo Pedro, um fofo total; uma amiga chamada Priscilla bem fora do convencional, além do cara popular chamado William por quem ela é toda apaixonada. Acontece que um acidente faz com que ela perceba que gosta de Pedro mais do que um amigo e que aquela que ela achava ser seu príncipe na verdade é um falso. A princípio eu achei meio bobo, mas a verdade é que no final temos algumas lições muito boas. Mas assim como o conto da Cabot não foi nada de excepcional.
O livro é voltado para um publico feminino e mais jovem. Recebei críticas quando um rapaz me viu lendo esse livro, mas é óbvio que ele não gostaria de um livro intitulado “O Livro das Princesas”, ainda mais para um público infanto-juvenil. Acredito que para um público mais adequado esse livro possa fazer mais sucesso.

Continuação:
A editora lançou O livro dos vilões, ele possui histórias independentes desse primeiro volume, mas segue a ideia de adaptações de contos antigos.

29 de janeiro de 2014

A Rosa do Inverno

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[ótimo]

Eu recomendo: A rosa do Inverno
Autora:  Patricia Cabot (Meg Cabot)
Editora: Essência

Sinopse:
Edward Rawlings não quer assumir o posto como novo duque e ter as dificuldades em cuidar das propriedades que o título trará, somado a isso, temos o último pedido de seu pai, que ele encontre seu neto perdido, do filho primogênito que ele renegou. Seu irmão se casou com uma escocesa (um casamento que seu pai não aprovou) e teve um filho com ela, quando os dois morreram, o filho deles, Jeremy, foi deixado aos cuidados da família da mãe. Edward finalmente localizou o sobrinho, vivendo com sua tia Peegen em extrema pobreza. Jeremy se recusa a ir sem sua tia, já Peegen se recusa a acompanhá-lo por ser uma liberal, que não gosta de pessoas como Edward que apenas esbanjam e não pensa nos necessitados. Depois de algum tempo Edward convence Peegen ao mostrar que esse é o melhor para Jeremy, e que viver passando frio e fome de nada lhes ajudará. Eles então se mudam para a casa da família, onde rosas florescem inclusive no inverno. O luxo espanta Peegen e ela reprova muita das atitudes de Edward, mas o acha bonito e se sente cada vez mais atraída por ele, assim como ele por ela. Contudo, um envolvimento entre os dois é impossível, já que ela não quer se casar para se submeter a um homem, a não ser que fosse por amor (e ela não acredita que ele a ame), sem falar que Peegen esconde um terrível segredo, que se revelado, nenhum homem desejará se casar com ela.

Meu cantinho:
Quem acompanha meu blog sabe que sou louca pela Meg Cabot, o que abrange os livros de romances históricos que ela escreve com seu pseudônimo. Eu queria esse livro a muito tempo e quando vi ele por um preço acessível não pensei duas vezes em comprar. Confesso que a capa não é o maior estímulo do mundo. Pois apesar da imagem ser relacionada com o livro, assim como o título, a escolha da fonte e das cores não foi boa, acabou ficando tudo muito poluído. As vezes sou um pouca crítica com isso por trabalhar com publicidade e levar a estética em consideração, mas acho que uma capa bonita sempre atraí mais leitores. Apesar desse meu desconforto com a capa, preciso dizer que por dentro o livro é muito bem trabalhado, a diagramação é ótima, assim como os pequenos detalhes que dão um charme ao livro.
A escrita de Cabot continua maravilhosa e encantadora, simplesmente não tenho críticas a fazer ao livro. Gostei bastante de tudo, achei apenas uma última cena no final um pouco excessiva, mas não posso falar muito sobre ela porque revelaria um spoilers. Acontece que diante do livro tudo isso é um fato muito pequeno e não muda minha avaliação sobre a obra.
Peegen é uma mulher forte, desde os dez anos ela ajudou seu pai a criar seu sobrinho Jeremy. Sua irmã impulsiva se casou com o filho de um duque, que também era impulsivo e com uma terrível personalidade. Ele jogava e bebia muito e gastou quase todo seu dinheiro antes de sua morte, deixando a mulher desamparada, obrigando-a a abandonar seu filho com seu pai e irmã e morrendo logo em seguida. No último ano o pai de Peegen morreu, sobrando a ela a obrigação de cuidar de Jeremy. Ela é muito afeiçoada ao menino, assim como ele a ela. Eles têm passado muitas dificuldades desde a morte do pai, seu teto assim como uma pequena ajuda vem da igreja, a comida é pouca, assim como o carvão, obrigando aos dois a dormir no mesmo quarto para não morrer de frio. A notícia de que Jeremy é o novo duque de Rawlings deveria ter trazido felicidade a família, mas isso não acontece porque Peegen tem convicções muito fortes sobre a aristocracia e leva muito tempo para Edward convencê-la, além de várias restrições e condições. O primeiro encontro dos dois é muito divertido, primeiro porque Peegen está fugindo do vigário que está lhe propondo casamento e que apesar do chute que lhe deu na canela e de ter saído correndo, ele ainda não entendeu que ela não quer se casar. Edward chega, primeiro confunde Peegen com uma empregada e depois que entende quem ela é, acaba enfrentando o vigário para expulsá-lo dali. Logo começa uma aproximação e um flerte por parte de Edward, que apesar de ter seu beijo correspondido acaba levando um belo tapa na cara.
Peegen não quer se mudar, mas Edward mostra os benefícios que isso traria a Jeremy, além de prometer diversas coisas ao menino. Peegen acaba sendo convencida e aceita a oferta com uma série de condições. Quando tudo se acerta e eles de fato se mudam para a casa dos Rawlings, muita coisa acontece. Há uma centelha entre os dois, mas também há uma relutância por parte de Peegen. Aparecem outros homens que se encantam com a beleza dela o que só desperta um ciúme louco em Edward. Temos a amante nojenta dele que faz de tudo para alfinetar e prejudicar Peegen porque morre de ciúmes diante do interesse dele por ela. E quando você acha que as coisas vão se acertar, os princípios, desencontros e segredos acabam afastando completamente os dois. O segredo que Peegen esconde é terrível e todo mundo sofre muito nesse final, mas quando tudo se resolveu e eu li o epílogo não pude ser mais feliz. Um romance de época encantador, pouco convencional com nossa personagem liberal, assim como as cenas sensuais, mas maravilhoso ao seu modo.


Continuação:
O próximo volume da série Rawlings é Retrato do meu coração.

28 de janeiro de 2014

Paixão sem limites

[ótimo]

Eu recomendo: Paixão sem Limite
Autora: Abbi Glines
Editora: Arqueiro

Sinopse:
Blaire é linda, tem 19 anos, e é muito madura para sua idade. O problema é que agora ela não tem dinheiro nem casa, já que teve que vender essa última para quitar as despesas médicas da mãe doente que acabou de falecer. Sem ter onde morar e do que viver ela teve que recorrer ao pai que a abandonou; ele diz que ela pode morar com ele pelo tempo que quiser, mas ela só quer arrumar um emprego e se virar o mais rápido possível. Quando chega a casa do pai descobre que ele viajou com a madrasta, e é recebido pelo filho dela: Rush. Rush a princípio não a quer lá, mas deixa que ela fique apenas por um mês no quarto de empregada desde que não o incomode. Apesar da hostilidade inicial, Rush se vê atraído por Blaire, assim como ela por ele, mas há empecilhos entre os dois, e alguns são segredos que Blaire nem consegue imaginar.

Meu cantinho:
Eu li esse livro ano passado e gostei muito, não sei por que demorei tanto para escrever a resenha dele. Quando o mostrei na minha caixinha de correio, eu falei que foi uma compra impulsiva, pela capa e preço, e pensei sinceramente que ia ser outro romance bobo, mas o livro me surpreendeu muito com os personagens, a trama, e me deixou louca pela continuação.
Blaire Wynn tinha uma vida perfeita, até sua irmã gêmea morrer em um acidente, sua família se despedaçar, seu pai a abandonar e por fim sua mãe adoecer. Nos últimos três anos ela cuidou de sua mãe, agora que ela faleceu, ela foi obrigada a vender sua casa para quitar as despesas médicas. Com 19 anos, sem casa e sem dinheiro ela se vê obrigada a recorrer a última pessoa que queria: seu pai. Ele diz que ela pode morar com ele pelo tempo que quiser, entretanto, ela não pretende depender dele por muito tempo, ela quer ter apenas um teto para dormir, até conseguir juntar dinheiro o suficiente para arrumar um lugar para morar. Blaire é uma personagem forte, que não gosta de caridade, que é linda, muito madura para sua idade, que não tem medo de trabalhar e que sabe atirar como ninguém! Gostei muito disse porque a muitas das personagens dos romances são meninas bobas, facilmente influenciáveis, já Blaire é decidida e esforçada. Lógico que ela também tem seus momentos de fraqueza, passar por tudo o que passou e que ainda vai passar não é nada fácil, mas ao meu ver, ela enfrenta tudo com muita coragem.
Quando chega na Flórida, na casa do seu pai, ela se depara com uma mansão enorme e um luxo além da sua imaginação, e logo se ressente pensando nas dificuldades que ela passou com a mãe. Ao entrar na casa descobre que seu pai não está, que na verdade ele viajou com sua nova esposa para Paris e que nem sequer se deu ao trabalho de avisá-la. Lá ela se encontra no meio de uma festa, com muita bebida e mulherada, e seu irmão postiço, Rush, no meio de tudo. Rush é tipo playboy bad boy, lindo de morrer, com tatuagens e piercings, com mulheres se humilhando para ter uma noite ao seu lado, além de cheio da grana. Ele se mostra hostil, fala que o pai dela não está e para ela ir para um hotel, sem querer se humilhar ela logo saí da casa e entra no seu jipe para descobrir que ele não liga. Ela fica sem saber o que fazer, com 20 dólares no bolso ela não pode ir a um hotel, comprar comida ou encher o tanque do carro, ela poderia tranquilamente dormir no carro, mas o dono da casa poderia se incomodar dela ficar na entrada. Enquanto pensa em tudo isso Rush aparece na porta do seu carro para dizer que ela pode ficar, mas apenas por alguns dias e no quarto da empregada que está desocupado debaixo da escada. Ela não poderia ficar em nenhum dos vários quartos na parte de cima, não deveria mexer nas coisas dele e se não estivesse satisfeita poderia ir embora. Sem opção ela aceita e promete que logo irá embora, só precisa de um mês até arrumar um emprego e ele nunca mais precisará vê-la.
Blaire consegue um emprego muito rápido no clube de golfe da cidade, ela só precisa ficar empurrando o carrinho de bebida entre os buracos e atender os clientes. O clube é um lugar cheio de gente rica, e Blaire, uma loira bonita faz sucesso rápido entre os rapazes, principalmente com Woods. Ele é amigo de Rush e ficou encantado quando a viu pela primeira vez na casa do amigo, ele também é filho do dono do clube em que ela trabalha. A minha primeira impressão dele não foi muito boa, achei que ele seria outro playboy igual Rush, mas a verdade é que ele se mostrou muito melhor que Rush e sinceramente gostei mais dele do que do nosso “mocinho”. Tem uma passagem do livro que eu amei, que até Rush se dá conta de como foi cretino. Ele está na cozinha fazendo café da manhã quando Blaire saí do quarto de emprega e ficando babando com o cheiro de bacon no ar. Como ele tinha falado na noite anterior que ele não ia ficar com ela (mesmo ela se insinuando a ele), que eles deveriam ser amigos, ela tentou ser gentil, assim como ele, que a convidou para tomar café da manhã, mas ela recusou porque tinha acabado de comer pão com pasta de amendoim. Então ele percebe que ela simplesmente não tocava nas coisas dele (que foi uma ordem que ele tinha dado), o que inclui a geladeira transbordando de comida e que a única refeição que ela vinha fazendo era pão com manteiga de amendoim que ela guardava no quarto, onde ela afirmou que ficam as coisas dela. Ele percebe que é um panaca, manda ela sair do quarto da empregada, escolher um dos inúmeros quartos vagos (atenção, quartos de hóspedes vagos) no andar de cima (quartos vagos e o babaca bota ela no quarto da empregada) e comer algum bacon e jogar a merda do pote de manteiga de amendoim dela fora. Ele fica todo bravo e chega até a ser um pouco grosso com ela, mas o erro foi dele que foi hostil com ela desde o começo. Mas isso não é nada, a verdade é que Rush faz muitas coisas erradas e Woods é um dos poucos que se levanta para defendê-la, principalmente em relação a Nan. 
Nan é a meia irmã de Rush que ele simplesmente adora, é como se ele tivesse um complexo de irmã. Nan é ciumenta e não suporta Rush perto de Blaire, ainda mais considerando o visível interesse dele por ela. Rush fica fazendo joguinhos com Blaire, falando que gosta dela, mas que ele é mulherengo, que tem muita experiência, que ele não é bom para ela, que deveriam ser só amigos – o que obviamente não acontece. Quando se torna inegável a atração dos dois o relacionamento deles não vai para frente por conta de Nan, ela não gosta de Blaire e Rush não consegue decepcioná-la. Nan fica indo ao clube de golfe constantemente e encontra todas as formas possíveis de irritar e magoar Blaire, fazendo reclamações sobre ela para que perca seu emprego. Óbvio que Rush mosca morta não faz nada e é Woods quem ameaça Nan e a coloca em seu lugar. Fica complicado entender essa fixação de Rush com Nan, mas esse é um dos segredos que vai ser explicado mais ao final do livro, e preciso dizer que me surpreendeu e me deixou com raiva. O segredo só mostra que antes mesmo de conhecer Rush ele foi nocivo a Blaire, sem falar que ele é babaca que escolhe a irmãzinha a mulher que ama. Lógico que Blaire não fica se arrastando como outras personagens bobas, e quando ela aponta uma arma para a cara de Nan eu morri de felicidade.
Outro problema que complica a vida do casal é o retorno de seus pais, afinal de contas a mãe de Rush e pai de Blaire são casados (além de outros problemas entre a mãe de Rush e a mãe de Blaire) e não ficam muito felizes ao saber que Rush, de 24 anos, acabou de tirar a virgindade da menina de 19. Eu falei sobre isso quando resenhei Simplesmente Ana, mas porque as mocinhas têm sempre que ser virgens? Apesar de que Blaire tem um desconto porque ficou feito louca cuidando da mãe nos últimos tempos e também se preocupando com contas e seu namorado na época, Cain, acabou traindo ela por não dar conta da situação e ela acabou dispensando ele (esse cara aparece no livro no final e preciso dizer que é mesmo um total babaca). Acontece que Blaire não é nada inteligente porque transa com Rush sem camisinha, então vocês já imaginam que tudo só pode piorar. Um livro com humor, romance, sensualidade, mistérios e personagens com personalidade. Estou louca para saber o que vai acontecer no próximo volume dessa trilogia Sem Limites.

Continuação:
[Atualizado] O próximo livro da série é Tentação sem Limite. Você pode ler a resenha dele clicando aqui.

27 de janeiro de 2014

Extraordinário

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[ótimo]

Eu recomendo: Extraordinário
Autora:  R. J. Palacio
Editora: Intrínseca

Sinopse:
August Pullman nasceu com uma deformidade genética facial que o levou a fazer diversas cirurgias, ter diversas complicações médicas, além de uma vida social complicada. Ele sempre vê as pessoas lhe olhando, seja abertamente ou de canto de olho, além daquelas que se assustam ou simplesmente fogem dele. Por conta das várias cirurgias Auggie nunca pode ir a escola, mas agora que houve certa estabilidade ele pode ir. Acontece que com dez anos, ir a primeira vez a escola enfrentar o quinto ano não é fácil. August tem que enfrentar olhares, brincadeiras, maldades, decepções, novas complicações médicas, experiências novas, além de muito preconceito.

Meu cantinho:
Começo aqui dizendo que esse livro é no mínimo extraordinário. Ele é composto por uma escrita simples, uma diagramação e revisão muito boa, além de beleza no modo como esse menino de dez anos lida com sua deformidade. Apesar de ter gostado mais da capa branca do que da azul, gosto muito da ideia do rosto deformado, há uma construção muito bacana com o rosto diferente de August e dos outros milhões de rostos normais, na primeira e última página do livro. O livro é divido oito partes, três delas narradas por Auggie, e as demais narradas por Via, a irmã mais velha dele, Summer e Jack, seus colegas de escolas, Justin, o novo namorado de sua irmã, e Miranda que é amiga de infância de Via.
A parte um é de Auggie, ele começa a falar de seu problema na simplicidade de uma criança. Como quando ele brincava com crianças pequenas e elas realmente não ligavam para seu rosto, mas depois as crianças maiores foram se assustando, se afastando, sempre em choque. Como muitas crianças falavam coisas cruéis, mesmo que sem a intenção. Ele fala das coisas que gosta e não gosta, dos poucos amigos que tem, e de como acredita ser um menino comum. Sua família, no entanto, não pensa assim, seus pais falam que ele não é comum porque é extraordinário, já sua irmã afirma que ele é comum, mas sabe que não pensa assim, porque está sempre defendendo ele e batendo de frente com aqueles que olham demais ou fazem algum comentário maldoso. Acho incrível a sagacidade dele, o modo como ele percebe sim o modo como as pessoas olham ou o que elas pensam, de tão habituado que está, mas ao mesmo tempo ele sabe que é inevitável, pois se alguém incomum cruzasse seu caminho ele também iria querer dar uma segunda olhada.
August teve que passar por inúmeras cirurgias, e apesar do seu rosto ainda ser horrível, a verdade é que quem acompanhou todo o processo sabe que ele teve uma melhora significativa. Finalmente, depois de muitos processos cirúrgicos ele não precisará deles por um bom tempo, o que significa que ele pode ir ao colégio. Os pais estão divididos entre expô-lo e tentar com que ele conviva com outras pessoas, além de ter um ensino de qualidade. Ele fica relutante com a ideia, mas os pais o convencem a ir ao colégio nas férias e conhecer o diretor e a escola. Quando chegam lá, para sua surpresa, ele conhece três alunos de sua sala, Julian, Jack e Charlotte que lhe mostram o colégio. Jack e Charlotte são muito legais, mais Julian se mostra um babaca completo e meu ódio por ele só aumenta no decorrer do livro. Juro que se eu tivesse um filho malvado como esse garoto eu ia desejar nunca ter tido filho, apesar de que a mãe dele bem que combinava em maldade com ele. Apesar de Julian, Auggie se sente um pouco feliz, ansioso apesar do medo, e decide frequentar o colégio.
Lógico que já no começo ele tem que enfrentar os olhares das crianças assustadas, as fofocas, os sussurros, o medo, as brincadeira maldosas. Para sua sorte, a maioria das aulas ele faz com Jack e senta com ele, que se mostra um cara super legal que me encanta. Mas Jack ainda me decepciona – fiquei com vontade de bater nele e confesso que xinguei ele, apesar de que depois ele concerta as coisas e voltei a gostar dele. A escola não é nada fácil, no horário do almoço August se vê sozinho, ele fala como sabe que come de modo desajeitado com os dentes da frente por conta das cirurgias, que parece uma tartaruga comendo, como as vezes escapa comida. Meu coração já estava se partindo até que aparece Summer, que senta a mesa com ele o trata com gentileza.
Quando cheguei a parte em que Via narrava, vi tudo pelos olhos dela e  fiquei com pena dela. Primeiramente, é só na parte dela que temos real noção de como é o rosto de August, ela descreve seu rosto, os processos que passou e o modo como está, e a descrição não é nada bonita. Via é uma irmã incrível, que desde pequena conseguiu entender a situação do irmão e a necessidade da dedicação dos pais a ele. Ela não reclamava, aprendeu a se virar só, assumir responsabilidades, cuidar dos seus deveres sem nunca pedir ajuda por mais que não entendesse algo. Ela fala como ele é o sol e sua família orbita ao seu redor. Ela inclusive se torna uma irmã super protetora, ela adora o irmão, mas a verdade é que ela é muitas vezes excluída ou deixada de lado – o pior é que ela entende as necessidades dele e não age de modo egoísta, por mais que lhe doa. Preciso dizer que fiquei um pouco chateada com a mãe de Via, pelo o que eu percebi sua dedicação a Auggie não era apenas por sua doença, cuidados com seu estado, mas ela o mimava de um modo que não fazia com Via, carinhos de mãe que ela sentia falta e a maturidade como ela encarou tudo me surpreendeu. Mas os problemas no novo colégio têm mudado um pouco Via e ela expõe aos leitores suas dificuldades e como ninguém consegue suportar tudo sozinha. O pai dela se mostra um cara super bacana nesse momento, na verdade no livro todo, um cara engraçado e compreensível, um personagem maravilhoso.
Não posso falar em detalhes da parte de Summer e de Jack pois acabaria dando spoilers de coisas que o leitor precisa vivenciar no contexto inteiro. Mas vou fazer algumas considerações sobre a parte de Justin e Miranda. A parte de Justin me surpreendeu pela escrita diferenciada, apenas a parte dele tem letras minúsculas nos inícios de frase e nomes, mas não entendi exatamente o motivo. Apesar do susto inicial ao conhecer Auggie, ele se mostra um cara muito bacana e o que ele faz no final, por ele e por Jack, é muito gentil e engraçado. A parte de Miranda é pequena, confesso que não gostei dela quando ouvi sobre ela na parte de Via, mas ler a história pelo seu ponto de vista dela foi esclarecedor, e é inegável sua afeição por Auggie.
O Livro tem muitas coisas interessantes, muitas dificuldade, e o modo como August lida com tudo (não se esqueçam nunca que ele é um menino de dez anos) é surpreendente. Um livro encantador que eu recomendo a todos.

Volume único.